Cashback: o que é e quais empresas se beneficiam?

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.
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Crédito: Freepik

Hoje em dia, não é difícil ver empresas oferecendo cashback como vantagem em suas compras. Mas afinal, o que significa isso e que empresas são beneficiadas com esse valor de retorno?

O movimento não é assim tão novo. Ele foi criado em 1986, quando uma rede americana de lojas de departamentos resolveu oferecer cartão de crédito.

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Eles estavam com dificuldades na captação de clientes, e viram no cashback (dinheiro de volta, em português), uma maneira de fazer o cliente comprar e querer voltar para usar o bônus que a compra anterior gerou.

EUA aderem ao esquema

A ideia deu tão certo que no início dos anos 2000, o cashback já era quase uma regra nos EUA. Estima-se que atualmente cerca de 80% dos usuários de cartão de crédito por lá eventualmente usufruam do mecanismo.

30 anos depois

No Brasil, o cashback parece ter virado moda apenas 30 anos depois, quando os bancos digitais passaram a promover esse tipo de ferramenta.

A tática serviu para atrair mais clientes dos bancos tradicionais, além dos que fugiam das anuidades e taxas.

De acordo com um levantamento feito pelo Sebrae, o Brasil já contava com mais de 6,4 milhões de estabelecimentos com programas de cashback em 2018.

De lá para cá, esse número cresceu ainda mais e passou a abranger marcas conhecidas dos consumidores.

De onde vem esse dinheiro

O dinheiro que é trabalhado no movimento do cashback vem de dentro da estrutura da indústria do cartão de crédito.

Ela é composta pelo banco que emite o cartão (ou a loja), as maquininhas (Cielo, Stone, PagSeguro) e as bandeiras (Mastercard, Visa, Elo).

As bandeiras são as criadoras do sistema de castas dos cartões: gold, platinum, black, signature, infinite, nanquim. E são responsáveis por dizer quanto o banco vai ganhar cada vez que o cartão é utilizado – uma taxa chamada de “intercâmbio”.

Esse valor vai de 1% a 2,1%, dependendo do tipo de casta de cartão que você utiliza.

Por exemplo, Nubank e Inter (BIDI11) ganham 2,1%, de acordo com a Mastercard. Ou, seja, em cada compra com ele, 1,1% fica no banco e 1% com o cliente.

O direito a milhas de acordo com o uso do cartão de crédito segue a mesma regra e inclusive chegou antes do cashback. É um modelo de custo baixíssimo para os bancos, já que muitos aviões voam com assentos vazios e a estrutura já está paga.

E-commerce

Alguns sites de compra também já dão seu dinheiro de volta na finalização do seu carrinho, além de descontos tradicionais.

A mineira Méliuz (CASH3), por exemplo, garante o tráfego no site, e funciona como uma vitrine para marcas grandes como Amazon e Magalu (MGLU3), e pequenas, como Amaro e Dafiti.

Por contrato, elas decidem se pagam ao site uma comissão por venda ou pelo anúncio em si.

Esses valores, claro, já estão dentro de uma margem no preço colocado no produto. Ninguém sai perdendo.

Além disso, iniciativas de cashback também coletam dados de padrão de consumo dos usuários, essenciais para varejistas turbinarem suas vendas.

Cuidados com o cashback

É preciso ficar atento para evitar que o estímulo oferecido por esses programas leve você a fazer compras por impulso para acumular pontos ou dinheiro ou, ainda, a assinar um determinado serviço para ter créditos em sites de cashback.

A primeira recomendação é avaliar a real necessidade de cada compra para evitar gastos não previstos que podem complicar as contas no final do mês.

Além disso, há aplicativos que cobram pela assinatura de canais e, em troca, oferecem cashback.

Mesmo que o valor da mensalidade seja baixo, é preciso fazer as contas para ver se compensa.

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