Cielo (CIEL3): Vendas do varejo têm a primeira queda em 7 meses

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Dados divulgados pela Cielo (CIEL3) nesta quarta-feira (16) mostram que as vendas do varejo em novembro tiveram uma queda de 11%. Os números do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) descontam a inflação e são comparadas ao mesmo mês de 2019.

O resultado interrompe a recuperação do comércio percebida por sete meses seguidos –entre abril e outubro. Os setores que mais desaceleraram foram os setores de varejo alimentício especializado e supermercados e hipermercados. Cosméticos e higiene pessoal, drogarias e farmácias, do outro lado, apresentaram forte aceleração.

Em termos nominais, que espelha a receita de vendas observadas pelos varejistas, o ICVA aponta que a queda foi de 4,3%.

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“A queda do ritmo do varejo aconteceu em todos os macrossetores, indicando uma piora geral no cenário. A desaceleração é observada mesmo desconsiderando os setores de Serviços, mais impactados pela pandemia. Esse comportamento também foi observado no desempenho da Black Friday que, apesar do forte crescimento das vendas online, teve queda de 8,4% no total, em comparação com o mesmo evento de 2019, influenciado pelas quedas das vendas nas lojas físicas”, afirma o superintendente-executivo de Inteligência da Cielo, Gabriel Mariotto.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou alta de 0,89% em novembro. Ou seja, é o maior valor do índice para o mês de novembro desde 2015. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação foi de 4,31%.

Conforme dados do IBGE, o setor de Alimentação e Bebidas foi destaque na aceleração do índice.
Ao ponderar o IPCA pelos setores e pesos do ICVA, a inflação no varejo ampliado foi de 7,6% em novembro.

Varejo alimentício especializado é destaque negativo, diz Cielo

Todos os macrossetores (Bens não Duráveis, Bens Duráveis e Semiduráveis e Serviços) sofreram desaceleração em novembro.

No macrossetor Bens não Duráveis a maior desaceleração foi do setor de Varejo Alimentício especializado, enquanto o destaque positivo foi o setor de Drogarias e Farmácias.

Já no Bens Duráveis e Semiduráveis, a maior desaceleração foi no setor de Materiais para Construção. No bloco de Serviços, o mais impactado pela pandemia, destacam-se as acelerações nos segmentos de Serviços Automotivos e Autopeças e Recreação e Lazer.

Nordeste registra maior retração nas vendas

De acordo com a Cielo, todas as regiões registraram queda nas vendas em relação a novembro de 2019.

Conforme o ICVA deflacionado com ajuste de calendário, a região Nordeste apresentou a maior retração em novembro de 2020: -10,1%.

Na sequência aparecem as regiões Sudeste (-9,1%), Sul (-8,8%), Centro-Oeste (-6,6%) e Norte (-3,2%).

Já o ICVA nominal, que não considera o desconto da inflação, com ajustes de calendário, o destaque foi a região Norte, com variação positiva de 5,5%. O Centro-Oeste experimentou alta de 1,1%. Em seguida aparecem: Sul (-1,6%), Nordeste (-2,1%) e Sudeste (-3,4%).

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