Campos Neto: alta de commodities eleva preços de alimentos no Brasil

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Agência Senado

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta segunda (9) que a alta dos preços de alimentos no Brasil é influenciada pelo dólar e pelos preços de commodities, produtos básicos com cotação internacional.

Outro fator citado pelo presidente do BC foi a substituição de gastos com serviços por alimentação em casa, além do crescimento do consumo por pessoas que fazem parte de programas de auxílio à renda.

Campos Neto participou do evento virtual Greenwich Economic Forum 2020, promovido pela The Economist.

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Incertezas

No evento, o presidente disse ainda que há incertezas em relação à pandemia de covid-19 e citou que alguns países descobriram mutação do coronavírus, mas acredita que vacina ajudará a mudar o cenário.

Para Campos Neto, a economia terá recuperação rápida, mas o emprego deve levar mais tempo para crescer, devido ao avanço da tecnologia durante a pandemia.

Segundo ele, isso vai impactar a alocação de trabalhadores, “principalmente dos informais”.

Tamanho do estado

O presidente do BC também reforçou que o governo brasileiro quer reduzir o tamanho do estado e estimular o investimento privado.

Com os juros básicos baixos, ele ressaltou que o Brasil tem perdido investimentos em ações e títulos, mas há aumento das aplicações na economia real do país.

Ele acrescentou que a retomada da economia terá que ser inclusiva e sustentável.

Auxílio a empresas

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, fez um comentário em tom aconselhador para o governo. Segundo o executivo do BC, chegou a hora de concentrar esforços nas empresas.

Na visão de Campos Neto, o governo cumpriu seu papel com os programas de auxílio voltados às pessoas físicas e, agora, precisa aplicar medidas similares voltadas ao alívio dos efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia.

“A gente vê que tem uma recuperação muito grande que nos dá a entender que o governo deveria pensar agora, talvez, em fazer mais programas para pessoas jurídicas do que pessoas físicas E eu acho que isso é o que temos feito recentemente”, disse.

Segundo o executivo, o Brasil está entre os países emergentes que mais gastaram durante a pandemia da Covid-19 e, ao lado da África do Sul, foi o que mais fez transferência para pessoas físicas do que jurídicas.

“Isso tem algumas implicações e, no Brasil, teve outro fator que foi voltado para renda baixa que teve recomposição de renda bem acima de 100%”, pontuou.

Desemprego justifica preocupação do BC

A preocupação de Campos Neto se justifica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Brasil alcançou, no fim de setembro, recorde em número de desempregados (13,5 milhões), além de ter visto a taxa de desemprego bater em 14%.

O Siga Brasil, ferramenta do Senado, apontou que dos R$ 469,8 bilhões gastos pelo governo no orçamento, 48,74% (R$ 228,8 bi) foram destinados ao auxílio emergencial.

O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) também contou com a ajuda do governo e, nas duas fases executadas desde o início da pandemia, já recebeu empréstimos de R$ 30,7 bilhões (R$ 18,7 bi na primeira e R$ 12 bi na segunda).

Campos Neto pede respeito ao teto de gastos

A participação do presidente do BC no evento online também abordou a preocupação do executivo com o teto de gastos.

Segundo Campos Neto, a manutenção do regime fiscal é fundamental para o equilíbrio e a retomada da economia do País, e isso inclui justamente o respeito ao teto e à trajetória da dívida.

“O teto foi feito para manter a trajetória de dívida equilibrada. Se eu faço de uma forma que atende um e não atende o outro, entendemos que não é coerente”, argumentou.

“Entendíamos que precisávamos passar essa comunicação de que estamos olhando o teto, mas que obviamente qualquer forma criativa de ficar dentro do teto, piorando a trajetória dívida, nós também vamos considerar um rompimento do equilíbrio fiscal”, finalizou.

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*Com Agência Brasil