Cases da Bolsa: Petz (PETZ3) e o plano secreto para dominar mercado de R$ 30 bi

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
1

Crédito: Reprodução/Cases da Bolsa

Presente ao evento Cases da Bolsa, da EQI Investimentos e da Edufinance, o CEO e fundador da Petz (PETZ3), Sérgio Zimerman, contou um pouco da história da empresa e como ele conseguiu criar uma das maiores redes de produtos para pets do Brasil. A seguir, confira alguns dos principais pontos do painel.

Início da Petz

Sérgio Zimerman conta que o empreendedorismo lhe acompanha praticamente desde o início da vida. Nesse sentido, teve diversas atividades, sendo que a anterior à Petz foi um atacado de alimentos e perfumaria. Uma das unidades ficava na Marginal do Tietê. Depois de 11 anos, o negócio teve um insucesso, sendo que o ponto era próprio e ele precisava aproveitá-lo.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Analisando as possibilidades, foi orientado a fazer uma pet shop, mas o espaço era muito grande para essa atividade. Na ocasião, Sérgio foi conhecer a Cobasi, que ficava do outro lado da cidade, para ver se era algo desse tipo que gostaria de fazer.

Na época, a Cobasi já tinha três lojas grandes na Zona Sul e Oeste de São Paulo. Logo, se abrisse um negócio semelhante, o seu ponto atenderia as Zonas Leste e Norte de São Paulo, o que pareceu fazer sentido a Sérgio. “No início, pensei em fazer uma franquia da Cobasi. Porém, o gerente da loja nem permitiu que eu falasse com os donos. Segundo ele, os donos nem atendiam pessoas com esse tipo de interesse”, relata Sérgio.

Sendo assim, o empreendedor buscou inspiração na Cobasi e foi aprender sobre o mercado para criar o que foi a Petz Center Marginal. No entanto, mesmo inspirada na Cobasi, Zimerman ressalta que a Petz, desde o início, já tinha alguns elementos que lhe asseguravam alma própria.

No início, a ideia não era transformar a Petz em uma rede de lojas. No entanto, segundo Sérgio, quando a demanda começou a aumentar, começou-se a pensar em abrir mais unidades.

“A princípio, a gente não pensava sequer em ter duas lojas. A ideia era abrir somente uma loja, para sustentar a família. Porém, depois que uma loja dá certo, a veia do empreendedorismo começa a perguntar: por que não uma segunda ou uma terceira loja? E assim foi indo, até que, em setembro desse ano, atingimos a marca de 150 lojas, distribuídas entre 18 estados”.

Planos de expansão

Além de estar nas principais capitais do Brasil, atualmente a Petz também já possui operações em cidades menores. Segundo Sérgio, o seu modelo de espaços físicos amplos é compatível também com centos urbanos menores.

“Atualmente, já estamos em cidades menos populosas, mantendo a estrutura de lojas entre 700 e 800 m². Hoje, nosso menor formato de conveniência tem cerca de 400 m². Ainda existe bastante espaço em muitas cidades para montarmos lojas de diversos formatos”.

Cultura de inovação

A Petz é uma empresa bastante inovadora. Nesse sentido, iniciou comercializando produtos para pets e, logo em seguida, avançou rapidamente para o processo de digitalização. Atualmente, cerca de 30% das vendas da rede são online.

Além disso, a rede passou a atuar também no segmento de saúde animal. Segundo Sérgio, o DNA da inovação está presente desde a primeira loja da Petz, pois desde o início, foram feitas várias coisas pioneiras nesse mercado.

“No início, o horário de funcionamento era das 9h até as 21h. Porém, percebíamos que muitos clientes desejavam fazer compras depois do horário de fechamento das lojas. Na ocasião, pensei em abrirmos 24h, mas me garantiram que nenhuma pet shop funcionava dessa forma. Por isso, foi fácil tomarmos a decisão de operarmos 24h. Esse é um diferencial que mantemos até hoje.”

Em relação aos serviços veterinários, Sérgio explica que, desde o início, as lojas já os ofereciam. “O que acontece é que, a partir de 2019, começamos a dar foco a essa atividade, criando a marca Seres e aumentando a especialização. Ou seja, passamos a investir mais em hospitais e em procedimentos de alta complexidade. Tudo isso para que pudéssemos atender também aos casos que necessitavam de internações e cirurgias.” Atualmente, já são 12 hospitais Seres localizados em 10 cidades diferentes.

Digitalização

Quanto à digitalização, até 2015 esse processo ainda era incipiente no Brasil. Porém, a Petz viu que, no resto do mundo, o e-commerce crescia muito, e isso fez a empresa investir mais nos meios digitais. No entanto, não achavam interessante investir no e-commerce de forma totalmente separada das vendas físicas. Dessa forma, optaram por uma estratégia que integrava as vendas online com as lojas.

“Em 2019, a participação das vendas digitais na companhia era de 7%. Com a pandemia, esse percentual saltou para 25%, mesmo com todas as lojas físicas abertas. A vantagem é que essa mudança de padrão de consumo nos pegou prontos, pois desde 2015 estávamos estruturando as bases do omnichannel. Diferentemente de outras empresas, a Petz não teve que fazer nenhum tipo de improviso para atender aos clientes.”

Quer aprender mais sobre análise fundamentalista? Confira nosso material a respeito:

 

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo