BTG (BPAC11) tem resultados do 3TRI20 que esbanjam confiança, diz BB Investimentos

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Com um resultado “à prova de críticas”, o balanço do terceiro trimestre de 2020 do BTG Pactual (BPAC11) evidenciou um banco esbanjando confiança, afirma o BB Investimentos nesta sexta-feira (13).

A análise ressalta que ainda que algumas áreas de características voláteis tenham apresentado resultado menor do que no trimestre anterior, todas as áreas de negócios com clientes tiveram crescimento. Assim, segundo o BB, isso evidencia a capacidade da gestão do BTG de manter a adaptabilidade em meio ao período desafiador imposto pela pandemia.

Receitas maiores

Segundo a análise de Rafael Reis, o mercado de capitais mais ativo no período alavancou as receitas da área de Banco de Investimentos, que registraram R$ 402 milhões (+81,4% t/t e +43% a/a). Assim, este foi um recorde trimestral, mesmo com menor atividade de M&A (fusões e aquisições).

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Já as áreas de Asset Management e Wealth Management, ressalta o BB, apresentaram saltos de 30,4% e 17,8% sobre o 2T20 e de 34,3% e 45,6% sobre o 3T19, respectivamente.

“Nestas, os volumes de Assets (AuM) e Wealth (WuM) sob gestão registraram recorde de captação no ano, de R$ 81 bilhões, distribuídos entre totais de R$ 329,3 bilhões (+8,3% t/t) e R$ 221,5 bilhões (+14,6% t/t), respectivamente, reforçando a percepção de confiança na instituição por parte dos investidores”, diz a análsie

O portfólio de Corporate Lending cresceu 19,4% no trimestre (+R$ 68,3 bilhões), e levou a linha ao resultado recorde trimestral de R$ 425 milhões (+40% t/t e +105,7% a/a).

Já a divisão de Sales and Trading reportou resultado de R$ 893 milhões, um recuo de 12% t/t prejudicada pelas condições voláteis e desafiadoras do mercado, com bom volume das mesas de crédito e juros, mas compensadas pelo movimento mais fraco de câmbio e ações. Em relação ao 3T19, o avanço foi de 11,5%.

Despesas crescem e lucro de R$ 1 bilhão

As despesas operacionais do BTG Pactual cresceram 4,6% no trimestre e 26,5% no ano.

O aumento foi significativo, diz o BB, mas não chega a ser um ponto negativo “já que as linhas que mais contribuem com o peso nas despesas, que são bônus e salários, viram saltos justificados, no primeiro caso, por conta da performance variável atrelada ao resultado do banco, e no segundo, graças às contratações no período”.

Só neste ano, o banco contratou 700 pessoas para a plataforma digital. Ou seja, em linha com a estratégia de diversificação do BTG de ingresso no mercado de varejo via crescimento orgânico e inorgânico.

Por fim, o lucro líquido do BTG ficou em R$ 1 bilhão, +2,5% t/t e estável a/a.

Já o Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio (ROAE) ficou em 16,3%, ante 17,4% no 2T20 e 19,4% no 3T19.

Perspectiva de crescimento do BTG

Se de um lado o lucro líquido cresceu “pouco” no trimestre, diz o BB, “de outro vemos a promessa de resultados mais robustos nos períodos vindouros”. Essa percepção se deve a três fatores:

  • Investimentos significativos em diversas frentes;
  • Aceleração da estratégia de varejo digital por meio da sua plataforma – que conta com vigoroso potencial de cross-sell (venda cruzada) em produtos bancários;
  • Um renovado foco em linhas de crédito corporativo, inclusive com expansão de quadro funcional.

Segundo o BB, a queda no ROE do BTG representa uma conta de nominador/denominador já que, especialmente no comparativo anual, o lucro líquido foi prejudicado não apenas por itens mais voláteis advindos da condição da pandemia, mas pelo ambiente de juros nas mínimas históricas, ao passo que o patrimônio líquido se elevou, muito por conta da capitalização promovida via aumento de capital recentemente.

“Vemos no BTG um banco capitalizado, com fome de crescimento tanto orgânico quanto inorgânico, abrindo novas avenidas de crescimento via crédito e mercado de capitais, com estrutura operacional adaptável e meritocrática. Enfim, tudo para ser um nome altamente beneficiado da retomada e estabilização dos negócios pós-Covid”, avalia o banco.

Revisão do preço-alvo do BTG

Com os dados positivos do trimestre, a recomendação do BB é de compra para o BTG Pactual. Mas o banco elevou o preço-teto do ativo para dezembro de 2021 em R$ 100,20.

Segundo a análise, há bons prognósticos para o BTG, porém, o preço das units do BTG de certa forma já reduziu o espaço de crescimento capturado pelo valuation.

“Os múltiplos parecem elevados, especialmente em comparação com a indústria bancária, mas em nossa análise são justificáveis pelo perfil mais aderente a “crescimento” do que “valor”; assim, vemos espaço para valorização, mas não esperamos que aconteça tão rapidamente quanto o visto em maio”, diz o BB.

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