BTG: varejo tem tendência de recuperação à frente

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

Após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre pelos varejistas, o BTG enxerga continuidade da tendência de recuperação já observada desde o início do segundo trimestre de 2020.

Conforme o BTG, foram observadas quatro tendências principais:

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  • Desempenho contínuo e forte do comércio eletrônico dos players, com a maioria deles também crescendo GMV online trimestre a trimestre;
  • rebote generalizado após um declínio no segundo trimestre, e com segmentos como vestuário já mostrando crescimento de SSS em algumas semanas de setembro (que persistiu em outubro);
  • forte resiliência de segmentos que também se beneficiaram dos efeitos positivos do Coronavoucher, como alimentos varejo e materiais de construção; e
  • desalavancagem operacional ainda em jogo, apesar de medidas para otimizar custos, parte da base de lojas ainda estava fechada no início do trimestre.

Dessa forma, embora os números operacionais (GMV, receita líquida e EBITDA) não representem uma grande surpresa para as estimativas do BTG, eles mostraram mais do que o primeiro vislumbre da tendência de recuperação à frente.

A receita combinada cresceu 23% na comparação ano a ano, o Ebitda agregado cresceu 11% a / a, e o resultado geral foi 24% maior em relação ao terceiro trimestre de 2019.

Mudança digital e consolidação persistem como legado a partir de 2020

Na frente estrutural, a tendência desde o início da pandemia foi de migração de off-line para consumo on-line, com mais vendedores, tráfego, variedade e frequência, persistiu no terceiro trimestre deste ano. O BTG vê isso como um legado para os próximos anos, avançando no desenvolvimento do e-commerce.

O GMV online cresceu 112% no terceiro triemstre de 2020 na comparação anual (apenas considerando Magazine Luiza, B2W e Via Varejo). Segundo o BTG, a pandemia favoreceu empresas mais equilibradas ou mais poder de barganha com os fornecedores.

A B2W (BTOW3) adicionou R$ 2,6 bilhões em GMV no terceiro trimestre contra R$ 4,8 bilhões da Magazine Luiza, R$ 2,8 bilhões da Via varejo (para os dois considerando apenas online puro canal) e R$ 5,8 bilhões para MELI.

O e-commerce deve crescer em um ritmo secular em 2020 (com uma temporada de Black Friday ainda forte impulsionando os números consolidados), e é razoável supor uma tendência de desaceleração nos próximos trimestres (base de comparação forte + fim da ajuda emergencial no próximo ano + grande exposição às categorias que cresceram neste ano, como linha branca e eletrônicos).

Assim, o banco ainda espera uma tendência de consolidação persistente entre poucos players, considerando sua baixa participação na vendas totais no varejo e maior foco das empresas na melhoria dos níveis de serviço e aumentando o número de categorias vendidas.

Desempenho suportado por benefícios 

Principalmente apoiado pelo auxílio emergencial, as surpresas positivas com os últimos indicadores de atividade levantam o debate sobre o que poderia acontecer não só com as contas públicas, mas também com o desempenho da economia e do varejo, dependendo do extensão ou não da ajuda de emergência.

De acordo com o BTG, houve uma queda R$ 160 bilhões no total de salários desde março, mas isso foi mais do que compensado pelos R$ 223 bilhões em fundos liberados com auxílio emergencial.

O banco espera que alguns segmentos do varejo enfrentem uma realidade mais dura quando acabar o socorro emergencial. Isso porque ao analisar o consumo por classes de renda, as famílias de maior renda (que representam 70% do consumo total no país) adiaram o consumo este ano (queda 12%), abrindo espaço, em algumas categorias, para uma recuperação em 2021.

Varejo mais consolidado

No Brasil, o pequeno varejo responde por 37% do faturamento do setor e 97% de todas empresas mais expostas aos efeitos negativos da Covid-19, que levaram ao fechamento de lojas e a queda livre nos gastos do consumidor, forçando muitos varejistas a duras escolhas, incluindo desligamento temporário ou permanente e licença de funcionários.

Na crise de 2015 e 2016 no setor de varejo do Brasil, aproximadamente 200 mil varejistas (principalmente empresas menores) fecharam.

Em 2020, desde o início da pandemia, 135 mil lojas foram fechado (ou 10% da base da loja), principalmente por players menores. Até o início de 2020, a visão otimista do setor foi baseada em uma recuperação econômica gradual e na correlação com o desempenho das empresas. Agora, com alguns segmentos não voltando aos níveis de vendas de 2019 no próximo ano, o BTG vê o varejo muito mais como uma consolidação (ou de mais ganhos de market share) envolvendo empresas bem administradas / capitalizadas.

Varejo no curto prazo

De acordo com o BTG, a avaliação do setor de varejo não é barata (mediana de 32 vezes P/L para 2021 ante média de 22 vezes desde 2017), e o fim do auxílio emergencial devem significar pressão adicional sobre a renda disponível no próximo ano, apesar do efeito de transição das ajudas de emergência no início de 2021.

No entanto, juros ainda baixos, tendência de consolidação em alguns segmentos (favorecendo alguns varejistas), a mudança digital e a recuperação do consumo em alguns categorias (especialmente entre as classes de renda mais alta) devem mitigar esse efeito e volatilidade do setor.

Nesse sentido, combinando o crescimento do comércio eletrônico, empresas com forte planos de expansão e execução de prêmios, bem como uma tendência de recuperação esperada para alguns segmentos, as principais recomendações compra do BTG para o curto prazo são MercadoLibre (MELI), Magazine Luiza (MGLU3), Arezzo (ARZZ3) e Lojas Quero Quero (LJQQ3).

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