Cases da Bolsa: entenda os fundamentos por trás das ações mais badaladas da bolsa

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Cases da Bolsa

O evento Cases da Bolsa, parceria da EQI Investimentos com a Edufinance, apresentou nesta terça-feira (28), os fundamentos das empresas por trás das ações mais badaladas da bolsa de valores na atualidade.

Os painéis foram conduzidos por Leandro Siqueira e Aline Cardoso, dois craques da análise fundamentalista.

Foram quatro os cases analisados: Petz (PETZ3), Vivara (VIVA3), Enjoei (ENJU3) e GPA (PCAR3). Em cada um deles, detalhes para o investidor aprender a analisar com fundamentos uma empresa e nunca mais perder oportunidades do mercado. Confira:

Petz (PETZ3)

CEO e fundador da Petz (PETZ3), Sérgio Zimerman, contou um pouco da história da empresa e como ele conseguiu criar uma das maiores redes de produtos para pets do Brasil.

Ele lembrou que a empresa nasceu inspirada na Cobasi. No entanto, ressalta que a Petz, desde o início, já tinha alguns elementos que lhe asseguravam alma própria.

No início, a ideia não era transformar a Petz em uma rede de lojas. No entanto, segundo Sérgio, quando a demanda começou a aumentar, começou-se a pensar em abrir mais unidades.

“A princípio, a gente não pensava sequer em ter duas lojas. A ideia era abrir somente uma loja, para sustentar a família. Porém, depois que uma loja dá certo, a veia do empreendedorismo começa a perguntar: por que não uma segunda ou uma terceira loja? E assim foi indo, até que, em setembro desse ano, atingimos a marca de 150 lojas, distribuídas entre 18 estados”.

Além de estar nas principais capitais do Brasil, atualmente a Petz também já possui operações em cidades menores. Segundo Sérgio, o seu modelo de espaços físicos amplos é compatível também com centos urbanos menores.

“Atualmente, já estamos em cidades menos populosas, mantendo a estrutura de lojas entre 700 e 800 m². Hoje, nosso menor formato de conveniência tem cerca de 400 m². Ainda existe bastante espaço em muitas cidades para montarmos lojas de diversos formatos”.

Vivara (VIVA3)

Líder de mercado no setor de joalheiras do Brasil, a Vivara (VIVA3) deve manter, nos próximos três anos, o ritmo de abertura de 40 a 50 lojas por ano. Isso enquanto tem como desafio manter em 15% a participação das vendas digitais da companhia, que cresceram após os meses mais críticos da pandemia.

Quem apresentou as projeções foi Melina Afonso Rodrigues, head de RI da empresa.

Líder do segmento desde a década de 1990, a Vivara, além de operar no varejo também tem uma fábrica. “Então ela tem um modelo de negócios verticalizado. É um modelo único no setor. Hoje produzimos mais de 80% de tudo que vendemos nas lojas da companhia”, explica Melina Afonso Rodrigues.

A companhia trabalha com três diferentes tipos de canais: a loja Vivara (que é a mais tradicional), as lojas exclusivas da marca Life by Vivara (com produtos de prata) e também o modelo de quiosques (mais híbrido).

“A Vivara é uma marca de itens presenteáveis e a tendência é que a gente explore mais essa característica. Temos bastante oportunidade de expansão e crescimento”, afirma a head de RI da empresa.

Enjoei (ENJU3)

Em 2019, o prejuízo da Enjoei foi de R$ 20 milhões, tendo aumentado para cerca de R$ 31 milhões em 2020. Dessa forma, existe uma grande pergunta que divide os investidores. Será que haverá um momento em que a Enjoei conseguirá converter os resultados negativos em lucro?

Alguns investidores acreditam que sim, pois, para eles, tudo o que a empresa precisa é atingir um certo tamanho. A partir disso, a roda começa a girar por conta própria e todos os custos e despesas são diluídos, fazendo com que, finalmente, haja lucro.

Por sua vez, outros são menos otimistas e acham que pode ser bem difícil ou demorado reverter esses resultados. No entanto, o que todos concordam é que a Enjoei faz parte da nova economia, e isso pode confundir investidores acostumados com modelos de negócios mais antigos.

“Cerca de 46% dos nossos compradores fazem ao menos uma transação por semana, é quase o que se pede de comida na internet. Grandes marcas vendem, em média, três vezes ao ano para o mesmo consumidor. Nós vendemos sete”, afirma Tiê Lima.

“A gente entende que tem muito usuário para trazer e o melhor momento de intensificar essa captura e agora, que é o início da curva de adesão, pensando na rentabilidade lá na frente. Hoje, a gente investe em captação de usuário principalmente”, complementa.

GPA (PCAR3)

Com ações negociadas a 0,6 vezes o valor patrimonial, o que será que ninguém está vendo no GPA (PCAR3)? Para responder a esta pergunta, foi convidado do Cases da Bolsa Fred Alonso, head de relações com os investidores do grupo.

Segundo ele, a marca exclusiva é uma importante fortaleza da empresa. “O principal benefício da marca própria é a fidelização dos clientes. A gente consegue oferecer um produto de alta qualidade com preços mais acessíveis”, afirma.

Segundo Fred Alonso, o GPA vê uma convergência de modelos entre atacado e o varejo. “Os hipermercados estão competindo com os atacados. A gente fez uma mudança de política de preço no início do ano, pela qual aproximamos os nossos preços dos atacadistas”, afirma ele.

Na parte alimentar o GPA está bastante competitivo, ele diz. “No nosso modo de ver, isso é importante. Nossos mercados hoje estão com preços próximos aos de atacado, só que a gente acha que pode competir melhor tendo um nível de serviço, transformando o mercado em um one-stop-shop”, diz o head de RI da empresa.

Quer aprender mais sobre análise fundamentalista?

Confira nosso material a respeito: