Canadá e Austrália decidem não ir a Tóquio se as Olimpíadas não forem adiadas

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Jason Ransom / Comitê Olímpico Canadense

Os comitês olímpicos de Canadá e Austrália informaram nessa segunda-feira (23) que não enviarão seus atletas aos Jogos Olímpicos de Tóquio, se o evento não for adiado, em virtude do Covid-19.

A equipe do Canadá pediu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e ao Comitê Organizador de Tóquio 2020 que adiassem os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 por um ano devido à pandemia.

Com essa decisão, o time canadense se tornou o primeiro Comitê Olímpico Nacional a dizer que seus atletas não competirão em Tóquio 2020 se os Jogos prosseguirem conforme programado neste verão, de 24 de julho a 9 de agosto.

BDRs| Confira os papéis disponíveis para Investimentos

A decisão foi tomada em conjunto com o comitê paraolímpico local, com os atletas e as confederações nacionais de cada esporte.

“Muitos atletas canadenses – desde veteranos olímpicos até aqueles que estrearam nas Olimpíadas – expressaram suas opiniões, apoiando a decisão de priorizar a saúde e a segurança pública”, diz a nota do comitê.

Em entrevista recente, a três vezes medalhista olímpica Meaghan Benfeito (foto), dos saltos ornamentais, disse: “competições podemos mover, podemos manipular quando organizar, mas a saúde, não”.

Austrália

Já o comitê australiano soltou nota dizendo que “continuará seu planejamento e os preparativos para os Jogos Olímpicos de Tóquio, sendo o atleta e a saúde e a segurança a principal prioridade”.

“A interrupção global causada pelo Covid-19 e as medidas críticas de saúde pública resultantes interromperam significativamente os processos de qualificação para o esporte, bem como a preparação dos atletas”, diz o comunicado.

O CEO do comitê, Matt Carroll, disse que a Austrália “fará todo o possível para realizar os sonhos dos atletas australianos em circunstâncias incrivelmente difíceis”.

“Reconhecemos que existe uma crise global de saúde. Reconhecemos que as pessoas estão sofrendo – pessoas estão doentes, pessoas estão perdendo empregos, empresas estão lutando em meio a uma enorme incerteza da comunidade. As coisas estão mudando todos os dias e todos precisamos nos adaptar”, afirmou.

E implorou pelo adiamento. Caso contrário, seguirá o Canadá.

Desafios

Um dos desafios, segundo Carroll, é a qualificação para os jogos, com tantas interrupções no esporte e nas viagens mundiais. “E a segunda é garantir que eles possam participar dos Jogos livres de coronavírus”, disse.

“A situação referente à qualificação é complexa, para dizer o mínimo, com restrições globais de viagens entre muitas medidas que impedem que eventos qualificados em qualquer parte do mundo aconteçam agora” ponderou o CEO.

Apesar do tempo que consideram inviável, o comitê australiano foca no planejamento da preparação pré-Jogos, para garantir que os atletas participem dos Jogos saudáveis, preparados e livres de vírus. “Claramente, esse é um grande desafio para todos os Comitês Olímpicos Nacionais”, afirmou.

COI e Japão

O Comitê Organizador e o COI, após pressão dos atletas, resolveu abrir discussões sobre um possível adiamento das Olimpíadas.

Não se sabe ainda se ainda em 2020 ou se para 2020 ou 2022, o que é menos provável, pois é ano de Copa do Mundo.

Já o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, pela primeira vez falou sobre o adiamento, nesse domingo (22): “quero receber as Olimpíadas e Paraolimpíadas completamente, como prova de que o mundo superou o vírus mas, neste momento, ele ainda afeta severamente a comunidade internacional. Mas, se for difícil fazer isso, temos de pensar primeiro nos atletas e tomar uma decisão sobre adiar ou não o evento”.

A decisão deve acontecer em até quatro semanas. Cancelar, entretanto, está fora de cogitação.

LEIA MAIS
Coronavírus: saiba qual será o impacto do adiamento da Olimpíada de Tóquio

Atletas pressionam que Olimpíadas em Tóquio sejam adiadas para 2021