Crise do Covid-19: Cepal estima queda de 5,3% no PIB da América Latina

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Divulgação / CEPAL

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), lançou nesta terça-feira (21) um comunicado com novas projeções econômicas para os países da região.

A Comissão estima que o recuo em 2020 do PIB da América Latina será de 5,3%, por causa da pandemia do novo coronavírus.

Alicia Bárcena (foto), secretária-executiva da Cepal, diz que a região sofrerá por meio de fatores externos e internos. O efeito conjunto levará à pior contração desde 1914 e 1930.

Esse é o segundo relatório da Cepal projetando cenários para a América Latina e Caribe. O anterior, de 3 de abril, também não era muito otimista.

Hoje, os países dessa área apresentam cerca de 110 mil casos confirmados e mais de 5 mil mortos, a maioria no Brasil.

A pior crise da história

Segundo o relatório, desde antes da pandemia, a América Latina e o Caribe já acumulavam sete anos de baixo crescimento, com uma média de 0,4% entre 2014 e 2019.

“A crise que a região está sofrendo neste ano de 2020, com uma queda do PIB de -5,3%, será a pior em toda a sua história. Para encontrar uma contração de magnitude comparável, é necessário retroceder à Grande Depressão de 1930 (-5%) ou mais ainda, até 1914 (-4,9%)”, ressalta a Cepal.

O crise econômica que o novo coronavírus causou vem da redução do comércio internacional, queda nos preços dos produtos primários, agravamento das condições financeiras mundiais, menor demanda de serviços turísticos e redução das remessas.

“Os efeitos da Covid-19 gerarão a maior recessão que a região sofreu desde 1914 e 1930. Espera-se um forte aumento do desemprego com efeitos negativos na pobreza e na desigualdade”, declarou Bárcena.

A secretária-executiva da Cepal acrescentou: “Os países da região anunciaram medidas importantes, que devem ser reforçadas mediante a ampliação do espaço fiscal. É urgente ter acesso aos recursos financeiros com base em um apoio flexível dos organismos financeiros multilaterais, acompanhado por linhas de crédito de baixo custo, alívio do serviço da dívida e de eventuais cancelamentos dessas dívidas”.

“Além disso, é necessário repensar o modelo de inserção da região e as alternativas de reativação à luz das mudanças estruturais que ocorrerão na globalização e no mundo pós-Covid-19”, completou.

CEPAL projeta retrações em casa região

A queda da atividade comercial da China acarretará, segundo a Cepal, queda em toda a América do Sul de 5,2%.

Já a América Central teria uma queda menos acentuada, de -2,3%, basicamente pelo impacto da falta de turistas na região.

O mesmo ocorre no Caribe, bastante afetado pela total falta de demanda de serviços turísticos. A CEPAL projeta uma queda de 2,5% no Caribe.

Essa retração causará um forte empobrecimento e aumento da desigualdade.

Pobreza

As projeções antecipam também uma importante deterioração nos indicadores do trabalho em 2020.

Segundo o relatório, “a taxa de desemprego ficaria em torno de 11,5%, um aumento de 3,4 pontos percentuais com relação ao nível de 2019 (8,1%). Dessa forma, o número de desempregados na região chegaria a 37,7 milhões”.

“A elevada participação das pequenas e médias empresas (PMEs) na criação do emprego (mais de 50% do emprego formal) aumenta os impactos negativos, pois esse setor foi duramente afetado pela crise, enquanto a desigualdade de gênero será acentuada com medidas como o fechamento das escolas, o isolamento social e o aumento de pessoas doentes, pois aumentará a sobrecarga de trabalho não- remunerado das mulheres”, segue.

A Cepal calcula que taxa de pobreza na região aumentaria em 4,4 pontos percentuais durante 2020, passando de 30,3% para 34,7%, o que significa um aumento de 29 milhões de pessoas em situação de pobreza.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

A extrema pobreza também cresceria, mas 2,5 pontos percentuais, passando de 11,0% para 13,5%, o que representa um aumento de 16 milhões de pessoas.

Apoio do G20

“Os líderes do G-20 devem apoiar as organizações multilaterais a emprestarem a taxas de juros favoráveis e aliviar a dívida dos países altamente endividados adiando ou cancelando. Caso contrário, os pagamentos serão impossíveis e o espaço fiscal será comprometido. São necessárias medidas excepcionais para enfrentar uma crise sem precedentes. Não haverá progresso sem cooperação e solidariedade internacionais”, disse Bárcena.

O G20 já havia chegado a essa mesma conclusão em recente reunião via videoconferência.

Mundo pós-Covid-19

A CEPAL acrescenta que “a globalização não será revertida, mas haverá uma economia mundial mais regionalizada em torno de três polos: Europa, América do Norte e Leste da Ásia”.

“É necessário preparar-se para o mundo pós-Covid-19. Devemos pensar no futuro da região na nova geografia econômica, devido à elevada dependência de manufaturas importadas. São necessárias políticas industriais que permitam à região fortalecer suas capacidades produtivas e gerar novas capacidades em setores estratégicos”, ressaltou a secretária-executiva da CEPAL.

“Para influenciar a nova economia mundial, a região deve avançar rumo à uma maior integração regional, no aspecto produtivo, comercial e tecnológico. A coordenação de nossos países em questões macroeconômicas e produtivas é crucial para negociar as condições da nova normalidade, particularmente em uma dimensão urgente na crise atual e no médio prazo: a do financiamento para um novo estilo de desenvolvimento com igualdade e sustentabilidade ambiental”, concluiu.

LEIA MAIS
Cadeias de suprimentos devem mudar da China pós-pandemia, diz Mobius

Nível de emprego no Reino Unido desacelera