Christine Lagarde sugere um grande ajuste para a meta de inflação do BCE

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Facebook Oficial Christine Lagarde

O Banco Central Europeu pode estar prestes a ajustar sua principal política para combater as consequências econômicas da crise da pandemia, é o que informou a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde.

Desde 2003, o banco central tem como meta uma taxa de inflação “abaixo, mas próxima de 2%”, lembra a CNBC.

No entanto, o BCE está atualmente mais preocupado com a lentidão dos aumentos de preços.

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Como resultado, uma recente revisão da estratégia pode levar a um novo alvo.

“No ambiente atual de inflação mais baixa, as preocupações que enfrentamos são diferentes (do que em 2003) e isso precisa ser refletido em nosso objetivo de inflação”, disse Lagarde, em uma conferência de imprensa na quarta-feira (30).

Análise de Christine Lagarde

Ela pediu um debate mais amplo sobre se os bancos centrais devem se comprometer a compensar os distúrbios inflacionários quando eles passam algum tempo abaixo das metas estipuladas.

“Tal estratégia pode fortalecer a capacidade de se estabilizar a economia quando confrontada com o limite inferior”, ela disse.

“Embora as estratégias possam ter menos sucesso quando as pessoas não são perfeitamente racionais em suas decisões – o que provavelmente é bem perto da realidade que enfrentamos – a utilidade de tal abordagem pode ser examinada”, seguiu.

A inflação na área do euro foi em média de 2,3% de 1999 a 2008, quando a crise financeira global surgiu.

Desde então, foi, em média, apenas 1,2% até o final de 2019, de acordo com dados do BCE.

A revisão da estratégia que o BCE pensa pe em como adaptar a sua política à realidade económica atual.

Em declarações aos congressistas europeus, Lagarde alertou que os próximos dados podem apontar para uma maior deflação.

A leitura instantânea da inflação de agosto já havia ficado em -0,2%, ante 0,4% em julho.

Fed

É num problema global.

O Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed) fez uma avaliação semelhante.

O Fed anunciou em agosto que permitiria que a inflação ultrapassasse sua meta de 2% por “algum tempo”.

Isso significa que o banco central terá menos probabilidade de aumentar as taxas de juros – uma medida que tem amplas implicações para os mercados financeiros e para o consumidor diário.

“Muitos acham contra-intuitivo que o Fed queira aumentar a inflação”, disse Jerome Powell, presidente da instituição.

“Entretanto, a inflação persistentemente baixa pode representar sérios riscos para a economia”, acrescentou.

A inflação muito baixa também é motivo de preocupação entre as autoridades europeias.

Deflação

Os bancos centrais monitoram a deflação de perto.

Em uma economia saudável, os preços tendem a subir em um ritmo gradual, não cair.

A zona do euro caminha para uma contração anual de 8% do produto interno bruto (PIB) neste ano.

A pandemia atingiu duramente a região, com muitas indústrias lutando para manter os negócios vivos.

E ainda há a segunda onda enfrentada agora.

Ou seja, apesar da recuperação, há dúvidas sobre o desempenho da zona do euro no último trimestre do ano.

“O PIB real da área do euro só deve se recuperar aos níveis anteriores à crise no final de 2022”, disse Lagarde.

No entanto, Lagarde diz que “a força da recuperação permanece altamente dependente da evolução da pandemia Covid-19”.