Chanceler argentino vem a Brasília para buscar reaproximação entre os países

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Twitter

O chanceler argentino Felipe Solá (foto) visita Brasília nessa quarta-feira (12) para participar da primeira reunião bilateral com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo. A ideia do governo argentino é reaproximar os dois países, que entraram em atrito durante o processo eleitoral e consequente eleição de Alberto Fernández, cuja posse o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, não quis participar.

“O objetivo é nos aproximar”, disse Solá a jornalistas brasileiros em Buenos Aires.

Solá compreende que essa aproximação terá um custo dentro do próprio país, por causa da má repercussão das declarações polêmicas de Bolsonaro: “não nos importa, pagamos o preço que for. A questão é o fosso com o Brasil não se aprofundar”, declarou.

As informações são da Folha de São Paulo.

Diminuição das tensões

O encontro deve ter um tom mais político do que econômico, procurando diminuir as tensões criados. Segundo matéria da Folha, “os argentinos esperam ser compreendidos e pretendem fazer ‘um grande esforço’ para entender a situação do Brasil. É o que explica uma fonte do governo argentino, afirmando que, para o encontro com Araújo, Solá quer abordar a necessidade de que os países tenham cuidado com as declarações públicas sobre a política interna do outro, apesar das divergências ideológicas, para que não haja mal-entendidos que possam gerar impacto negativo nas economias. A intenção é a ‘reconstrução da relação'”.

Bolsonaro não seguiu regras básicas de diplomacia ao apoiar abertamente a eleição de um dos lados – no caso, de Maurício Macri. Ele fez o mesmo com as eleições norte-americanas, apoiando declaradamente Donald Trump.

Acontece que, pela lógica diplomática, um país não declara apoio a nenhum lado durante um pleito, porque esse lado pode sair perdedor e o país terá que lidar com o lado vencedor, eleito democraticamente.

O presidente brasileiro ficou irritado, à época, com declarações feitas pelo então candidato Fernádez em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em discurso a representantes do Parlamento do Mercosul (Parlasul), na segunda-feira (10), o chanceler argentino disse que existe, sim, a possibilidade de um encontro entre ele e Bolsonaro: “todos temos ideologias. O que nunca tem que ser feito é tirar a mochila das costas e colocá-la para frente. Porque se eu a ponho para frente, ele também põe a sua e no meio do nosso diálogo ficam duas mochilas ideológicas. Nunca a ideologia tem que ser um obstáculo para o diálogo”.

Acordo com a União Europeia

O acerto entre os dois país tem um objetivo econômico claro: o Mercosul e, mais além, o acordo com a União Europeia. A Argentina teme o impacto que o tratado de livre comércio do Mercosul com os europeus possa ter em sua indústria, enquanto o Brasil pressiona pela abertura da economia do país vizinho.

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A matéria da Folha lembra que “o chanceler argentino também quer falar com Araújo sobre como o Brasil poderia ajudar a seu país em relação ao Fundo Monetário Internacional – assunto que também quer tratar com o Paraguai e o Uruguai. O governo de Fernández negocia uma reestruturação do pagamento da dívida de US$ 44 bilhões contraída com o organismo durante o governo de Macri. Hoje, uma equipe técnica do FMI chegará a Buenos Aires para reuniões com autoridades. Entre os possíveis assuntos para negociar com o Brasil, Solá mencionou uma associação entre produtores de energia do sul, pensando no gás de xisto da Argentina e o offshore brasileiro, acordos tecnológicos, como para o uso de 5G, uma estratégia conjunta em relação à China e políticas de fronteiras”.

As relações diplomáticas com os países da América do Sul, em especial a Venezuela e a Bolívia, também são assuntos a ser discutidos.


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