Carrefour (CRFB3) anuncia compra do Makro por R$ 1,9 bilhão

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.

O Carrefour Brasil (CRFB3) anunciou neste domingo (16) a compra de lojas do Makro Atacadista por R$ 1,953 bilhão. Segundo o fato relevante, serão adquiridas 30 lojas, das quais 22 são próprias e oito alugadas, além de 14 postos de combustiveis.

As 30 lojas, que somam 165.000 m² de área de venda, apresentaram em 2019 vendas brutas de aproximadamente R$ 2,8 bilhões e possuem grande complementaridade geográfica com as lojas já existentes do Atacadão. As unidades estão espalhadas por 17 estados.

“A Transação permitirá ao Atacadão expandir sua presença em particular no densamente povoado estado do Rio de Janeiro (7 lojas) e na região Nordeste (8 lojas)”, afirma o fato relevante.

As novas lojas somam-se às 187 lojas já existentes do Atacadão, “que continuará com seu forte crescimento orgânico”.

Entretanto, a aquisição anunciada não representa a saída do Makro do País.

Segundo o Estadão, a empresa, de propriedade do grupo holandês SHV, pretende se focar, a partir de agora, nos 24 pontos de venda que detêm no Estado de São Paulo.

Conversão

O Grupo Carrefour Brasil informou pretende converter a bandeira das novas lojas para Atacadão no período de 12 (doze) meses após o fechamento da transação.

“Dessa maneira, nossos clientes poderão se beneficiar dos preços e ofertas do Atacadão assim como das soluções e dos serviços financeiros bem-sucedidos do Grupo Carrefour Brasil.”

De acordo com o fato relevante, o Carrefour espera que as vendas aumentem em mais de 60% e que a estrutura de custos seja otimizada, “possibilitando o alcance gradual de níveis de rentabilidade similares aos existentes nas lojas atuais”.

Atacadão

A compra do Makro é o maior movimento do Carrefour desde a compra, em 2007, do Atacadão, diz Alexandre Bompard, presidente do Conselho de Administração e CEO do Grupo Carrefour.

“Isso evidencia nosso comprometimento com a expansão de nossos formatos de crescimento e está em linha com o Plano de Transformação do Carrefour 2022”, afirmou.

Segundo ele, o modelo de atacado tem sido um grande contribuinte para o crescimento do Carrefour nos últimos anos, especialmente no Brasil.

“Com essa transação, iremos expandir nossa presença no mercado brasileiro, o segundo maior mercado para o Grupo depois da França.”

Aceleração

Para Noël Prioux, CEO do Grupo Carrefour Brasil, a transação será um “acelerador” de crescimento para o Carrefour no Brasil.

“Com essa aquisição, o Atacadão vai fortalecer sua presença geográfica e consolidar ainda mais sua presença nacional”, afirmou.

De acordo com ele, juntamente com o ritmo de crescimento orgânico, com 20 lojas Atacadão abertas em 2019, a aquisição vai representar uma aceleração “equivalente a um ano e meio de expansão, marcando um importante passo para o Grupo Carrefour Brasil.”

Cade

A conclusão da Transação está condicionada ao cumprimento de determinadas condições, incluindo, especialmente, o acordo dos proprietários das lojas alugadas e a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), acrescentou o comunicado.

Tá, e aí?

O Carrefour Brasil venceu mais uma batalha da “guerra do atacarejo”, que se iniciou quando a companhia adquiriu o Atacadão em 2007. Na época, a aquisição levou o Carrefour à liderança do varejo no país.

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Enquanto isso, o GPA (PCAR3), que tinha a liderança, foi obrigado a buscar opções no mercado, e acabou adquirindo a rede Assaí.

A importância das operações de lojas que misturam a oferta de produtos no varejo e no atacado no mesmo local – o que traz fluxo de pessoas físicas e jurídicas – se observa nos números das duas varejistas.

No GPA, as vendas das lojas do Assaí somaram R$ 30,378 bilhões, mais vendas que todas as demais operações de multivarejo (R$ 28,753 bilhões), que incluem as lojas do Extra Super, Extra Hiper, Pão de Açúcar e proximidade.

Já no Carrefour o quadro é o mesmo: Atacadão registrou vendas de R$ 42,055 bilhões, enquanto as demais lojas, incluindo gasolina, somaram R$ 20,165 bilhão.

Rentabilidade

E não só de faturamento estamos falando, a rentabilidade das lojas de atacarejo são superiores.

A margem líquida – a relação entre o faturamento e o lucro – nos nove primeiros meses do ano passado, último dado divulgado, foi de 2,9% no Assaí e de 1,4% no multivarejo, no caso do GPA.

No Carrefour, analisando a margem Ebitda ajustada, o Atacadão registrou um porcentual de 7,1% e as demais operações de varejo, 5,2%, no critério pós-IFRS, de janeiro a setembro.

A compra do Makro, porém, já era esperada, sobretudo porque o próprio Carrefour havia anunciado a sua intenção em comunicado ao mercado no dia 10 de fevereiro.

No entanto, a confirmação reforça a atuação do Carrefour no segmento do varejo mais rentável, quando operado em alta escala e isso, com o Makro, será ampliado.


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