BTG Pactual eleva preço-alvo para ADR da Petrobras

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Petrobras

Depois de a Petrobras cortar investimentos no início desta semana, o BTG Pactual ficou mais otimista sobre a empresa, e aumentou o preço-alvo de US$ 10 para US$ 12, o que representa um potencial de alta de 46% sobre o preço atual. Além disso, o banco deu recomendação de compra e disse que o papel está “muito barato para ignorar”.

Em relatório, o banco disse que 2020 está sendo um dos anos mais difíceis da história da indústria de petróleo. Mesmo assim, o BTG destacou que a empresa está operando a 4 vezes o EV (valor da empresa)/Ebitda de 2021. Além disso, disse que um yield de fluxo de caixa livre de 22% é muito atraente para ser ignorado.

“Dividendos mais altos ainda estão a cerca de 18 meses de distância, mas reiteramos que a Petrobras é uma das nossas preferidas e tem valor atrativo.” Além disso, o banco destacou que a empresa avança bem em sua nova estratégia de investimentos.

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BTG gostou da revisão de investimentos

De acordo com o BTG, o pré-sal representa 71% do novo programa de investimentos da Petrobras, ante uma fatia de 59% anteriormente. Segundo o banco, é apenas uma questão de tempo para a Petrobras ser uma operadora exclusivamente offshore.

Segundo o BTG Pactual, a revisão dos investimentos foi muito bem vinda. Isso porque, ao longo dos últimos 10 anos, muitas promessas exageradas foram feitas quanto ao Capex da companhia. Ao ajustar o patamar de investimentos, a Petrobras demonstra mais alinhamento com a atual situação do mercado.

Dessa forma, segundo o BTG, a expectativa é de que a companhia gere um fluxo de caixa do acionista (FCFE) de 22% em 2021.

O impacto dos novos planos de investimentos será conhecido somente no Petrobras Day, encontro com investidores que acontecerá em novembro.

Novas diretrizes da Petrobras

A Petrobras afirmou que a revisão do portfólio está de acordo com as premissas de preço divulgadas nos resultados do primeiro trimestre. Além da desvalorização do real, a companhia apontou três diretrizes que nortearam os cortes de investimentos:

Redução da alavancagem

Segundo a empresa, a meta de sua dívida bruta, que é US$ 60 bilhões, deverá ser atingida até 2022.

Prioridade para projetos mais rentáveis

Nesse sentido, a companhia priorizará projetos que se sustentem com o preço do petróleo até US$ 35 por barril.

Revisão de toda a carteira de investimentos

Para a companhia, a revisão dos investimentos visa maximizar o valor do portfólio do E&P. Isso porque terá foco em ativos de classe mundial, dos quais a Petrobras é dona natural.

Além disso, segundo a empresa, esses ativos são resilientes a preços mais baixos de óleo. Dessa forma, Búzios e todos os ativos do pré-sal terão ainda mais importância dentre os investimentos da companhia.

Queda nos preços do petróleo

Segundo a Petrobras, a revisão do Capex (investimentos em bens de capital) reflete os impactos causados pela Covid-19 na indústria de óleo e gás (O&G). Isso ocorre devido ao preço do petróleo, que se mostra persistentemente mais baixo.

Gradativamente, o mercado do petróleo começava a se recuperar da crise causada pela pandemia. Entretanto, com os sinais de uma segunda onda da Covid, o desempenho novamente recuou.

Ou seja, o cenário internacional, que ensaiava recuperação, voltou ao nível de alerta anterior.

A China, por exemplo, desacelerou o ritmo de importações, e grandes produtores do Oriente Médio reduziram os preços dos barris. Por outro lado, a Índia pode registrar queda no consumo anual de petróleo. Se isso acontecer, será a primeira vez em quarenta anos.

Outra situação crítica é a das companhias aéreas. Nesse sentido, continuam as demissões em massa, e já não há mais o efeito positivo do aumento de demanda por causa do verão no hemisfério norte.

Conforme previsão de analistas do Bank of America, “assumindo que haja uma vacina ou cura, a demanda por petróleo deverá levar três anos para se recuperar da Covid.”