C&A (CEAB3): XP mantém recomendação de compra e preço-alvo em R$ 15

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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Crédito: C&A Brasil (CEAB3): gestora mantém recomendação e preço-alvo em R$ 15

A C&A Brasil (CEAB3) reportou prejuízo no primeiro trimestre de 2020, ainda assim a XP Investimentos manteve recomendação de compra e segurou o preço-alvo em R$ 15.

De acordo com o analista Pedro Fagundes, os resultados foram pressionados pela crise, conforme esperado.

“Entretanto, esperamos uma reação neutra, dado que o desempenho apresentado ficou em linha com as expectativas”, disse.

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Para ele, a receita e o Ebitda vieram levemente acima da expectativa, em função dos resultados da operação financeira, apesar da forte queda de receita em 9,7% a.a.

Já a receita líquida reportada de R$ 977 milhões, seno 3,8% acima das estimativas da XP, apresentou contração de 6,1% a.a.

A queda de vendas no conceito mesmas lojas foi de 9,7% em relação ao primeiro trimestre de 2019, levemente acima do projetado, que era uma baixa de 10,7%.

“Este foi negativamente impactado pelo fechamento temporário de 100% da base de lojas físicas a partir do dia 21 de março”, destacou.

E disse mais: “vale ressaltar que uma proporção relevante das lojas da C&A estão localizadas em shoppings, cerca de 85%.”

CEAB3: vendas pré-Covid

Por outro lado, conforme Fagundes, o desempenho de vendas pré-Covid já mostrava os resultados de alguns dos ajustes operacionais feitos pela companhia.

“Especialmente aqueles relacionados à melhora de sortimento nas lojas, pois as vendas no conceito mesmas lojas apresentaram até o dia 13 de março um crescimento de 7,3% a.a., ou alta de 9,3% para vestuário de alta de 0,4% para eletrônicos”, disse.

Já o lucro bruto reportado de R$ 476 milhões, ou queda de 5,0% a.a, veio 4,8% acima da estimativa.

A margem bruta de mercadoria permaneceu estável, com a melhora de 0,8p.p da rentabilidade do segmento de vestuário compensando a queda forte observada na categoria de eletrônicos, em 3,5p.p.

A margem bruta total apresentou expansão de 0,6p.p a.a, suportada pelo efeito mix favorável, dada a maior participação da operação financeira, em cerca de 7% da receita.

CEAB3: Ebitda ajustado

Segundo o analista, o Ebitda Ajustado somou R$ 4,8 milhões, acima da expectativa de um resultado negativo de R$ 23 milhões.

Ainda assim, o desempenho representa uma contração de 82,6% a.a.

Com isso, a margem Ebitda de 0,5% no trimestre ficou acima da estimativa, que era uma queda de 2,4%, sendo menos 3,0 p.p a.a.

“Por fim, a C&A reportou prejuízo líquido de R$ 46 milhões, comparado com a nossa expectativa de uma perda de R$ 56 milhões”, elencou.

O desempenho representa deterioração em relação ao prejuízo de R$ 29 milhões no primeiro trimestre de 2019.

A queda do resultado operacional e o pior resultado com câmbio mais que compensaram a redução das despesas financeiras com juros.

Veja o desempenho da CEAB3 na Bolsa:

Fonte: tradingview.

CEAB3: visão da XP

A gestora diz enxergar alguns pontos positivos nos resultados, dentre os quais o progresso importante que a companhia fez em relação ao canal digital, tendo registrado um crescimento de duas vezes no número de usuários mensais ativos no aplicativo (900 mil ao final de março).

Também a aceleração de vendas no período pré-Covid, sendo 7,3% a.a., no conceito mesmas lojas ante a alta de 1,0% no quarto trimestre de 2019.

“Entretanto, ressaltamos que o cenário no curto prazo continua desafiador e que o resultado no segundo trimestre de 2020 deve apresentar não só o reflexo do fechamento temporário das lojas por um período mais longo de tempo, mas também o aumento das provisões na operação financeira, com potencial aumento na inadimplência”, ressaltou.

E acrescentou: “de qualquer maneira, a C&A está capitalizada para suportar a queima de caixa durante o período mais crítico, tendo terminado o período com R$ 280 milhões em caixa (líquido), e levantado R$ 850 milhões ao longo do segundo trimestre de 2020 a taxas extremamente competitivas (na média CDI + 2%).”