China: Goldman prevê choque brusco e rápido na economia

Omar Salles
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Crédito: Reprodução/Agência Brasil

O choque econômico do surto do Covid-19, ou coronavírus, será muito brusco sobre a China, mas também será rápido, projeta um estudo divulgado hoje pelo banco americano Goldman Sachs. O banco compara o choque com a recessão de 2008-2009, cujos efeitos na China – como em parte do mundo – foram menos bruscos, mas mais prolongados.

A atividade econômica só começará a se recuperar em março, a partir da indústria, com uma “volta ao normal”  completa em abril e maio.

“A atividade econômica em janeiro deve ter sido moderadamente fraca, com a descoberta da transmissão do vírus de pessoa a pessoa apenas no dia 20, bem como com o feriado do Ano Novo Lunar chinês, que caiu no final daquele mês”, explica o relatório, projetando que o “impacto mais forte” ocorre agora em fevereiro.

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“O golpe mais severo na economia deve ser em fevereiro, com os feriados estendidos, atrasos na retomada da produção fabril e trabalhadores enfrentando quarentenas antes de voltar aos seus locais de trabalho”, avalia o Goldman Sachs. Segundo o banco “a expectativa é que a atividade industrial se recupere mais rapidamente que o consumo – principalmente de bens duráveis – e finalmente os serviços, que envolvem o contato pessoal”, avalia.

“Nós acreditamos que quando a volta ocorrer plenamente, a China registrará taxas até mais altas de crescimento econômico, no terceiro e no quarto trimestre deste ano”, projeta o banco. O Goldman Sachs ressalta que este cenário “pressupõe que o surto será contido, pelo menos fora da província de Hubei, até o final de março”.

“Na atividade industrial, acreditamos que o índice de compras (PMI, na sigla em inglês) cairá a 38 pontos em fevereiro, mas rapidamente subirá acima de 50 pontos nos meses seguintes. Como o Escritório Nacional de Estatísticas da China publica janeiro e fevereiro juntos, apenas veremos uma meda para a indústria nos dois meses”, explica o relatório.

“No lado do consumidor, veremos uma queda brusca em fevereiro, com o PMI bem negativo no bimestre janeiro e fevereiro. O consumo poderá voltar com muita força no segundo trimestre (a partir de abril), com as pessoas gastando mais em bens duráveis e em serviços como restaurantes e viagens”, projeta o banco.

O Goldman Sachs conclui que nos próximos dois a três meses será observada uma oscilação dramática na economia chinesa, partindo de um cenário de estagnação total em fevereiro para um crescimento até superior ao registrado antes do surto, por volta de maio ou junho. Segundo informa que o PIB do primeiro trimestre do ano só será divulgado pelo governo chinês em 17 de abril.

O governo chinês deverá divulgar prévias da manufatura e dos serviços de fevereiro no dia 29 deste mês.

No dia 2 de março, a Markit, empresa privada, deverá divulgar o PMI da indústria chinesa em fevereiro, e no dia 4, do setor de serviços.

Os primeiros dados de comércio exterior da China neste ano, referentes a janeiro e fevereiro, só devem ser divulgados pelo governo em 7 de março. No dia 31 do próximo mês, o governo chinês deverá divulgar as leituras para março da indústria e dos serviços.