CCEE: consumo de energia no país retoma níveis anteriores à pandemia

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Expansaors.

Sinal positivo para a economia, o consumo de energia no Brasil já retomou os níveis anteriores à pandemia em agosto último, apontam dados apresentados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Apesar de apresentar um recuo de consumo de energia de 0,3% em agosto – se comparado a igual mês de 2019 –,  a performance do país ainda é melhor do que a apresentada, inclusive, por países europeus, que registraram retrações entre 1% a 3% em igual período.

Medidas rigorosas

A diferença de recuo do consumo está associada, prossegue o informe da entidade, à adoção de medidas ainda mais rigorosas de quarentena (lockdowns),

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

Na avaliação da CCEE, o melhor desempenho do país, no comparativo, se deve “ao gradual relaxamento de medidas de isolamento decretadas por prefeituras e governos para conter a disseminação da doença”.

Duramente atingida pela crise viral, a Itália apresentava consumo de eletricidade 5% inferior ao de agosto de 20 19.

Na Espanha e no Reino Unido, por sua vez, o recuo chegou a 2%, pior resultado do que na França, onde a queda atingiu 1%.

Sinais de retomada

Retomada. Esses são os sinais observados pelo presidente do conselho da CCEE, Rui Aliteri, ao comentar os dados de consumo de energia disponíveis “não descontam outros fatores que podem afetar a demanda, como é o caso da temperatura”.

De qualquer forma, Altieri entende que o país tem dado “demonstrações claras de retomada”.

“Desde o mês de julho, temos recebido indicações de normalização, sobretudo nos setores de serviços, transportes e comércio, todos com retração, agora com perspectivas de recuperação.

Igualdade de desempenho

A igualdade de desempenho, em relação a agosto passado, só deverá ser atingida em outubro.

“Nossa expectativa é que a partir de setembro, outubro, todos setores fiquem no mesmo patamar ou acima do ano passado”, acrescentou.

O fosso do consumo nacional foi atingido em abril deste ano, quando este ‘desabou’ 12%, refletindo o auge da pandemia. A partir de julho, começou a haver recuperação gradual da demanda.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) – responsável pelo gerenciamento do acionamento de usinas de geração e o uso de linhas de transmissão para atendimento à demanda – projetou um avanço de 0,5% do consumo de energia.

Problemas de liquidez

Por conta da elevação da inadimplência, devido à crise sanitrária, as distribuidoras de energia nacionais tiveram que pedir auxílio ao governo este ano, sob alegação de enfrentarem problemas de liquidez, o que poderia elevar o risco de descumprimento de compromissos no mercado.

Pensando nisso, os ministérios das Minas e Energia e Economia contraíram um empréstimo no valor de R$ 15 bilhões, junto a um grupo de bancos liderados pelo BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Com quitação em cinco anos, a transação permite repasse de custos de amortização às tarifas dos consumidores.

Atento aos aumentos inesperados nas contas de luz, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, o governo publicou, este mês, medida provisória com o objetivo de ‘frear’ os impactos tarifários nas contas de luz ao consumidor final.

Entre as alternativas do governo, a MP 998 autoriza o uso de recursos de fundos setoriais de pesquisa e eficiência energética para ‘aliviar tarifas.