Caixa: concessão de crédito imobiliário mais que dobrou em 2020, para R$ 53,7 bi

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Agência Brasil/Divulgação

Em um ano marcado pela retração econômica global causada pela pandemia da covid-19, a Caixa voltou a superar a marca anterior em termos de concessão de crédito imobiliário.

O banco estatal divulgou, hoje (25), o resultado da sua carteira de financiamento habitacional em 2020: foram concedidos R$ 509,8 bilhões para pessoas adquirirem imóveis, superando os R$ 465,1 bi financiados em 2019.

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As contratações de crédito imobiliário com recursos da poupança (SBPE) evoluíram de R$ 26,6 bi para R$ 53,7 bi em 2020 – repetindo o crescimento superior a 100% que já tinha sido registrado entre 2018, quando foram concedidos R$ 13,5 bi, e 2019.

A Caixa continua sendo o maior financiador da casa própria no país, embora sua participação tenha diminuído de 69,2%, patamar atingido em 2019, para os 68,8% com que fechou o ano passado.

Reduções de taxas de juros

“O ano de 2020 foi histórico. Ultrapassamos os R$ 500 bi, o que é, de muito longe, a maior carteira imobiliária do Brasil, correspondendo a quase 70% do mercado, com 5,6 milhões de famílias [que assinaram contratos de financiamento]”, disse, esta tarde, o presidente do banco, Pedro Guimarães, acrescentando que o segmento imobiliário é o “coração da Caixa”.

De acordo com Guimarães, o resultado é fruto das medidas que o banco adotou nos últimos dois anos, incluindo reduções de taxas de juros, a criação de produtos e a implementação da jornada digital do financiamento.

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“O maior crescimento foi exatamente na faixa de renda média, que é a que depende da Caixa Econômica Federal. Ou seja, a parte de renda menor, exatamente a [contemplada no] programa Casa Verde Amarela que tem o financiamento do FGTS”, acrescentou Guimarães, detalhando que cerca de 96% dos R$ 62,3 bi aplicados no programa que reformulou o antigo Minha Casa, Minha Vida foram financiados diretamente pela Caixa.

Caixa: novos empreendimentos

Pouco mais de 52,6 mil unidades habitacionais de interesse social foram entregues a famílias com renda mensal de até R$ 1.800,00, beneficiando a cerca de 210,3 mil pessoas.

Além disso, o banco estima que a construção de 2,3 mil novos empreendimentos – o que totaliza 286,3 mil novas unidades habitacionais – possibilitou a geração de cerca de 1,9 milhão de empregos diretos e indiretos.

Devido ao impacto financeiros da pandemia no orçamento de muitas famílias que financiaram seus imóveis com a Caixa, o banco ofereceu a possibilidade destes clientes negociarem uma pausa do pagamento das parcelas dos contratos habitacionais.

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2,53 milhões de contratantes

Cerca de 2,53 milhões de contratantes foram beneficiados pela medida, que ajudou a reduzir o índice de inadimplência da carteira habitacional para pessoa física, que encerrou o ano passado em 1,28%.

“Tivemos uma alta relevante da inadimplência durante os meses de abril, maio, junho de 2020, mas esta inadimplência foi muito reduzida basicamente porque nós realizamos 2,53 milhões de pausas [nos pagamentos], que variaram entre dois e seis meses”, acrescentou Guimarães.

“Com isso, em dezembro, 97,8% das famílias já tinham terminado as pausas. Hoje, já chegamos a 99,6%. Basicamente todas as famílias já encerraram as pausas, com uma média de inadimplência abaixo da média histórica. O que demonstra a qualidade do crédito”, disse ele.

“Além disso, na volta das pausas, ofertamos às famílias em dificuldades financeiras a retomada dos pagamentos com valores menores.”

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Nova linha de crédito da Caixa: juros atrelados à poupança

A Caixa anunciou, hoje (25), a criação de uma nova linha de crédito imobiliário.

O financiamento, que estará disponível a partir da próxima segunda-feira (1), terá taxas de juros atreladas ao percentual de rendimento da Poupança, mais um percentual que irá variar de acordo com o perfil do cliente.

As taxas efetivas partem de 3,35% ao ano, somados à remuneração adicional da poupança: 70% da taxa Selic quando esta for igual ou menor a 8,5% ao ano; ou 6,17% ao ano quando a Selic superar 8,5% ao ano.

Prazo de pagamento

O saldo devedor do financiamento será atualizado mensalmente pela Taxa Referencial (TR). O prazo de pagamento é de 35 anos (420 meses). O financiamento será válido para aquisição de imóveis novos, usados, construção e reformas.

Inicialmente, a Caixa prevê destinar R$ 30 bilhões à nova modalidade de financiamento, batizada de Crédito Imobiliário Poupança Caixa. No entanto, o banco admite a possibilidade de ampliar esta quantia caso haja demanda.

A linha de crédito também estará disponível para clientes de outros bancos a partir de março. Os interessados poderão fazer simulações no site da Caixa ou no app Habitação Caixa, por meio do qual também é possível efetuar a negociação. Aos que optarem por ter conta no banco, é possível pedir a portabilidade.

“Temos uma posição única [para operar com] este produto”, disse o presidente do banco, Pedro Guimarães, apontando que, hoje, a instituição já conta com 145 milhões de clientes e R$ 387,6 bilhões depositados em contas poupança.

Opções de financiamento imobiliário

Com a nova linha, a Caixa passa a oferecer quatro opções de financiamento imobiliário com recursos da poupança (SBPE), para aquisição de imóvel novo ou usado, construção e reforma.

“Os clientes com relacionamento com a Caixa têm sempre juros menores. Quanto maior o relacionamento, menor a taxa de juros”, acrescentou Guimarães, frisando que, entre servidores públicos, as taxas variam entre 4,75% e 5,15%, enquanto para trabalhadores da iniciativa privada elas variam de 4,75% a 5,35%, enquanto para quem não tenha relacionamento bancário com a Caixa, ela é de 5,39%.

*Com Agência Brasil