Campos Neto diz que não vê inflação “muito acima da meta” para 2021

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação

Roberto Campos Neto gravou entrevista para o canal MyNews, do YouTube, e afirmou que não está muito assustado com a alta da inflação.

Na visão do presidente do Banco Central, as expectativas para 2021 estão dentro da normalidade e caminhando próximas às metas estabelecidas há duas semanas.

“Não é só o Banco Central que não acha que a inflação um pouco mais longa não está subindo. O mercado também não acha. Então isso é importante frisar. Não vejo alguma coisa saindo muito acima da meta, nada desse tipo”, pontuou.

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Meta da inflação para 2021 é de 3,75%, segundo Campos Neto

Segundo Campos Neto, a meta de inflação para 2020 está em 4% e, para o ano que vem, será de 3,75%, caindo para 3,5% em 2022, mas sempre respeitando a tolerância de 1,5 ponto, para cima ou para baixo.

Na visão do presidente do BC, não há mais instrumentos capazes para agir em cima da previsão para 2020 e, por isso, a política monetária está focada nos dois próximos anos.

O Boletim Focus revelou, em sua última publicação, que as expectativas são, respectivamente, de 3,45% para este ano, 3,40% em 2021 e 3,5% em 2022.

Campos Neto repetiu que o cenário atual de inflação mais alta é passageiro, mas que o BC está “sempre prestando atenção em tudo”. “Dinâmica do mercado reflete o risco e nosso risco hoje é o fiscal. Tudo é crédito do fiscal”, afirmou.

“Você tem processo de geração de expectativa de inflação às vezes pela inflação corrente, mas também pode ser causado pela percepção de descontrole fiscal. Isso a gente tem alertado o governo e por isso nós entendemos que é tão importante endereçar esse problema da dinâmica fiscal”, acrescentou.

Campos Neto defende depósitos remunerados

De olho em “facilitar a vida do BC”, segundo suas próprias declarações, Campos Neto defendeu a criação dos depósitos voluntários remunerados, algo que já recebeu cunho positivo do Senado e, agora, tramita na Câmara.

A ideia é que os depósitos voluntários das instituições financeiras funcionem como alternativa ao uso pelo Banco Central de operações compromissadas. “As pessoas vão entender, vão olhar e vão saber fazer a conta”, disse. “O que é importante é usar instrumentos que reduzam dívida bruta e a líquida”, completou.

Open Banking

Campos Neto também foi questionado sobre o open banking, sistema que dará aos clientes de instituições financeiras o poder de ter acesso a serviços mais baratos e melhores, e que pode ser implementado entre outubro e novembro do ano que vem.

“Estamos trabalhando pra ver como resolve, mas independentemente do que aconteça na primeira fase ou na segunda, nós não mudamos o cronograma do open banking, ele vai ficar pronto no mesmo dia”, concluiu.