Carteira previdenciária: entenda a estratégia de Luiz Barsi

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução

Enquanto para muitos viver da renda de dividendos não passa de um sonho, para Luiz Barsi isso não só é uma realidade como o transformou em um dos homens mais ricos do Brasil.

Conhecido como o Warren Buffett brasileiro, o maior investidor pessoa física da Bolsa de Valores construiu seu patrimônio com uma estratégia pautada em dividendos.

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Com isso, Barsi, que também é conhecido como “O Rei dos Dividendos”, acumula atualmente um patrimônio estimado em cerca de R$ 2 bilhões.

Quem é Luiz Barsi?

O megainvestidor nasceu em São Paulo em março de 1939 e hoje ostenta a experiência de 82 anos.

Ao contrário de outros bilionários brasileiros, que herdaram suas fortunas ou os negócios da família, Barsi começou do zero.

Para ajudar em casa, foi engraxate aos 7 anos e vendeu balas no cinema. Aos 14, começou a trabalhar em uma corretora de valores e se interessou pelo universo dos investimentos. Tornou-se técnico em contabilidade, depois se formou em Direito e em Economia.

Foi na década de 1970, às vésperas de se tornar economista, que Barsi criou o método que anos depois o tornaria bilionário: “carteira previdenciária de ações”.

O que é a carteira previdenciária?

Resumidamente, a carteira previdenciária de ações consiste em comprar ações de boas empresas, com bons preços e que paguem bons dividendos.

Sendo assim, a estratégia é focada integralmente em comprar ações de companhias que pagam dividendos, no intuito de obter renda passiva na aposentadoria.

Nesse sentido, o horizonte de investimento é totalmente voltado para obter retorno no longo prazo.

A carteira previdenciária de Barsi foi elaborada ainda na década de 1970, após o mega investidor observar a situação da Previdência Social no Brasil.

“Já naquela época, a Previdência não tinha condições de estruturar bem um sistema de pagamento e provedoria. Eu acreditei que a Previdência estava mal estruturada e que um dia ela iria claudicar”, disse o investidor ao site da revista Exame.

Como funciona a estratégia de Barsi

A estratégia passa longe da instabilidade vista no sobe e desce diário das ações. Sua aposta era focada na perenidade e no longo prazo.

Então, Barsi criou um método aparentemente simples, mas que exigia paciência: comprar mil ações de uma mesma empresa mensalmente durante 30 anos.

A partir do oitavo mês, de acordo com o economista, os dividendos recebidos são suficientes para reinvestir e não é mais necessário tirar dinheiro do bolso.

“É investir em bons projetos, é uma parceria de longo prazo, você se torna um pequeno dono dessas empresas”, comentou Barsi.

Em entrevista à CNN Brasil, Barsi afirmou que, depois de 10 anos de “paciência e disciplina” seguindo essa fórmula, estava aposentado. “Não como desejava, mas já não precisava mais trabalhar”.

O portfólio de Barsi

Adepto à filosofia do value investing, o foco de Barsi são companhias lucrativas que pagam bons dividendos.

Diante disso, ele prefere empresas tradicionais e só compra as ações quando os preços estão em queda.

Como sua estratégia é o buy and hold, Barsi compra ações para permanecer por anos em carteira.

Entre as empresas de destaque no seu portfólio podem ser citadas algumas cujos investimentos foram feitos quando ele iniciou sua trajetória na bolsa, há mais de cinco décadas.

Barsi diz ter na carteira ações compradas há 50 anos. Entre elas estão as do Banco do Brasil, do qual é o maior acionista individual. Também têm participação nas  empresas de papel e celulose Klabin e Suzano, no Grupo Ultra (do setor de distribuição de combustíveis), Itaúsa (holding que controla o Itaú),  na concessionária Transmissão Paulista, na fabricante de materiais de construção Eternit, e nas químicas Unipar Carbocloro e Braskem.

Ao falar sobre seu portfólio, o economista dá mais uma lição: “Eu fico comprando, nunca vendo. Tenho ações do Banco do Brasil que comprei em 1972, por 60 centavos, e nunca mais vendi. Foi assim que virei o maior acionista pessoa física do banco, coisa que nem imaginava”, exemplificou.

Questionado sobre o que muitos especialistas em mercado financeiro costumam falar sobre diversificação, Barsi foi categórico: “Todo mundo fala que é necessário pulverizar, aí o Barsi vai falar pra você: todo mundo está errado, porque todo mundo não chegou aonde eu cheguei. Eles não chegaram porque não fizeram o que eu fiz, fizeram o que eles fazem”.

Como construir uma carteira previdenciária?

Antes de mais nada, é importante ressaltar que o sucesso dessa estratégia depende muito do preço que o investidor paga pelas ações que geram dividendos.

Para Barsi, o preço do ativo importa já que quanto mais caro for o preço que o investidor paga por uma ação, menor será seu dividend yield (retorno dos dividendos).

Dessa forma, saber aproveitar as oportunidades quando elas surgirem faz toda a diferença na hora de montar uma carteira previdenciária.

Outro ponto a ser considerado diz respeito à data de anúncio dos dividendos da companhia. Segundo Barsi, a melhor data para adquirir uma ação é sempre aquela que antecede ao anúncio da distribuição de dividendos da empresa.

Isso ajuda o investidor a fugir da alta dos preços das ações, muito comum de observar quando é anunciado o pagamento de proventos.

No geral, ações do segmento de energia costumam ser muito procuradas quando o assunto é montar uma carteira previdenciária.

Isso acontece porque as transmissoras são empresas que possuem receitas mais previsíveis. Além disso, essas companhias contam com grandes clientes que assinam contratos de longo prazo, o que dá maior estabilidade e segurança às relações comerciais.

A verdade é que, quando se trata de transmissora de energia, não há muitas opções de escolha, inclusive, muitas vezes só existe uma única transmissora na região, o que cria um fluxo de caixa previsível.

Diante dessa previsibilidade, os investidores conseguem calcular sua lucratividade futura com mais facilidade. Isso dificilmente aconteceria, por exemplo, em um segmento onde houvesse inúmeras empresas concorrentes, com uma demanda dependente de muitos fatores.

Outros setores que são perenes, segundo Barsi, são aqueles ligados ao segmento de bancos, papel e celulose.

Por fim, vale destacar que a premissa básica da carteira previdenciária é receber e multiplicar a renda por meio dos dividendos. Então, a valorização do papel não é o foco central e acabará sendo uma consequência natural do bom desempenho da empresa no médio e longo prazo.

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