B2W (BTOW3) revê estratégia de marketplace na crise

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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A crise do coronavírus expôs deficiências do modelo de vendas por marketplace no Brasil. A B2W Digital (BTOW3), dona das marcas Americanas.com e do Submarino, afirmou que precisou reestruturar suas vendas em março, para não perder clientes e, consequentemente, receita.

Diante da incapacidade dos fornecedores com estoque e capital de giro na crise, a empresa foi obrigada a aumentar sua venda direta.

Isto significou aumentar os estoques em valores que retornaram aos níveis de 2017. O estoque subiu 25%. Foi de R$ 300 milhões para R$ 1,2 bilhão.

Caixa líquido

O marketplace é um sistema de venda em que diversos fornecedores se inscrevem em sua plataforma, negociando seus produtos. Desta forma, o consumidor consegue, em um mesmo endereço de internet (no caso Americanas.com e Submarino) e em uma mesma compra, adquirir produtos vindos de diferentes fornecedores.

O setor de relações com investidores da B2W informou, no entanto, que em abril as vendas com parceiros voltaram a ser retomadas, conforme reportagem do Valor. Disse também que já trabalha em uma linha de crédito para fornecedores, para auxiliá-los durante a crise. Os valores e mais detalhes, no entanto, ainda não foram revelados.

Em relatório, analistas do BB Investimentos afirmam que, apesar da dificuldade momentânea, a B2W melhorou seu capital de giro e seu endividamento.

A dívida líquida de R$ 2,1 bilhões no primeiro trimestre de 2019 para um caixa líquido de R$ 339 milhões no mesmo período deste ano.