Investimento defensivo: como proteger a sua carteira da volatilidade

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.
1

Crédito: Reprodução/Pixabay

Nos investimentos em renda variável, as oscilações são uma realidade. Exemplo disso ocorreu com o temores de calote da Evergrande, segunda maior empresa imobiliária da China.

Essa incerteza foi o suficiente para causar uma queda generalizada nas bolsas pelo mundo. Em São Paulo, o Ibovespa recuou 2,33%, atingindo o pior patamar do ano. O índice de Hong Kong caiu 3,3%.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

Apesar das inseguranças com volatilidades, é possível proteger a carteira de investimentos, através do chamado investimento defensivo.

Um pré-requisito  é a diversificação. Com isso, o prejuízo das ações mais afetadas pela crise pode ser atenuado com aplicações mais conservadoras e que não possuem tanto risco.

Portanto, vale a pena o investidor reforçar a carteira com um portfólio bem diversificado, com ações defensivas. E vale incluir ainda outras opções, como ETFs e BDRs. 

Investimento defensivo: como se proteger com ações?

As ações defensivas são ativos que têm uma maior previsibilidade de caixa. São empresas da B3 do setor de serviços públicos. Como por exemplo, as distribuidoras de energia.

Como o serviço prestado tem uma demanda inelástica – uma alteração no preço não irá provocar mudanças na demanda, graças à necessidade do uso do serviço – a empresa sofre menos com a volatilidade do mercado. 

Ainda tendo o setor de energia como exemplo, há, porém, um problema pelo lado das geradoras.

A crise da geração de energia é afetada pelo clima e pelas estações do ano. Isto é, em períodos de seca, as ações tendem a cair, enquanto nos períodos de chuva as ações podem subir. 

Podemos classificar as seguintes empresas como de ações defensivas: Taesa (TAEE11), ISA CTEEP (TRPL4), EDP Brasil (ENBR3), Eletrobras (ELET6) e Cemig (CMIG4).

Investimento defensivo: ações com capital dolarizado

Uma alternativa para se proteger das oscilações é investir em ações de empresas nacionais, mas com o seu capital dolarizado. Isto porque, muitas vezes, os produtos produzidos por ela têm, na maioria das vezes, o mercado externo como destino. 

Sobre este item, os analistas apontam que há uma relação inversa entre o Ibovespa e o dólar. Ou seja, quando um sobe, o outro cai. Deste modo, quando ouvimos as notícias do mercado econômico, geralmente, sempre quando há uma queda acentuada na bolsa, o dólar sobe, praticamente, na mesma proporção.

Essas companhias que têm capital aberto na B3 são focadas para o mercado externo. Inclui companhias de commodities, como minério e agronegócio.

ETFs

Outra opção para diversificar a carteira é com os ETFs (Exchange Traded Fund). São fundos de investimentos atrelados a alguns índices. Estes índices são um conjunto de ativos, desde um grupo de ações de empresas de tecnologia até renda fixa. 

Ao diversificar os investimentos nos índices, aumentam-se as chances de ficar menos exposto às volatilidades.

O número de ETFs tem aumentado nos últimos meses. Atualmente, a bolsa brasileira oferece 47 ativos. Embora tenha crescido o número de opções, o mercado ainda é pequeno se comparado ao dos EUA que tem mais de 2 mil variações de ETFs.

São papéis como o BOVB11, que replica o índice Ibovespa, e o IVVB11, que replica o índice S&P 500 que reúne as maiores empresas americanas como Google, Facebook e Tesla.

Além destes, há opções em ETFs com empresas chinesas, como o XINA11 e o GOLD11, atrelado ao valor do ouro. Tem até ETFs associados à moedas virtuais como o QBTC11.

No mês passado, a B3 (B3SA3) lançou um novo portal com foco exclusivo na ampliação do conhecimento sobre ETFs, o ETF.com.vc.

BDRs

Há também a opção  de investimentos em BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Estes são recibos de ações de companhias estrangeiras negociados na B3. 

A aplicação neste papéis inibe a volatilidade quando esta atinge mais o mercado de capitais brasileiro. Assim, em dia como o anúncio do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), na semana passada, o Ibovespa caiu mais de 2%, a Dow Jones, bolsa de valores de Nova Iorque, teve um recuo de apenas 0,9%. 

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo