BTG (BPAC11) vê Rede D’Or (RDOR3) como preferida às vésperas de balanços de saúde

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Novata na B3, a Rede D’Or (RDOR3) é a empresa do setor de saúde preferida do BTG (BPAC11).

Às vésperas de serem divulgados os balanços de saúde, o BTG fez uma análise sobre as principais empresas do setor listadas na Bolsa. Além da Rede D’Or, a análise também aponta otimismo com Sul América (SULA3), Hapvida (HAPV3) e NotreDame Intermédica (GNDI3).

A recomendação é de compra para os quatro ativos. “Principalmente por que esses players estão bem posicionados para desempenhar a maior tendência de consolidação na área da saúde. A Rede D’Or é a nossa principal escolha com base em uma dinâmica de ganhos muito atraente; forte atividade de fusões e aquisições; drivers de crescimento consideráveis; ​e alta lucratividade”, avaliam os analistas.

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O setor de saúde deve apresentar no 4TRI20 resultados mistos, aponta o BTG.

Sul America, Hapvida, NotreDame Intermédica e Odontoprev devem apresentar resultados orgânicos de crescimento de clientes, mas pior MLR (medical loss ratio), reflexo da retomada dos volumes e da maior demanda da segunda onda da Covid-19.

“Embora o quarto trimestre deva ser menos brilhante para os pagadores, será um ótimo trimestre para fornecedores, beneficiando-se de maiores volumes e melhores margens. Apesar de resultados mistos (embora não fracos), continuamos destacando a resiliência da indústria de saúde no 4º trimestre”, dizem os analistas Samuel Alves e Yan Cesquim.

 

Mais clientes para todo o setor

À luz das incertezas que emergiram da crise da Covid-19, a ANS (Agência Nacional de Saúde) publicou uma série de pesquisas mensais para rastrear as principais métricas no mercado privado de healthcare. Os dados são usados pelo BTG para calibrar as previsões do quarto trimestre.

Assim, os analistas acreditam que as seguradoras de saúde apresentarão MLRs mais altos no comparativo entre os anos.

Enquanto isso, os provedores devem postar outro conjunto de resultados sólidos, refletindo a retomada de volumes não emergenciais + efeitos positivos dos testes de Covid-19 e grandes volumes de hospitalizações.

Embora a impressão completa do quarto trimestre ainda não tenha sido fornecida pela ANS, as informações mais recentes mostram a resiliência da indústria de healthcare em um ambiente econômico ainda desafiador.

Dados de novembro da ANS apresentaram expansão de adesão do setor de 186 mil ​​m/m, enquanto a indústria odontológica adicionou 272 mil membros. Portanto, o quarto trimestre deve apresentar aumentos sólidos e orgânicos de clientes para quase todos os pagadores e números positivos para todo o sistema de saúde.

 

Destaques das operadoras de saúde

Rede D’Or (RDOR3)

O BTG espera que a RDOR3 publique resultados recordes no quarto trimestre (divulgado em 31 de março). Isso será reflexo do acúmulo de internações cirúrgicas e hospitalizações por conta da Covid-19. A expectativa é de receita líquida consolidada de R$ 3,8 bilhões (+ 11% a/a). O Ebitda ajustado deve ser elevado em 36% a/a para R$ 1,25 bilhão. Já o lucro líquido será de R$ 467 milhões, alta de 61% a/a. Recomendação: compra.

Hapvida (HAPV3)

Os resultados do quarto trimestre (divulgados em 18 de março) devem apresentar o aumento orgânico de clientes, enquanto a consolidação de aquisições recentes provavelmente garantirá outra rodada de expansão forte da empresa. HAPV3 deve crescer 192 mil clientes no quarto trimestre, com receita líquida consolidada de R$ 2,3 bilhões (+ 30% a/a). O Ebitda deve ter aumento de 23% a/a para R$ 462 milhões, e o lucro líquido ajustadodeve ficar em R$ 306 milhões (+ 20% a/a). Recomendação: compra.

NotreDame Intermédica (GNDI3)

Os resultados do 4TRI20 da Intermedica (25 de fevereiro) não devem ser tão fortes quanto os trimestres anteriores. Desta vez, devem ser afetados por um crescimento orgânico moderado (em termos de adesão) e MLR achatado, mas impulsionado pelas recentes fusões e aquisições. A previsão é de um aumento de + 61 mil membros no trimestre. O Ebitda ajustado deve ter aumento de 25% a/a para R$ 495 milhões, e um resultado final ajustado de R$ 228 milhões (+ 15% a/a). Recomendação: compra.

SulAmérica (SULA3)

A SULA deve reportar resultados mais leves (24 de fevereiro) marcados por crescimento orgânico decente. Mas prejudicado por MLR anormalmente alto (especialmente no quarto trimestre). A receita líquida deve ser de R$ 5,35 bilhões (-7% a/a). O lucro bruto deve ficar em R$ 738 milhões (-24% a/a), com um resultado final ajustado em R$ 277 milhões. Recomendação: compra.

Qualicorp (QUAL3)

A Qualicorp deve ter mais um conjunto de resultados moderados (23 de março), atingido pela rotatividade excepcionalmente. Os resultados do 4TRI20 provavelmente ainda apresentarão tendências suaves observadas em trimestres anteriores. A estimativa é de adesão de 88 mil membros t/t. O Ebitda ajustado deve cair 3% a/a para R$ 247 milhões. Recomendação: neutra.

Odontoprev (ODPV3)

O 4º trimestre (em 4 de março) deve ser positivo, com melhores adições líquidas orgânicas. A previsão é de um aumento de membros em 150 mil t/t. Mas compensado pela pressão de preços, que deve levar a uma contração da linha superior suave de 3% a/a a R$ 441 milhões. O Ebitda ajustado deve ser de R$ 114 milhões (+ 14,5% a/a) e resultado final de R$ 85 milhões (+ 18,5% a/a). Recomendação: neutra.

Fleury (FLRY3)

A empresa deve ter bons resultados trimestrais, refletindo normalização sólida de volumes combinados com um fluxo de receita ainda forte. Os resultados do 4TRI20 (25 de fevereiro) devem apresentar um forte SSS (same store sales). Como resultado, a receita líquida provavelmente expandirá 20% a/a para R$ 865 milhões. O Ebitda ajustado deve crescer 32% a/a para R$ 266 milhões. O lucro líquido deve chegar a R$ 113 milhões (+ 100% a/a). Recomendação: neutra.

Alliar (AALR3)

Os resultados do quarto trimestre (17 de março) devem apresentar números um pouco melhores, impulsionados por testes de Covid-19 e pela retomada parcial dos volumes. A projeção é de receitas líquidas de R$ 285 milhões (+ 9% a/a) e Ebitda ajustado de R$ 67 milhões (estável a/a). Devido a recentes mudanças em sua estrutura de dívida, seus resultados financeiros ainda devem ser pressionados, levando a um resultado financeiro de R$ 8 milhões. Resultado fraco, segundo o BTG, mas ainda o primeiro lucro líquido positivo do ano. Recomendação: neutra.

Análise do BTG sobre o setor de saúde: Rede D'Or, Sul América, Hapvida e NotreDame Intermédica são as preferidas

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