BTG (BPAC11): Rede D’Or (RDOR3) tem resultados robustos no 4TRI20

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Com resultados operacionais recordes no quarto trimestre de 2020, a Rede D’Or (RDOR3) apresentou um conjunto robusto, segundo análise do BTG Pactual (BPAC11).

Os dados vieram em linha com as expectativas, que eram otimistas.

No geral, os resultados do 4T foram marcados pela retomada das frequências e pela recuperação das taxas de utilização (prejudicadas pelo surto da Covid-19 no início da crise).

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A Rede D’or registrou receita líquida (recorde) de R$ 4,17 bilhões (10% acima da projeção do BTG), um aumento de 22% a/a, impulsionado por leitos operacionais adicionais, maior ticket médio e a consolidação de ativos de M&A.

Além disso, o EBITDA totalizou R$ 1,018 bilhão (+ 20% a/a), atingindo níveis recordes e em linha com a estimativa.

O lucro líquido totalizou R$ 303 milhões (+ 7% a/a), pressionado por resultados financeiros líquidos mais fracos (+ 38% a/a), o que o deixou um pouco abaixo da estimativa de lucro ajustado (-10% vs. projeção do BTG).

O ROIC ajustado de 12 meses foi de 16,2% vs. 15,5% no 3T.

Crescimento orgânico de volta aos trilhos

As receitas foram a principal surpresa positiva dos resultados do 4TRI20 da Rede D’or.

A receita líquida do negócio de oncologia (6% da receita geral) cresceu 34% a/a, superando as vendas de serviços hospitalares/outros (+ 21% a/a).

Mas a margem EBITDA ajustada expandiu apenas 60 bps a/a para 27,4%, prejudicada pela equivalência patrimonial ainda pressionada (-R$ 21 milhões).

Olhando para os indicadores operacionais, o 4TRI20 apresentou 7,39 mil leitos operacionais (vs. capacidade total de 8,82 mil leitos), implicando em uma capacidade operacional de 84%, que foi melhor do que o nível do 3TRI20 conforme a frequência se recupera gradualmente.

Rede D’or é a preferida do BTG

Após o recente IPO (que trouxe R$ 8,4 bilhões em novos recursos), a dívida líquida da Rede D’Or (ex-IFRS16) caiu para R$ 5,6 bilhões (saindo de R$ 13 bilhões), implicando em 2,3x EBITDA dos últimos 12 meses (índice naturalmente impactado pela redução do EBITDA no 2T), ou um confortável múltiplo de 1x vs. EBITDA 2021E para outros movimentos de M&A.

A RDOR concluiu duas aquisições no 4TRI20, e os valuations foram finalmente divulgados: 52% de participação acionária na Cardio Pulmonar (onde já tinha uma participação de 48%) com 181 leitos localizados em Salvador-BA (ativo foi avaliado em R$ 283 milhões, ou R$ 1,56 milhão/leito); e São Lucas com 58 leitos localizados em Macaé-RJ (ativo avaliado em R$ 56 milhões, ou um atrativo R$ 0,9 milhão/leito).

Com essas duas fusões e aquisições, a Rede D’or concluiu a aquisição de seis hospitais em 2020, adicionando cerca de 1 mil leitos ao seu ecossistema.

Segundo o BTG, a Rede D’or é a “Top Pick” no setor de saúde.

Os analistas dizem que a rede oferece uma combinação atraente de momentum dos lucros (os resultados do 4TRI20 foram uma verdadeira prova desta tese); forte atividade de M&A, que deve adicionar 1 mil leitos por ano por meio de aquisições até 2025; valuation, que parece atraente considerando as perspectivas de crescimento robusto dos lucros (P/L 2022 de 48x, para um CAGR de LPA de 25% de 3 anos).

Assim, a recomendação é de compra até o preço de R$ 85.