Calçadistas ficam receosos com alteração em licenças para importação na Argentina

Jéssica De Paula Alves
Jornalista e produtora de conteúdo

Crédito: Freepik

O governo da Argentina tem aplicado, desde o dia 10 de janeiro, alterações no regime de licenças para importação de calçados. E isso deixa empresários do setor no Brasil receosos, pois a situação pode gerar barreiras, informou a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Segundo o presidente-executivo, Haroldo Ferreira, essa medida é válida para todos os calçados importados. Assim, terão o prazo de validade de suas licenças reduzido de 180 para 90 dias corridos, após a aprovação do Sistema Integral de Monitoramento de Importações (SIMI).

“O prazo reduzido pode trazer problemas, pois dependendo da velocidade dos trâmites existe a possibilidade de perdermos negociações importantes”, explica o executivo, ressaltando que a Abicalçados está atenta à medida, em consulta permanente com exportadores de calçados. “Não vamos antecipar o problema, mas em caso de entraves vamos agir politicamente junto aos governos para a resolução do impasse”, comenta Ferreira.

Além de diminuir o prazo de validade das licenças, o governo argentino reduziu a tolerância de divergência entre o declarado no SIMI de 7% para 5%. E isso também pode causar problemas nas negociações, já que ajustes são realizados entre o pedido e a efetivação do negócio.

“São medidas protecionistas que não chegam a ser uma surpresa”, lamenta o dirigente.

Forte mercado

Mesmo em crise, a Argentina é segundo principal mercado para o calçado brasileiro no exterior. Em 2019, os argentinos importaram 10 milhões de pares por US$ 105,2 milhões, quedas de 15% em volume e de 24,7% em receita em relação a 2018.

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