China garante que “declarações irresponsáveis” não afetarão relação com o Brasil

Paulo Amaral
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Crédito: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Qu Yuhui, ministro-conselheiro da Embaixada da China no Brasil, assegurou que as recentes declarações de Eduardo Bolsonaro e Abraham Weintraub não afetarão a relação entre os países.

Na visão de Yuhui, tanto o deputado, filho do presidente da República, quanto o Ministro da Educação “não representam a opinião majoritária do povo brasileiro, que é amigo da China, tem seus laços de amizade”.

Durante a entrevista coletiva concedida por videoconferência, o ministro-conselheiro da Embaixada chinesa classificou de irresponsáveis as declarações dos dois membros do governo.

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“Continuamos a achar que os comentários feitos por essas figuras públicas de alto escalão são lamentáveis, irresponsáveis. Ainda não conseguimos entender por que fizeram esse tipo de declarações. Ou por ignorância, ou por outras intenções que nós aqui não sabemos o que são”.

Qu Yuhui aproveitou a ocasião para assegurar que as infelizes declarações não atrapalharão a importação de insumos e equipamentos chineses para o Brasil durante a pandemia de coronavírus.

“As relações entre China e Brasil são muito maduros. Tem sido um trabalho assíduo de muitas gerações, feito por tantas pessoas dedicadas à causa, que não vai ser abalada ou danificada por um ou dois indivíduos irresponsáveis. Mas isso não quer dizer que podemos deixar que essa atitude saia totalmente imune”, ponderou.

Avisou, no entanto, que nenhum país será tratado como prioritário pelos chineses.

“O governo [chinês] não tem como interferir nos contratos comerciais firmados diretamente entre um comprador em um fornecedor ou intermediário. Cada caso é um caso, não sabemos muito bem os termos [dos contratos]. O intermediário pode ser chinês, brasileiro ou de outro país, então não temos espaço para intervir em tais termos”, concluiu.

O mal-estar com Eduardo Bolsonaro

Em 19 de março, Eduardo Bolsonaro, que também ocupa o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, fez graves acusações aos chineses em relação ao surto da Covid-19.

“Mais uma vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor, tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas. A culpa é da China e liberdade seria a solução”, disse o deputado, por meio de um post no Twitter.

A embaixada chinesa respondeu de forma dura às críticas do filho de Jair Bolsonaro e mostrou que não gostou do comportamento do deputado.

“Aconselhamos que não corra para ser o porta-voz dos EUA no Brasil ou vai tropeçar feio”, disparou Yang Wanming, porta-voz da China no Brasil.

Sem desculpas

No Twitter, a embaixada da China se manifestou criticando a atitude do deputado. Sendo assim, os mesmos disseram não o desculpar pelo que foi falado e que Eduardo Bolsonaro claramente não se arrependeu por seus atos.

“Os seus argumentos mostram que você não está arrependido pela sua atitude, tampouco ciente dos seus erros. Ao continuar a optar por ficar no lado oposto ao povo chinês, está indo cada vez mais longe no caminho errado”, afirmou a representante chinesa em seu Twitter.

Ministro da “educação”

O segundo mal-estar envolveu Abraham Weintraub. O Ministro da Educação também foi ao Twitter ironizar o papel da China durante a pandemia de coronavírus.

”Quem são os aliados no Brasil do plano infalível do Cebolinha (personagem criado por Maurício de Souza), para dominar o mundo?”, ironizou. Em seu post, o ministro utiliza de uma imagem dos personagens da Turma da Mônica ambientada na Muralha da China e, substituindo a letra “R” pela letra “l”, em referência ao modo de falar do personagem, insinuando que trata-se dos chineses.

“Geopoliticamente, quem podeLá sair, foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia ser o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominar o mundo? SeLia o Cascão ou há mais amiguinhos?, twittou.

Pedido de desculpas condicionado

“Dado que a Embaixada chinesa ficou tão ofendida, e eu sei como é a negociação dos chineses, esse processo cultural, ‘estou extremamente ofendido, venha pedir desculpas de joelhos aqui’, (…) eu vou fazer o seguinte, meu acordo: eu vou lá, eu peço desculpas, peço ‘por favor, me perdoem pela minha imbecilidade’”, disse no programa.

“A única coisa que eu peço é que dos 60 mil respiradores que estão disponíveis, eles vendam mil para o MEC, para salvar vida de brasileiros, pelo preço de custo. Manda a embaixada colocar aqui nos meus hospitais, e eu vou lá à Embaixada e falo ‘eu sou um idiota, me desculpem’”, continuou.

Quanto ao publicado no Twitter, especificamente, Weintraub negou que tenha cunho preconceituoso e afirmou que ele não é racista.

“Não acho que foi um post tão pesado. Não xinguei nenhum chinês. Tenho um monte de amigos chineses e conheço a cultura chinesa. Falar que eu sou racista é uma acusação que, se fosse um brasileiro, ia ter que provar na justiça, exatamente como alguns chamaram e vão ter que provar, porque é uma acusação grave”, se esquivou.

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