CBA: conheça a empresa da Votorantim que estreia hoje na bolsa

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Divulgação

A CBA, Companhia Brasileira de Alumínio, controlada pela Votorantim, está na lista de IPOs (Ofertas Públicas Iniciais) deste ano.

A estreia acontece na quinta-feira (15) e levantou R$ 1,6 bilhão, com ação precificada a R$ 11,20.

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A empresa afirma que é a única companhia integrada de alumínio do Brasil, atuando desde a mineração da bauxita até a produção de um portfólio completo de produtos primários (lingotes, tarugos, bobinas casters e placas) e transformados (folhas, chapas, bobinas, telhas, perfis extrudados) de alumínio.

Vamos conhecer melhor esta empresa?

A história da CBA

A CBA foi fundada em 1941, sob liderança de Antônio Ermínio de Moraes, um dos quatro filhos da família fundadora do grupo. Nasceu com o plano inicial de explorar as jazidas de bauxita da unidade de Poços de Caldas (MG) para beneficiamento em uma fábrica localizada na fazenda Rodovalho, em Mairinque (SP).

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CBA 1941

Depois, em 1955, foi inaugurada a unidade industrial na cidade de Alumínio (SP), tornando-se o primeiro parque industrial integrado de alumínio do Brasil, segundo a ABAL.

Foi uma das pioneiras na produção de alumínio primário no Brasil de forma integrada, atuando em toda a cadeia. Desde a mineração de bauxita até a produção de produtos primários e transformados, passando também pela geração de energia elétrica.

Após a inauguração da unidade de Alumínio, a empresa iniciou um ciclo de investimentos em ativos de energia próprios. E também na modernização e expansão da capacidade dos ativos fabris, que os levaram a ocupar a posição de liderança na produção de alumínio primário no mercado brasileiro já em 1973, segundo dados da ABAL de participação de mercado.

A CBA possui uma estratégia focada nos segmentos de produtos de alto valor agregado. E é referência internacional, segundo a CRU, na produção de alumínio de baixo carbono e baixo custo de produção.

“Estamos posicionados no 1° quartil da curva global de custo de negócio da indústria do alumínio, segundo a CRU, por meio de um modelo de negócios totalmente integrado na cadeia de valor”.

A autossuficiência em bauxita e alumina e a capacidade para suprir praticamente a totalidade do consumo de energia elétrica por meio de um portfólio proprietário de ativos de geração de energia renovável garantem alta competitividade em custos e flexibilidade no mix de produtos ofertados para se ajustar a diferentes dinâmicas de mercado.

A cadeia de valor da empresa

O início da cadeia integrada da CBA se dá pela mineração de bauxita.

A empresa possui hoje três unidades para essa etapa, localizadas em Barro Alto (GO), Zona da Mata (MG) e Poços de Caldas (MG), garantindo a autossuficiência no suprimento do minério para a produção do alumínio por um período acima de 20 anos, segundo relatório da consultoria SRK.

A bauxita é então transportada por ferrovia até a unidade industrial localizada em Alumínio (SP), planta totalmente integrada desde o processamento da bauxita até a fabricação de produtos primários e transformados no mesmo local, que além de próxima da mineração, está estrategicamente posicionada para atender à região Sudeste do Brasil, principal polo consumidor de alumínio do país e cujas vendas representaram 83% da receita do segmento de alumínio da Companhia em 2020.

A empresa tem também duas outras plantas industriais complementares:

  • Metalex (Araçariguama-SP): planta de reciclagem de alumínio para produção de tarugos;
  • Itapissuma (Itapissuma-PE): produção de folhas e chapas de alumínio.

CBA cadeia

Outro fator chave na competitividade de custos para a produção de alumínio é a capacidade da CBA para atender praticamente a totalidade da sua demanda por energia elétrica, garantida por meio de 21 usinas hidrelétricas localizadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, totalizando 1,4 GW de capacidade instalada 100% renovável.

A empresa tem ainda um parque eólico em construção no Nordeste, com capacidade de 150MW. Além de projetos em análise que, se executados, poderiam gerar até 520MW adicionais.

“Os elementos acima nos posicionam como o único player do Brasil com integração vertical, e extremamente competitivo em custos, alocado no 1° quartil da curva global de custo de negócio da indústria do alumínio”, afirma a empresa.

Dentre os principais mercados atendidos pela CBA estão: construção civil, embalagens, transportes, bens de consumo, fios e cabos e automóveis.

Principais ativos e aquisições

O processo de produção integrado de alumínio exige uma combinação de ativos de mineração, industriais e de geração de energia.

Os pontos no mapa abaixo indicam a existência de um ou mais dos ativos segundo a legenda de cor. A CBA também possui participação acionária de 10% na MRN (maior produtora de bauxita das Américas com capacidade de produção de 12 milhões de toneladas por ano) e de 3% na Alunorte (maior produtora de alumina do mundo com capacidade de produção de 6 milhões de toneladas por ano). Com isso, a empresa tem direito a um percentual de produção equivalente à sua participação acionária nessas empresas.

CBA dados

A fábrica de Alumínio (SP) é o principal ativo industrial da CBA. A unidade se beneficia da integração, operando no mesmo site desde a refinaria de alumina até a fabricação de produtos transformados de alumínio, minimizando custos logísticos e excluindo a necessidade de refusão do alumínio.

As capacidades produtivas anuais das diversas etapas da produção da fábrica de Alumínio (SP) estão descritas abaixo:

  • 800 mil toneladas de refino de alumina,
  • 430 mil toneladas de alumínio primário,
  • 515 mil toneladas de fundição,
  • 115 mil toneladas por ano de folhas e chapas,
  • 55 mil toneladas de extrudados,
  • 170 mil toneladas por ano de reciclagem.

Essa unidade foi responsável por 83% das vendas de alumínio da CBA em 2020.

Além do histórico de crescimento orgânico, a CBA também avaliou oportunidades de aquisição estratégicas ao longo de toda a cadeia de alumínio.

Assim, a empresa realizou a aquisição da Metalex, unidade industrial de reciclagem de alumínio em Araçariguama em 2010.

E, mais recentemente, a aquisição da planta de laminados da Arconic em Itapissuma em 2020.

Pontos fortes da CBA

A empresa acredita possuir uma tese de investimento sólida, pautada em:

  • Uma dinâmica favorável do mercado de alumínio;
  • Uma operação verticalizada, com 100% de capacidade de geração de energia renovável;
  • Liderança global em custos;
  • Liderança no mercado brasileiro de alumínio;
  • Orientação estratégica voltada para ESG, com posição de destaque na produção de alumínio de baixo carbono;
  • Um time de gestão experiente na indústria do alumínio e também em metalurgia e mineração.

Dados econômico-financeiros

A CBA reverteu o lucro líquido de R$ 54 milhões em 2018 para um prejuízo líquido de R$ 34 milhões em 2019. Em 2020 o prejuízo saltou para R$ 879 milhões.

A companhia somou Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 661,8 milhões em 2020. Ou seja, valor menor do que os R$ 988 milhões de 2019 e os R$ 978 milhões de 2018.

A margem Ebitda ajustada passou de 18,1% (2018) para 18,8% (2019) e 12,2% (2020).

A receita líquida da empresa variou de R$ 5,41 bilhões em 2018 para R$ 5,26 bilhões em 2019 e R$ 5,41 bilhões em 2020.

Detalhes do IPO

O pedido de IPO da CBA foi protocolado na CVM em maio de 2021.

A empresa fará uma oferta primária de ações.

Os recursos serão usados para tirar do papel vários projetos da CBA, principalmente na geração de energias renováveis. Hoje, com geração hidráulica, a empresa tem 100% de geração própria, mas muitas concessões têm vencimento dos contratos próximos.

A empresa pretende focar também em comprar outras companhias, por meio de fusões e aquisições (M&A).

A oferta é liderada pelo Bank of America (BofA). As demais instituições são XP, BTG Pactual, Citi e Banco do Brasil.

A estratégia da CBA

A companhia tem como principais pilares de sua estratégia:

  • Expandir a produção por meio do modelo de negócios integrado, com foco em alumínio de baixo carbono e baixo custo;
  • Prover soluções sustentáveis e de valor agregado, atendendo à demanda crescente do mercado e às expectativas dos clientes;
  • Ser referência em ESG, com impacto positivo nas comunidades onde atua;
  • Gerar valor aos acionistas e stakeholders, com disciplina na alocação de recursos e capital.

Investimentos em andamento

  • Atualização das salas de fornos: investimento esperado de R$ 581 milhões entre 2021 e 2025. O projeto de atualização da tecnologia da salas fornos, em execução, objetiva aprimorar o processo de alimentação dos fornos através da automatização e fechamento das cubas, que resulta em redução das emissões do processo, menor consumo de água, aumento da eficiência energética e melhor segurança operacional.
  • Disposição a seco de resíduos: investimento esperado de R$ 307 milhões entre 2021 e 2025. A disposição a seco de resíduos através da utilização de filtros prensa, em execução, visa ao aumento da vida útil e da segurança da barragem de Palmital como resultado da conversão da operação atual para a disposição de resíduos a seco.
  • Aumento da reciclagem: a sucata é uma fonte adicional de matéria-prima na cadeia de valor, permitindo o aumento da produção de alumínio e diluição dos custos fixos do processo, uma vez que a estrutura existente é otimizada. Atualmente existem dois projetos, em execução, que visam aumentar o volume de metal reciclado. Os projetos possuem necessidade de R$150 milhões em investimentos entre 2021 e 2023.
  • Aumento da produção de alumínio: investimento esperado de R$ 795 milhões entre 2021 e 2025. O projeto para aumento da produção de alumínio consiste na repartida de duas salas fornos existentes, que já operaram no passado, e um investimento na refinaria, que aumentará a sua capacidade e eficiência de produção.
  • Energia Renovável: investimento esperado de R$ 190 milhões entre 2023 e 2026. O projeto tem por objetivo manter a competitividade em custos, através de fontes renováveis que garantem a produção de alumínio de baixo carbono.

A empresa calcula que empregará R$ 2 bilhões entre 2023 e 2025. O objetivo é montar uma unidade de produção de 4,5 milhões de toneladas de bauxita por ano no Pará.

Fatores de risco da CBA

  • A exploração de atividades de mineração possui riscos e, consequentemente, não possui garantia de sucesso;
  • A empresa enfrenta riscos relacionados a licenças e alvarás para a operação de suas nossas atividades;
  • O rompimento de uma barragem de rejeitos ou estrutura similar ou o desmoronamento de uma pilha de minérios pode causar danos severos, e o descomissionamento das barragens de rejeitos pode ser longo e dispendioso;
  • As estimativas de recursos e reservas minerais podem ser imprecisas e diferir das quantidades de minerais que podemos realmente recuperar;
  • Os resultados operacionais poderão ser impactados por alterações na legislação tributária brasileira, por resultados desfavoráveis de contingências tributárias ou pela modificação, suspensão ou cancelamento de benefícios fiscais/regimes especiais.

Por Felipe Alves e Claúdia Zucare