Call de fechamento do mês: Sell in may and go away? No way!

Filipe Teixeira
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Sell in may and go away? No way! Neste call de fechamento, analisamos o famoso e temido mês de maio, que chegou ao fim.

Se por um lado contrariou as históricas estatísticas negativas que o fizeram famoso, por outro fez jus à fama de testemunhar importantes eventos de alto impacto para o mercado financeiro.

Maio começou com os mercados testemunhando os desdobramentos do inquérito que apura a suposta interferência do presidente Bolsonaro na Polícia Federal, viu a segunda troca ministerial na saúde em meio ao agravamento da pandemia do coronavírus, presenciou o início gradual da atividade econômica nos países mais desenvolvidos e assistiu ao vazamento de uma polêmica e histórica reunião ministerial.

O mês nos reservou ainda a abertura do inquérito que investiga desvio de recursos da saúde, que podem estar ligados diretamente ao governador Wilson Witzel, e denúncias em prol da tese de Sérgio Moro por um ex aliado do presidente.

Além disso, houve a deflagração de outra operação da Polícia Federal, para apurar o financiamento e propagação de fake news; e a queda de braço de Trump contra gigantes das mídias sociais e o golpe chinês para retirar os direitos de autonomia de Hong Kong.

Mercados

No último dia útil do mês, a cereja do bolo: os mercados acompanharam atentamente e com muita apreensão, o comunicado de Donald Trump, visto com potencial para selar qualquer chance de entendimento com Pequim, o pronunciamento veio em tom muito mais ameno do que se imaginava.

Ainda assim, Trump intensificou seu confronto com a China, prometendo punir o país pela pandemia de coronavírus, além de medidas para reduzir a autonomia de Hong Kong, encerrando o status comercial especial do território com os EUA e negando vistos a autoridades chinesas.

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Citando uma lista de queixas contra o país, algumas datadas antes de ser eleito presidente, Trump disse que os EUA iniciariam um processo para revogar o status comercial preferencial de Hong Kong sob a lei dos EUA. Os reguladores financeiros americanos examinariam as empresas chinesas listadas nas bolsas de valores dos EUA com vistas a limitar o investimento americano nestas empresas, prometendo ainda que cidadãos chineses considerados ameaças à segurança, teriam sua entrada negada no país.

Os EUA encerrarão seu apoio à Organização Mundial da Saúde, disse Trump, alegando que a agência foi manipulada por Pequim durante a pandemia e estava sob o “controle total” da China.

“Nossas ações serão fortes, nossas ações serão significativas”, finalizou.

Sell in may and go away?

E foi assim que Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, encerrando a semana de forma espetacular, com ganho acumulado de 6,36%.

Assim, o principal índice da Bolsa brasileira chutou pra longe a maldição de maio com um avanço de 8,57%, o maior para um mês de maio desde 2009, quando o índice subiu 12,49%.

Hoje alta foi de 0,52%, a 87.402 pontos, após chegar a cair mais de 1,5% no intraday, na véspera da fala de Trump sobre a China. O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 40,739 bilhões.

Já o dólar comercial teve queda de 0,84% nesta sexta-feira, a R$ 5,33, caindo 4,19% na semana e 1,79% no mês.

Maio chegou ao fim e está difícil segurar o otimista diante de números tão expressivos nos negócios, no entanto, analisando uma janela de tempo um pouco maior precisamos lembrar que do topo em fevereiro até o fundo em março, quando o índice chegou a perder 45%.

Assim, o caminho ainda é longo e certamente será repleto de obstáculos.

Isto nos faz questionar se o tamanho desta recuperação não é apenas um reflexo de uma correção inevitável e a carona pega dos principais mercados globais, que além de injetarem trilhões de dólares através de seus Bancos Centrais, se encontram em um estágio muito à frente, tanto no controle sobre a pandemia, quanto na retomada de suas atividades.