Caged: número de empregos criados em 2020 é revisado e recua pela metade

Ana Silveira
Colaborador do Torcedores
1

Com a revisão no número de empregos formais criados em 2020, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), registrou uma redução nos dados inicialmente divulgados pelo Governo Federal em janeiro deste ano.

O indicador mede a diferença entre contratações e dispensas com carteira assinada. Inicialmente, o cadastro apontava que haviam ocorrido 15.166.221 admissões e 15.023.531 desligamentos. Com isso, o número de contratações subiu 1,8%, para 15.361.234. As demissões aumentaram 2,2%, para 15.437.117.

Naquele período, o Ministério da Economia divulgou a criação de líquida de 142.690 vagas de empregos com carteira assinada no ano passado. Mas o número real apresenta uma queda de 75.883 com os dados apresentados pelas empresas ao longo deste ano.

Para o governo, isso se deve a uma nova análise em relação às demissões, que fez o saldo de criação de empregos formais no Brasil cair pela metade no ano passado, segundo dados do Estadão.

Caged: novo modelo de declaração eletrônica

Sendo o Ministério do Trabalho o responsável pelo cadastro – desde a recriação da pasta, em julho – a redução do saldo ao envio de declarações fora do prazo foi atribuído à pandemia de covid-19. Além da adaptação para o novo modelo de declaração eletrônica.

Até 2019, as contratações e as demissões eram informadas manualmente. Em janeiro de 2020, o processo passou a ser realizado de forma eletrônica, através da Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial).

Em março de 2020, pouco depois do início da pandemia de Covid-19, o governo tinha sido suspendida o envio das estatísticas por dois meses.

Na ocasião, a pasta alegou que, durante o processo de adaptação ao novo sistema, diversas declarações de demissões foram preenchidas de forma errada. E que o processo de retificação foi comprometido pela pandemia.

Mesmo com queda, números ainda são positivos

Apesar da redução de 46,82% na quantidade de novas vagas criadas no ano passado que chama atenção, os resultados ainda são positivos. As revisões em dados são consideradas normais e podem ocorrer até 12 meses após novas demissões e admissões. Mas a diferença significativa mostra que um número maior de firmas atrasou o preenchimento das informações sobre demissões no ano passado.

No ano passado, o governo federal fez mudanças na  metodologia. Ou seja, a partir da alteração da metodologia, os dados mais recentes não podem ser mais comparados à série histórica anterior ao ano de 2020.

Portanto, o novo cálculo passou a considerar outras fontes de informações. Além da pesquisa realizada mensalmente com os empregadores, o sistema também puxa dados do eSocial e do empregadorWeb (sistema no qual são registrados pedidos de seguro-desemprego).

Justificativa do Ministério do Trabalho e Previdência

Ao se manifestar em nota oficial divulgada na quarta-feira (3), a pasta informa que a diferença no saldo de empregos criados em 2020 se deve a um aumento no número de declarações de contratação e demissão realizadas fora do prazo pelas empresas e que essa alta é provocada pelo processo de transição das declarações para o eSocial.