CMN autoriza Banco Central a transferir R$ 325 bi para o Tesouro

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira (27) a transferência de R$ 325 bilhões do Banco Central (BC) para o Tesouro Nacional, para reduzir o prazo da dívida pública.

Segundo a Agência Brasil, o dinheiro virá do lucro cambial do BC no primeiro semestre, que somou R$ 478,5 bilhões.

“O resultado positivo decorreu da alta de 35,6% do dólar no primeiro semestre”, segue a agência de notícias.

“Como o dólar corrige as reservas internacionais brasileiras, o lucro cambial do BC dispara em momentos de desvalorização do real”, lembra.

Além disso, o BC teve lucro operacional de R$ 24,7 bilhões, totalizando ganhos de R$ 503,2 bilhões.

Esse resultado vem de ganhos com operações como fiscalização, política monetária e gestão de títulos públicos em sua carteira.

CMN ajuda a apaziguar a dívida pública

Com o aumento de gastos do governo federal em virtude da crise da pandemia da Covid-19, o CMN achou por bem aprovar a operação.

Em nota, o Ministério da Economia informou que “a transferência de R$ 325 bilhões do Banco Central para o Tesouro enquadra-se nos casos de excepcionalidade previsto pela nova lei que regulamenta a relação entre os dois órgãos”.

As restrições de liquidez têm dificultado a administração da dívida pública, com o Tesouro Nacional emitindo títulos com prazos mais baixos e queimando o chamado “colchão da dívida”, que é a reserva financeira para pagar os vencimentos dos papéis, para evitar os juros altos pedidos pelos investidores nos títulos de prazo mais longo.

Assim, o CMN ajuda a apaziguar a dívida pública.

“Caso haja necessidade, o CMN avaliará, ainda neste exercício, a ampliação deste valor”, explicou a pasta.

Segundo a Agência Brasil, “nos últimos dias, o BC e o Tesouro Nacional vinham negociando o valor a ser transferido”.

Inicialmente, o Tesouro queria receber R$ 445 bilhões.

“Amanhã, o Tesouro divulgará o novo Plano Anual de Financiamento da dívida pública, que sofreu ajustes”, diz a matéria.

Emissão de títulos

O déficit causado pela crise sanitária tem sido coberto com emissão de dívida pública.

Isso se dá quando o Tesouro lança títulos no mercado para pegar dinheiro emprestado dos investidores e capitalizar o governo.

O Tesouro, então, se compromete a devolver o valor com correção.