Cases da Bolsa: ação da Enjoei (ENJU3) caiu 50%. É hora de dizer que está barata?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Cases da Bolsa - EQI Investimentos

O Enjoei foi lançado pelos empreendedores Tiê Lima e Ana Luiza McLaren, em 2009. Na época, a ideia era somente criar um blog no qual as pessoas pudessem vender e comprar roupas e outros artigos usados.

Em outras palavras, o objetivo do empreendimento era um grande “brechó online”.

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Tiê, CEO e cofundador da empresa, foi um dos convidados do Cases da Bolsa, evento online e gratuito, daEQI Investimentos e da Edufinance. Confira os principais pontos do painel.

Enjoei: como nasceu o empreendimento

Quando conhecemos os fundadores do Enjoei, facilmente conseguimos entender de onde eles tiraram essa ideia.

Por um lado, Ana Luiza sempre foi uma vendedora nata. Desde criança, gostava de ganhar dinheiro vendendo coisas para os amigos e para a família. Já o Tiê sempre foi aficionado por design e computação, ou seja, possui um viés mais artístico.

Ambas as paixões se uniram quando Ana e Tiê se encontraram e descobriram o mundo do e-commerce. Os dois empreendedores se conheceram quando trabalhavam no Shoptime, uma espécie de embrião do e-commerce no Brasil.

Quando Ana e Tiê perceberam que dava para transformar a ideia do blog em um negócio maior, foram atrás de quem pudesse comprar esse plano. Dessa forma, em 2012, encontraram um investidor anjo que colocou R$ 300 mil no negócio. Isso foi o suficiente para transformar o projeto em uma loja virtual que começou a faturar cerca de R$ 3 milhões por ano.

Logo depois, o empreendimento recebeu um novo aporte. Dessa vez, o valor foi de R$ 25 milhões, sendo que os recursos foram utilizados para construir o aplicativo da Enjoei. Com o app, lançado em 2014, a loja chegou a 500 mil vendedores na plataforma no ano seguinte.

A maturidade do negócio e o IPO da Enjoei

Cinco anos mais tarde, com o projeto já maduro, chegou o momento do IPO. No final de 2020, a Enjoei chegou a levantar mais de R$ 1 bilhão na bolsa de valores. Desse total, quase a metade ficou com a empresa, que se dedicou a uma missão bastante difícil: criar o “efeito de rede”.

Esse efeito de rede é o que fez com que negócios como Google, Facebook, Instagram e Amazon, por exemplo, pudessem se tornar gigantes na internet. Nesse sentido, a lógica é bem simples: quanto mais usuários tem a plataforma, mais gente desejará utilizá-la.

No entanto, para chegar no ponto de virada, no qual as pessoas começam a entrar na plataforma por conta própria, a empresa precisa fazer pesados investimentos. Isso porque é preciso criar esse efeito, ou seja, trazer muitas pessoas para a plataforma, a ponto de convencer outros a entrarem. E, para que isso seja alcançado, é necessário muito investimento em marketing e produtos.

Número de vendedores ativos

No e-commerce, uma das principais métricas para saber se o negócio está indo na direção certa é o número de vendedores ativos. No caso da enjoei, em junho de 2020 havia cerca de 560 mil vendedores. Um ano depois, já eram quase 900 mil pessoas utilizando a Enjoei para compra e venda de itens usados.

No entanto, esse crescimento não necessariamente se traduz em lucro. Logicamente, com mais pessoas vendendo, a receita líquida também aumenta. Para se ter uma ideia, em 2019, a receita líquida da Enjoei foi de R$ 63 milhões. Já em 2020, a cifra atingiu R$ 90 milhões.

Porém, para trazer esse volume de negócios para a plataforma, é preciso um grande investimento em marketing. Dessa forma, acaba sobrando pouco para o negócio no final e, eventualmente, pode haver prejuízo, que sobe junto com a receita.

Perspectivas para a Enjoei

No caso da Enjoei, em 2019 o prejuízo foi de R$ 20 milhões, tendo aumentado para cerca de R$ 31 milhões em 2020. Dessa forma, existe uma grande pergunta que divide os investidores. Será que haverá um momento em que a Enjoei conseguirá converter os resultados negativos em lucro?

Alguns investidores acreditam que sim, pois, para eles, tudo o que a empresa precisa é atingir um certo tamanho. A partir disso, a roda começa a girar por conta própria e todos os custos e despesas são diluídos, fazendo com que, finalmente, haja lucro.

Por sua vez, outros são menos otimistas e acham que pode ser bem difícil ou demorado reverter esses resultados. No entanto, o que todos concordam é que a Enjoei faz parte da nova economia, e isso pode confundir investidores acostumados com modelos de negócios mais antigos.

“Cerca de 46% dos nossos compradores fazem ao menos uma transação por semana, é quase o que se pede de comida na internet. Grandes marcas vendem, em média, três vezes ao ano para o mesmo consumidor. Nós vendemos sete”, afirma Tiê Lima.

“A gente entende que tem muito usuário para trazer e o melhor momento de intensificar essa captura e agora, que é o início da curva de adesão, pensando na rentabilidade lá na frente. Hoje, a gente investe em captação de usuário principalmente”, complementa.

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