TikTok: China aperta regras de exportação e pode frear empresa nos EUA

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Uma medida de exportação atualizada pelo governo da China pode colocar em risco a venda das operações da TikTok nos EUA, de acordo com relatórios publicados pelo The Wall Street Journal e no The New York Times.

De acordo com os relatórios, citados em reportagem da CNBC, a China modificou as regras que controlam a exportação.

A decisão visa impedir a venda de tecnologia da TikTok, o que foi confirmado em texto publicado pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua no sábado.

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Trump X TikTok

Não é só o governo chinês que está fechando o cerco sobre a relação entre a Tik Tok e os EUA.

A própria ByteDance, proprietária do aplicativo TikTok, quer processar o governo Trump em virtude da ordem executiva assinada pelo presidente dos EUA.

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Donald Trump ordenou, em 6 de agosto, que tivesse início um prazo de 45 dias para que qualquer transação com a ByteDance ficasse proibida em território dos EUA.

Uma outra decisão, emitida em 14 de agosto, deu à ByteDance 90 dias para alienar as operações da TikTok nos Estados Unidos.

Negociações

A empresa de origem chinesa está em negociações com potenciais compradores, como Microsoft e Oracle, mas precisa fechar o eventual negócio antes do prazo para não ser banida do território norte-americano.

“Embora discordemos veementemente das preocupações do governo, por quase um ano procuramos nos envolver de boa fé para fornecer uma solução construtiva”, disse um porta-voz da TikTok à CNBC.

“O que encontramos, em vez disso, foi uma falta atenção, já que o governo não deu importância aos fatos e tentou se inserir nas negociações entre empresas privadas”, completou.

“Para garantir que o estado de direito prevaleça e que nossa empresa e usuários sejam tratados com justiça, não temos escolha a não ser contestar a Ordem Executiva por meio do sistema judicial”, emendou o porta-voz, anunciando a intenção de procurar a Justiça.

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Aprovação do governo chinês

Segundo a CNBC, Cui Fan, professor de comércio internacional em Pequim, disse à Xinhua que a ByteDance teria de conseguir o aval do governo chinês para a operação.

Fan acredita que a empresa teria que frear as negociações que envolvem a venda da TikTok.

A CNBC relatou, na quinta-feira (27), que a TikTok anunciará a venda de suas operações nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia nos próximos dias.

O negócio pode resultar numa cifra entre US $ 20 bilhões a US $ 30 bilhões.

A ByteDance está avaliando ofertas de várias empresas, incluindo Oracle, além de uma oferta conjunta do Walmart e da Microsoft.

Em relação à ordem de Trump no início deste mês, que proibiria as transações nos Estados Unidos com a controladora da TikTok, a ByteDance, a empresa entrou com uma ação contra o governo federal.

Considera que a administração Trump pretende bloquear o TikTok na segunda-feira.

Segundo a CNBC, a TikTok não comentou os relatórios.

Pagamento de funcionários

De qualquer forma, a TikTok continua trabalhando para garantir que seus funcionários sejam pagos, mesmo que o aplicativo acabe banido dos EUA, também de acordo com a CNBC.

Bastante popular entre os jovens de todo o mundo, o TikTok acendeu o alerta nas autoridades dos EUA por, supostamente, repassar as informações dos usuários ao governo comunista da China.

Nos EUA, o TikTok se expandiu para mais de 100 milhões de usuários mensais.

O aplicativo tem cerca de 800 milhões de usuários ativos em todo o mundo e foi baixado mais de 2 bilhões de vezes.

O Congresso votou em julho para proibir os funcionários federais de baixar o TikTok em telefones emitidos pelo governo devido a questões de segurança nacional.

A empresa chinesa Tencent, dona de outro aplicativo na mira dos EUA, o de troca de mensagens WeChat, também foi atingida por uma ordem executiva proibindo transações nos Estados Unidos.

Até o momento, no entanto, a Tencent não confirmou se seguirá os passos da ByteDance e também entrará com uma ação na Justiça contra o governo de Donald Trump.

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Walmart entra na briga

A rede Walmart está se juntando à Microsoft pela  TikTok.

Oracle Corporation também está na briga, lutando para comprar as operações do aplicativo de vídeos nos EUA.

A rede varejista estaria interessada no negócio com a empresa do ramo de tecnologia para competir com a Amazon.

Entre os planos da companhia, está também a criação de um programa de membros, chamado Walmart+, que deve acontecer em breve.

Acelerar as entregas

O CEO da varejista, Doug McMillon, não disse quando o Walmart + seria lançado ou quais vantagens incluiria, mas informou que o programa de associação vai acelerar as entregas para os clientes, fortalecer o relacionamento com eles e coletar dados valiosos.

Não se sabe ainda se o TikTok teria alguma integração com esse novo serviço caso seja comprado pela empresa.

O projeto seria uma resposta ao Amazon Prime, serviço por assinatura da concorrente, que garante acesso a filmes e séries exclusivos.

Em nota, a Walmart disse que a integração entre as vendas online e a publicidade da TikTok “é um benefício claro para os criadores e usuários nesses mercados”. As informações são da CNBC.

Competição com a Amazon

Para o diretor administrativo e analista de tecnologia da Wedbush Securities Daniel Ives, a tentativa da Walmart em competir com a Amazon ao comprar a TikTok é superestimada.

“Quando você pensa, agora, em enfrentar o ‘monstro de 800 libras’, Amazon, obviamente eles estão atrás da bola oito”, disse.

No entanto, Ives acredita que o negócio pode sim ser lucrativo para o Walmart, já que seria uma oportunidade de firmar uma parceria com a gigante Microsoft e monetizar a base da TikTok, potente rival ao Instagram pelos próximos anos.

Segundo o especialista, a chance do acordo ser firmado é de 85% a 90%.

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Questões políticas 

A TikTok foi pressionada a procurar um comprador para suas operações s depois que o secretário de Estado do país, Mike Pompeo, disse em julho que estava considerando banir o TikTok e outros aplicativos chineses por razões de segurança.

O governo dos EUA disse estar preocupado com o fato de o governo chinês poder acessar os dados dos usuários coletados pela TikTok.

O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva em 6 de agosto, alegando que a China pode potencialmente ter acesso a “informações pessoais e proprietárias dos americanos” por meio de dados coletados pela TikTok.

A TikTok negou repetidamente essas acusações. Ela afirma que seus dados de usuário são armazenados nos EUA, com backup em Cingapura, e seus data centers não estão localizados na China.

Na quinta-feira, o CEO da TikTok, Kevin Mayer, saiu da empresa, poucos meses depois de assumir o cargo, alegando pressão política e a venda forçada, disse a CNBC.

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