Circuit Breaker: entenda mecanismo acionado em momentos de pânico

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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Crédito: REUTERS/Paulo Whitaker

Puxada pela instabilidade que acometeu os mercados mundiais, a bolsa brasileira recorreu ao circuit breaker na manhã desta segunda-feira (9), em meio ao cenário de aversão ao risco causado pelo surto de coronavírus e à disputa pelo preço do petróleo entre Rússia e Arábia Saudita.

O circuit breaker é um mecanismo utilizado pela B3 que permite, na ocorrência de movimentos bruscos de mercado, o amortecimento e o rebalanceamento brasileiro das ordens de compra e de venda.

Trata-se de um “escudo” à volatilidade excessiva em momentos atípicos de mercado e é ativado interrompendo por 30 minutos todos os negócios na B3, quando o Ibovespa atingir um limite de baixa de 10% em relação ao índice de fechamento do dia anterior.

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Interrupção

Se ao reabrir os negócios, a variação do Ibovespa atinja uma oscilação negativa de 15% em relação ao índice de fechamento do dia anterior, os mercados serão interrompidos novamente por uma hora.

Se ao reabrir os negócios, a variação do Ibovespa atinja uma oscilação negativa de 20% em relação ao índice de fechamento do dia anterior, os mercados poderão ser interrompidos por qualquer prazo definido pela B3 e divulgado ao mercado pela Agência Bovespa de Notícias.

Sempre haverá um período de 30 minutos de negociações contínuas no final da sessão regular, para que compradores e vendedores ajustem suas posições. Portanto, o circuit breaker não poderá ser acionado nestes últimos 30 minutos de negociações.

Histórico

A última vez que a Bolsa brasileira recorreu ao circuit breaker foi em 2017 por conta de denúncias de corrupção contra o ex-presidente Michel Temer. A data ficou conhecida como Joesley Day Antes disso, foi em 2008 relacionada à crise financeira internacional.

Ao todo, o mecanismo já foi acionado 17 vezes na história da Bolsa brasileira. Em 11 de setembro de 2001, porém, quando as torres gêmeas de Nova York foram atacadas, os negócios também foram interrompidos, mas sem acionamento do circuit breaker.

Outra paralisação de grande impacto ocorreu em janeiro de 1999. À época, por conta da adoção do câmbio livre no país, os negócios foram suspensos por meia hora e o índice recuou 9,33%. O mercado temia os possíveis efeitos dessa nova estratégia.

Já em 1998, ano da crise na Rússia, o mecanismo entrou em ação por cinco vezes. No dia 10 de setembro a bolsa parou durante uma hora e fechou em baixa de 15,82%.

A primeira vez que o circuit breaker foi acionado no mercado brasileiro foi no dia 28 de outubro de 1997, um dia após a Bovespa cair mais de 14% durante a crise financeira asiática. O mecanismo foi usado por mais duas vezes naquele ano.

NYSE ou NASDAQ

O S&P 500 (Standard&Poor’s) caiu mais de 7% nesta segunda e a Bolsa norte-americana recorreu ao circuit breaker para deter uma queda mais acentuada. O índice é composto por quinhentos ativos cotados nas bolsas de NYSE ou NASDAQ.

A parada ocorreu às 9h00 e as operações ficaram 15 minutos congeladas. Quando foram retomadas, os indicadores continuavam caindo, segundo a Dow Jones Industrial Average, que registrou dois mil pontos negativos.

Os índices ficaram configurados assim: além do S&P, o Dow recuou 7,3%, enquanto o Nasdaq, que está concentrado em nomes de tecnologia, recuou 6,9% antes que as negociações parassem.