Centauro (CNTO3) fecha negócio de R$ 900 mi com a Nike; ações sobem 14,6%

Joana Kurtz
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

A Centauro (CNTO3), representada pelo Grupo SBF, firmou uma parceria com a Nike, em um negócio de R$ 900 milhões. As ações da empresa encerram o pregão desta quinta-feira (6) com valorização de 14,6%.

A parceria prevê que a Centauro será distribuidora exclusiva dos produtos da Nike no Brasil, bem como a operadora direta exclusiva do canal de venda eletrônico da Nike, por um período inicial de dez anos.

Prevê ainda que a Centauro será a varejista exclusiva de lojas físicas Nike, responsabilizando-se pela comercialização de produtos ao consumidor final através de lojas que vendem apenas a marca Nike.

A Centauro poderá abrir e operar lojas Nike no território brasileiro, pelo período inicial cinco anos.

O que você verá neste artigo:

Investimento

No negócio, ficou acertado que a SBF Comércio deve comprar todas as cotas do capital social da Nike do Brasil, a fim de adquirir o capital de giro (incluindo estoque) e determinados ativos fiscais, pelo valor estimado de aproximadamente R$ 900 milhões.

A cifra está sujeita a ajuste considerando o valor de tais ativos na data de fechamento da operação.

Enquanto sociedade subsidiária indireta da Nike, a Nike do Brasil é responsável pelo comércio atacadista de produtos Nike no Brasil, com receita operacional líquida de aproximadamente R$ 2 bilhões no exercício social encerrado em 31 de maio de 2019.

A SBF Comércio financiará parte do valor a ser desembolsado na operação e contratou o Banco Santander, o Banco Itaú BBA e o Banco Bradesco BBI para auxiliá-la na estruturação e implementação do financiamento.

A compra das cotas está sujeita ao cumprimento de certas condições usuais em transações desta natureza, incluindo a obtenção de autorização por parte do órgão antitruste Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Tá, e aí?

Em relatório a clientes, o Bradesco BBI avaliou que a negociação é positiva e estratégica para a Centauro, pois fortalece o relacionamento com uma marca que é líder na categoria Sportswear. Segundo o relatório assinado por Richard Cathcart, a Nike responde por cerca de 21% do mercado de R$ 25 bilhões de roupas esportivas no Brasil.

O Bradesco estima ainda que a Centauro represente 15% das vendas da marca no Brasil. “A parceria deve ajudar a aumentar as vendas da marca Nike no Brasil, com a Centauro assumindo a operação do site da marca e introduzindo recursos omni-channel no site e nas lojas”, destacou o analista no relatório.

Resultados

Em relação ao impacto sobre os resultados, o Bradesco avalia que ainda é muito cedo para ter uma visão detalhada. De acordo com Cathcart, a operação no Brasil da Nike tem muito menos escala que as operações globais da Nike e uma taxa de royalties e marketing será paga à Nike.

“Portanto, esperamos que a operação tenha uma margem significativamente menor que a margem Ebitda da Nike, de aproximadamente 15%. Mas mesmo uma margem de baixo a médio dígito em R$ 2 bilhões em receita é um número considerável”, ressalta.

Para o Bradesco, ao assumir que a operação gere uma margem de cerca de 5%, por exemplo, a contribuição do Ebitda seria de R $ 100 milhões. “Se assumirmos que o Centauro alcança essa margem dentro de três anos, isso adicionaria cerca de 16% às estimativa projetadas para 2022”, reforçou.

A margem necessária para a operação ser positiva, assumindo um custo de 6% sobre os R$ 900 milhões de dívida que serão assumidos, seria de cerca de 3%. “Vale destacar que o Centauro não forneceu orientações sobre a lucratividade do negócio – usamos esses números apenas para fins ilustrativos”, afirma.

Concorrência

Para o Bradesco, a parceria anunciada não deve ter impacto significativo nas ações da Magazine Luiza (MGLU3), dona do site Netshoes (segundo lugar no mercado de roupas esportivas no Brasil).

O relatório destaca que a Centauro deverá operar a Nike Distribution separadamente de sua operação de varejo, com sua própria equipe de administração e CNPJ.

“Entendemos que a Nike não deseja reduzir seus canais de distribuição no Brasil, por isso a Netshoes continuará sendo um importante parceiro para a marca. Dito isso, esperamos que o Centauro mantenha as políticas de segmentação da Nike, o que significa que determinados produtos não estarão disponíveis para a Netshoes (como atualmente é o caso).”

(Com Rodrigo de Oliveira)