Caso Queiroz: juiz quebra sigilo de pessoas ligadas à família Bolsonaro

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Folhapress

Na manhã desta quarta-feira (18), o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) realizou operação de buscas e apreensões em endereços de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, e Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

Segundo informa a revista Veja em seu site, “no mandado de busca e apreensão, expedido em 17 de dezembro, o juiz Flávio Itabaiana de Olveira Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio, autorizou o Ministério Público a ter ‘acesso a extração de qualquer conteúdo armazenado nos materiais apreendidos, inclusive registros de diálogos telefônicos ou telemáticos, como mensagens SMS ou de aplicativos WhatsApp'”.

A ação ocorre mais de um ano após o caso vir a público e tem como foco identificar mensagens e registros de diálogos telefônicos dos suspeitos.

Queiroz e a “rachadinha”

O nome e a prática parecem ser usuais entre ocupantes do legislativo nacional. Há até uma proposta de oficializar a “rachadinha”, em discussão no Congresso. A ideia é taxar em 3% os salários de todos os políticos do país e de seus respectivos assessores. O responsável é o deputado Luis Tibé (Avante-MG), líder da bancada e presidente nacional do partido: “eles (os líderes) até gostaram muito da ideia, até porque atenderia ao pleito de não tirar nada de outros investimentos públicos. Os envolvidos no pleito bancariam isso. E seria um valor irrisório”, disse em novembro último.

Com acesso a o material liberado pelo juiz, o MP-RJ poderá analisar todas as mensagens trocadas por ex-assessores de Flávio Bolsonaro nos últimos anos. Segundo a Veja, “a expectativa é que essas provas ajudem a elucidar as suspeitas envolvendo um esquema de ‘rachadinha’ no gabinete do filho mais velho do presidente à época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro. O Ministério Público desconfia que o senador recebia parte dos salários de seus ex-funcionários”.

Em fevereiro, reportagem de VEJA mostrou que os personagens que poderiam inocentar (ou não) Flávio Bolsonaro tinham um ponto em comum: todos desapareceram. A única que foi localizada, quando questionada sobre movimentações financeiras suspeitas na conta de Queiroz, disse que não falava sobre o assunto — e se trancou em casa.

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Operação

O senador Flávio Bolsonaro foi alvo de buscas e apreensão da operação realizada pelo Ministério Público. O endereço visitado pelo MP foi a loja da franquia Kopenhagen do qual ele sócio, no Via Parque Shopping.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de ex-assessores de Flávio tanto na capital como em Resende, no Sul do Estado do Rio.

As medidas cautelares foram pedidas na investigação sobre lavagem de dinheiro e peculato (desvio de dinheiro público) no âmbito do antigo gabinete do senador quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio. São alvo das medidas cautelares os endereços de Fabrício Queiroz, ex-chefe da segurança de Flávio, seus familiares e ainda parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

Ao todo 96 pessoas foram alvos e são investigadas.