COE (Certificados de Operações Estruturadas): Mitos e Verdades

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Os Certificados e Operações Estruturadas (COEs) são “veículos que dão acesso a diferentes ativos tanto no Brasil quanto no exterior.”

A afirmação é da responsável pela distribuição de COEs da XP Investimento, Maitê Kattar, para quem o ativo é um pacote de derivativos ligado a renda fixa e renda variável.

“Se o investidor aloca em um COE ligado a ouro, não significa que ele esteja comprado a ouro, mas, a um derivativo ligado a ouro e, do outro lado, a um derivativo de renda fixa”, disse.

E acrescentou: “o COE é um pacotinho onde dentro dele há estrutura de renda fixa, mais os derivativos que são as opções.”

Para Maitê, trata-se de um excelente ativo para quem deseja diversificar a carteira. “Você usa o juros do período para comprar o derivativo”, frisou.

Conforme a especialista, alguns COEs têm liquidez. “Aqui no Brasil, a XP dá, sim, alguma liquidez no mercado secundário depois de três meses da data de emissão”, explicou.

Quem investe em renda fixa fica dependente da taxa de juros. “O COE não depende somente do preço-objeto, mas da volatilidade, taxa de vencimento, juros e também do objeto”, disse.

Ela conversou com Roberto Varaschin e Elias Wiggers, sócios da EQI Investimentos. O bate papo pode ser assistido abaixo:

Vantagem

De acordo com Maitê, a grande vantagem do COE é a flexibilidade que apresenta, visto que o investidor pode ganhar tanto no cenário positivo quanto no negativo.

“No caso do Map Trands, é um índice que pode alocar em 21 ETFs que englobam as principais classes de ativos do mundo”, disse.

O Multimercado MAP Trend é um índice global, de rentabilidade futura para alocações nos mercados internacionais.

Significa dizer que o investidor pode acessar ativos internacionais sem, contudo, abrir conta lá fora, mas, apenas adquirindo COEs mais sofisticados.

“O COE tem que ser visto como um fundo. Você não entra em um fundo para ficar dois meses, você entra para ficar muito mais tempo”, reforçou.

Novo e sofisticado

De acordo com Maitê, o COE é um produto novo no Brasil e mais sofisticado. O “veículo”, como diz a especialista, foi regularizado no país em meados de 2014.

Ela explica que o Brasil representa menos que 3% do PIB mundial. “O norte-americano moderado aloca de 15% a 20% de seus recursos investidos fora do EUA”, disse.

A afirmação é referente a uma diversificação de carteira por meio do COE, acessando ativos internacionais como forma de proteção de carteira.

Conforme Maitê, por meio do COE se acessa o S&P, que é um índice composto por quinhentos ativos cotados nas bolsas de NYSE ou NASDAQ.

De igual modo, o COE também dá acesso ao EWZ, que é um fundo de índice que tem como objetivo refletir as variações dos preços das ações mais negociadas na bolsa brasileira.

O EWZ é o maior ETF brasileiro negociado lá fora e sua carteira se aproxima muito da composição do Ibovespa.

Já o ETF (Exchange-Traded Fund) é um fundo de investimento negociado na Bolsa de Valores como se fosse uma ação.

Um ETF também pode ser chamado de fundo de índice. A maioria dos ETFs acompanha um índice, como um índice de ações ou índice de títulos.

Bank of America Merrill Lynch

Por quase uma década Maitê morou nos EUA, onde trabalhou também no Bank of America Merrill Lynch, exclusivamente com Operações Estruturadas, como é chamado o COE por lá.

Ao regressar ao Brasil ainda pelo banco norte-americano, foi convidada pela XP Investimentos a assumir esse departamento dentro da gestora, em 2016.

“Operações Estruturadas nos EUA existem desde os anos 1990 e os investidores usam para diversificar a carteira”, disse.

A XP foi a primeira companhia brasileira a distribuir COE ligado a ativos internacionais.