Castello Branco, ex-petrobras (PETR4), não tem apoio para conselho da Vale (VALE3)

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O ex-presidente da Petrobras (PETR4 PETR3), Roberto Castello Branco, que foi retirado do comando da estatal pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não encontrou respaldo das agências internacionais de recomendação de voto para a eleição como conselheiro da Vale (VALE3), conforme reportagem da Exame.

Ambas empresas possuem maior representatividade no Ibovespa, somando aproximadamente 20% na composição do índice. A mineradora está avaliada atualmente em R$ 500 bilhões e a petroleira, em cerca de R$ 300 bilhões.

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Tanto ISS quanto Glass Lewis não são favoráveis à indicação de Castello Branco, uma vez que o executivo foi transformado pelo mercado em uma espécie de mártir da independência política.

Isso porque manteve a paridade dos preços de combustíveis no País com os valores internacionais, em momento delicado, com ameaça de nova greve pelos caminhoneiros — o que despertou o temor de uma reprise de 2018 no Planalto.

Além disso, Castello Branco foi executivo da Vale por 15 anos, entre 1999 e 2014. Período em que ocupou diversas posições na mineradora.

Disputa ao conselho da Vale

Castello Branco faz parte de um grupo com quatro nomes que concorrem ao conselho da Vale, formalmente indicados por investidores nacionais como Lirio Parisotto e Victor Adler, mais diversos fundos como Tempo Capital, Poland, Alaska, Argucia e RPS. Trata-se de uma espécie de dissidentes, como classicou o ISS. Eles alegaram que a Vale precisa de uma maior independência no conselho.

Os outros indicados são Marcelo Gasparino, advogado catarinense que conquistou espaço junto a investidores locais e internacionais e a quem muitos atribuem a articulação desse movimento dissidente, Mauro Rodrigues da Cunha, que construiu sua carreira pautada pela militância em prol do avanço das boas práticas de governança corporativa, e ainda Rachel Maia, ex-presidente da Lacoste e da Tiffany no Brasil e que tornou-se bastante requisitada para conselhos de companhias abertas.

Com eles, a mineradora tem 16 candidatos para 12 vagas. Nenhum desses investidores que fizeram a recomendação aparece na lista de maiores acionistas da Vale. As agências de recomendação costumam ser decisivas nas eleições. Em alguns casos, ainda são determinantes. Participam de uma longa cadeia de serviços de votos para investidores estrangeiros.

A Vale possui vários investidores internacionais de peso. A Capital Research, sozinha, tem quase 18% do capital da mineradora. Ou seja, equivale a praticamente todo grupo de ex-controladores, com Previ, Bradespar, Mitsui, que somam 21% da empresa.

O resultado final do encontro vai depender do quão independente as gestoras internacionais conseguirão ser em relação às agências de voto, e da presença dos investidores nacionais.

Além de Castello

Exceto pela recomendação de abstenção (quase um voto contrário) ao nome de Castello Branco, que é idêntica, ISS e Glass Lewis divergem sobre o restante do grupo dos quatro. ISS só recomenda Rachel Maia, pela diversidade de gênero e racial que representa.

Já Glass Lewis indica apenas Gasparino e Rodrigues da Cunha. Portanto, significa dizer que ISS sugere 11 nomes entre os apontados pela Vale e Glass Lewis, dez.

O grupo de quatro candidatos dissidentes da Vale têm feito um esforço de divulgação e encontro com investidores da mineradora, uma espécie de road show para eleição. Apesar disso, as agências de voto não zeram as sugestões tratando-os como um coletivo.

Petrobras novo CEO

Joaquim Luna e Silva, novo presidente da Petrobras (PETR3, PETR4), tomou posse nesta segunda-feira (19) com uma promessa.

Segundo o executivo, a principal prioridade será reduzir a volatilidade dos preços dos combustíveis, “sem desrespeitar a paridade internacional e conciliar os interesses de consumidores e acionistas”.

A agenda também inclui a redução da dívida da estatal e um maior investimento em pesquisa e desenvolvimento dentro da Petrobras.

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