Setor de carvão mineral: conheça suas características e empresas

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Apesar das preocupações sobre a poluição do ar e as emissões de gases de efeito estufa, o uso do carvão provavelmente continuará a ser significativo no futuro, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia, o setor de carvão mineral representou 5,3% da oferta interna de energia do Brasil em 2019.

Atualmente, o principal uso da combustão direta do carvão é na geração de eletricidade, por meio de usinas termoelétricas.

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Vale destacar que o carvão mineral compete com outros combustíveis para gerar energia: petróleo, gás natural, energia nuclear, hidroelétricas e até o vento e o sol podem ser utilizados.

Essa tecnologia está bem desenvolvida e é economicamente competitiva. Diversas indústrias necessitam de calor em processos de produção, tais como a secagem de produtos, cerâmicas e fabricação de vidros. Estas atividades utilizam o carvão mineral na geração de calor.

O carvão metalúrgico é o principal combustível utilizado em um alto forno, local em que é fundido o minério de ferro para a produção do ferro metálico e aço.

Cerca de 70% destes materiais são produzidos pelas usinas siderúrgicas e são utilizados na construção de carros, pontes, edifícios, casas, panelas, etc.

As indústrias siderúrgicas brasileiras importam mais de 14 milhões de toneladas anuais de carvão metalúrgico, provenientes de países como EUA, China, Austrália e Polônia.

Brasil grande produtor de carvão

Em 2018, a produção de carvão mineral brasileiro totalizou 10,483 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM).

Santa Catarina foi responsável por mais da metade da produção do período, cerca de 61,7%. Em seguida, aparece Rio Grande do Sul (34,6%) e Paraná (3,7%).

Já as vendas no país somaram 5,190 milhões de toneladas. O faturamento do setor atingiu R$ 1,076 bilhão.

Evolução da produção de carvão mineral:

Reprodução/ ABMC

Perspectivas globais para setor

O carvão fornece mais de um terço da geração global de eletricidade e desempenha um papel crucial em indústrias como a de ferro e aço.

A IEA espera que a demanda global por carvão caia cerca de 8% em 2020, a maior queda desde a Segunda Guerra Mundial, com o uso de carvão diminuindo em praticamente todos os setores de todas as regiões do mundo.

Na situação atual, a incerteza sobre as perspectivas para o carvão é a maior entre todos os combustíveis. Isso porque seu uso está no setor elétrico e fortemente dependente do nível de demanda de eletricidade.

Em particular, o carvão é dominante na China e na Índia, os maiores e os terceiros maiores usuários de eletricidade do mundo.

Além disso, o uso de carvão na geração de energia é pressionado pela geração de baixo carbono, incluindo hidrelétrica, eólica, solar e nuclear, que foram menos afetadas pela crise Covid-19.

Consequentemente, as diferenças na atividade econômica e na demanda de eletricidade associada têm um efeito desproporcional na geração de eletricidade a carvão e no consumo geral de carvão.

Por exemplo, o uso global de carvão poderia diminuir apenas à metade se a China e outros grandes consumidores de carvão se recuperassem mais rapidamente da crise. Mesmo assim, muitas tendências permaneceriam inalteradas, como quedas percentuais de dois dígitos na União Europeia e nos Estados Unidos, quedas de um dígito no Japão e na Coréia e uma queda na Índia.

Em alguns mercados, a demanda por carvão pode até crescer se as recuperações forem mais rápidas, como no Sudeste Asiático, impulsionado pela Indonésia e Vietnã.

No resto do mundo, a demanda por carvão diminuirá drasticamente em 2020. Mesmo no sudeste da Ásia, a região com crescimento mais rápido nos últimos anos, onde a geração de energia a carvão é reduzida pela menor demanda de eletricidade, especialmente na Malásia e na Tailândia.

A entidade também espera quedas significativas na demanda de carvão nas economias avançadas: de 25% nos Estados Unidos, cerca de 20% na União Europeia e 5% a 10% na Coréia e no Japão.

De acordo com a IEA, para que o carvão tenha um lugar como fonte de energia mais limpa nas próximas décadas, maiores esforços serão necessários por parte do governo e da indústria para desenvolver e implantar tecnologias menos poluentes e mais eficientes.

Carvão no Brasil

O carvão é proveniente de depósitos de restos de plantas e árvores, ou seja, uma vegetação pré-histórica que se acumulou em pântanos sob uma lâmina d’água há milhões de anos.

Existem quatro estágios na formação do carvão mineral: turfa, linhito, carvão (hulha) e antracito, os quais dependem de fatores como pressão e temperatura para sua formação.

Dos diversos combustíveis produzidos e conservados pela natureza sob a forma fossilizada, acredita-se que o carvão mineral é o mais abundante.

Os carvões se classificam de acordo com o seu conteúdo de carbono fixo, cuja proporção aumenta à medida que o minério se forma.

A ocorrência do carvão no Brasil encontra-se principalmente nos estados do Rio Grande do Sul (28 bilhões de toneladas), Santa Catarina (3,3 bilhões de toneladas) e Paraná (104 milhões de toneladas).

Reprodução / IEA

Discurso ambientalista fora de foco

Segundo a ABCM, o Brasil tem mais de 80% de energia renovável na matriz elétrica, meta de vários países para 2050, mesmo que continue fazendo usinas a carvão, continuará com esse mesmo percentual.

“Em termos de emissões de gases de efeito estufa na energia, o Brasil permanecerá cerca de 1,4% das emissões globais, não sendo o carvão termelétrico o problema brasileiro, já que ele representa 3,7% das emissões de energia e 0,7% das emissões totais”, afirma Fernando Luiz Zancan, presidente da ABCM.

Zancan acredita que o discurso, ambientalista está fora de foco, pois primeiro deveria ter uma visão holística da questão ambiental, analisando o meio ambiente na ótica dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS – Agenda 2030 da ONU, que é buscar o equilíbrio sócio, econômico e ambiental.

A análise e o foco no segmento fóssil, em especial no carvão, demonstra o apoio a determinadas fontes de energia, sem o compromisso do conceito da sustentabilidade.

Assim, segundo ABCM é necessário buscar a redução de emissões de todas as fontes de energia e não simplesmente discriminar as fontes.

Ou seja, devem ser implementadas medidas para redução das emissões como o desenvolvimento de tecnologias de captura e armazenamento de carbono e não buscar acabar com fontes que movem a economia e propiciam a redução da miséria e do caos social.

“Felizmente no Brasil temos a diversidade de fontes e a busca do equilíbrio, traduzido pelo atingimento dos objetivos do desenvolvimento sustentável, deve ser o compromisso de todos” disse Fernando Luiz.

Confira as principais usinas do setor:

Centrais Elétricas de Pernambuco (Epesa)

As Centrais Elétricas de Pernambuco – EPESA é uma companhia de capital fechado controlada pela EBRASIL que detém 95% de participação acionária.

A empresa foi vencedora do primeiro Leilão de Energia Nova A-3 da ANEEL em junho de 2006, com PPA de 15 anos, de janeiro de 2009 a dezembro de 2023.

O projeto inicial previa duas UTEs em locais distintos (Termomanaus e Pau Ferro I), mais tarde concentrados numa mesma localização com uma operação unificada.

A usina foi construída entre fevereiro e dezembro de 2008 , em um projeto complexo envolvendo 658 unidades geradoras em uma área de 18 hectares no município de Igarassú/PE.

A usina entrou em operação comercial em junho de 2009. É considerada a maior usina biodiesel em número de motores do mundo e é operada, pela EBRASIL.

Pampa Sul

A Usina Termelétrica Pampa Sul (UTPS) é uma sociedade de propósito específico (SPE) responsável pela usina
termelétrica à carvão localizada em Candiota (RS), que entrou em operação em junho de 2019.

A capacidade instalada total do projeto é de 345 MW, equivalentes à cerca de 0,2% da capacidade total do Brasil e a 11% da capacidade à carvão do país em 2020, e a capacidade de geração líquida da usina é de 309 MWmed.

O abastecimento de carvão é feito por uma esteira conectada diretamente à mina Seival Sul, que fica 4,4 km distantes da UTE Pampa Sul e que pertence à Copelmi Mineração, com uma reserva de carvão estimada em 600 milhões de
toneladas.

Pampa Sul é 99,99% controlada pela ENGIE Brasil, uma das maiores produtoras privadas de energia elétrica do Brasil, com 60 usinas no país que juntas totalizam uma capacidade instalada de 8.711MW.

A usina possui contratos de venda de energia elétrica de longo prazo (294.5MWmed), vigentes por 25 anos (até dezembro de 2043) firmados com 38 distribuidoras por meio do Contrato de Comercialização de Energia Elétrica no Ambiente Regulado (CCEAR) por disponibilidade

A Usina Termelétrica Pampa Sul (UTPS) refletem a condição operacional da usina a carvão, o perfil de receita totalmente contratada por meio de contratos de comercialização de energia elétrica no ambiente regulado (CCEARs) e sua exposição aos preços de energia no mercado spot em caso de déficit de geração.

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Termelétrica Candiota

A CGT Eletrosul opera a Termelétrica Candiota III (Fase C), com 350 MW de capacidade instalada de geração, a partir do aproveitamento do carvão mineral abundante na região da Metade Sul do estado.

Em operação comercial desde de janeiro de 2011, no município de Candiota (RS), a usina passou por uma ampla reforma e modernização em 2019, garantindo maior eficência ao empreendimento.

No mês de abril, a termelétrica retomou a geração, oferecendo energia firme para o atendimento do mercado nacional e impactando positivamente a economia gaúcha. Tudo isso, acompanhado por um elevado controle de emissões atmosféricas e a continuidade de programas ambientais.

Itaqui

A usina de Itaqui foi o primeiro empreendimento da Eneva no estado do Maranhão. Localizada a 5 km do Porto do Itaqui, a usina utiliza a logística portuária para receber o carvão mineral.

A usina tem capacidade instalada de 360 MW, o que representa 40% do consumo de todo estado do Maranhão. A energia gerada é enviada para o subsistema Norte do Sistema Interligado Nacional (SIN).

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