China compra mais soja dos Estados Unidos e menos do Brasil em março

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Jonas Oliveira

A China, maior parceiro comercial do Brasil, comprou menos soja brasileira em março, um recuo de 24,8% com relação ao mesmo mês de 2019. Em compensação, comprou 13,33% a mais dos Estados Unidos no mesmo mês, em comparação com 2019. As informações são da Reuters.

O país asiático é o maior comprador de soja do mundo. O maior cliente do Brasil nesse produto. Em março importou 2,1 milhões de toneladas. Em março de 2019, havia importado 2,79 milhões de toneladas.

Esse é um movimento que vem sendo notado há algum tempo. Em 2019, a China, assim como a Turquia e a Rússia, já haviam comprado menos soja brasileira. Só os asiáticos compraram 26% a menos.

Em fevereiro, também houve recuo: 20,88%, com a importação variando de US$ 1,58 bilhões em fevereiro de 2019 para US$ 1,25 bilhões em fevereiro de 2020.

Muitos fatores

Apesar da política externa brasileira, no governo de Jair Bolsonaro, ser considerada errática, especialmente com relação à China, não se pode creditar unicamente a isso a queda.

A guerra comercial entre China e Estados Unidos fez com que os dois países tentassem acordos que acabam prejudicando outros países.

Mas há também as chuvas de verão no Brasil, particularmente no fim de fevereiro, que atrasaram a colheita e, consequentemente, a exportação da soja brasileira.

Isso levou, segundo informa a Reuters, “a baixos estoques recordes de soja e farelo de soja na China. Algumas trituradoras de soja foram forçadas a restringir as operações devido à escassez de oferta”.

“Os compradores chineses também compraram menos cargas para março porque estavam esperando a desaceleração típica da demanda observada após o feriado do Festival da Primavera”, segue a agência de notícias.

O fato é a China comprou mais dos Estados Unidos, mas é uma exceção, porque comprou menos de todo mundo. As importações totais de soja da China em março caíram 13% em relação ao mesmo mês do ano passado.

É a mais baixa compra da commodity pelos chineses em cinco. Segundo a Reuters, a China precisa importar soja “para triturar em farelo de soja para alimentar o setor pecuário e para preparo de óleo de cozinha”.

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A expectativa, assim, é que os próximos meses haja uma reversão nesse quadro e os chineses passem a comprar mais do Brasil.

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