BTG Pactual (BPAC11): crescimento do varejo se concentrará em cidades menores

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: BTG Pactual/Divulgação

Segundo análise divulgada pelo BTG, nos últimos anos, os principais varejistas do Brasil têm expandido continuamente sua presença além de seus mercados domésticos. Mas o varejo brasileiro ainda é um mercado fragmentado, com forte atuação de players locais, que são os verdadeiros vencedores em algumas regiões/segmentos.

Cidades com menos de 300 mil habitantes (61% da população do Brasil) já representam 49% do PIB e essa parcela deve continuar aumentando.

O crescimento do varejo deverá se concentrar cada vez mais em cidades menores, diz o BTG. Mas os desafios são crescentes para estabelecer uma presença local.

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“Mudar para cidades menores apresenta vários desafios que os varejistas podem ter dificuldade em abordar de forma lucrativa e eficaz. Como a população de cidades menores é menos densa, a demanda é mais ‘fragmentada’ em relação aos principais centros, tornando difícil para grandes varejistas operar e competir com empresas regionais e lojas familiares”, afirmam os analistas Luiz Guanais, Gabriel Savi e Victor Rogatis.

De acordo com o IBGE, as cidades menores (abaixo de 50 mil habitantes) têm renda média inferior às cidades médias/grandes (50% da população de cidades abaixo de 25 mil habitantes tem uma renda média abaixo de R$ 750 /mês, vs. 1% da população para cidades acima de 300 mil habitantes).

A distribuição e a logística também são um gargalo de crescimento, assim como o complexo sistema tributário do Brasil (as taxas variam entre estados).

Muitos varejistas também lutam para entender os padrões do consumidor, preferências e comportamento em pequenas cidades enquanto lidam com a demanda “fragmentada”.

Mas com o crescimento do canal online e, mais importante, o desenvolvimento de uma proposta omnicanal, os grandes varejistas têm um aliado poderoso para apoiar a expansão em cidades menores, ganhando mais distribuição, escala e uma vantagem sobre pares menores.

Ter atuação nacional é oportunidade para apenas alguns varejistas

No relatório o BTG analisou uma amostra de 12 empresas, mapeando a distribuição de suas lojas por porte de cidade e por renda média.

Vários varejistas estão tentando ampliar sua atuação nacional, inicialmente com foco nas principais cidades, mas a penetração nas cidades menores (geralmente com renda média mais baixa) permanece baixa.

“57% das lojas de nossa amostra estão em cidades com mais de 300 mil habitantes e 53% em cidades com renda média acima de R$ 1,5 mil (camada superior), em linha com a composição do PIB, mas apenas 24% estão em cidades com menos de 100 mil habitantes”.

Empresas como Lojas Quero Quero, Grupo Mateus, Magazine Luiza e Lojas Americanas são os que, na análise do BTG, têm uma participação maior de suas lojas em cidades menores (83%, 68%, 50% e 31%, respectivamente, em cidades com menos de 100 mil habitantes), enquanto Petz, C&A e Track & Field operam principalmente nos principais centros das cidades.

O BTG destaca que “o sucesso nacional é uma oportunidade valiosa, mas apenas para alguns varejistas”.

“O sucesso foi mais uma exceção do que uma regra. Desafios logísticos, diferenças regionais nas preferências do consumidor, sistemas tributários complexos e fortes players impediram, em muitos casos, histórias regionais de sucesso de ‘irem para o nacional’”, afirmam os analistas.

Local x nacional

Durante anos, segundo o BTG, Lojas Americanas, Arezzo, Raia Drogasil e Magazine Luiza foram além suas fronteiras, explorando o potencial das cidades pequenas e aproveiteram (com alguma dor) suas capacidades de distribuição e marca forte, ao mesmo tempo em que adaptam o formato das lojas para cidades menores (embora ainda haja mais espaço para eles nas cidades menores).

Lojas Quero Quero já nasceu com um DNA no interior (focada principalmente em cidades com menos de 50 mil habitantes, inicialmente na região Sul, mas configurada para expandir para outros Estados).

Recentemente Petz e Track & Field também seguiram uma estratégia mais nacional em sua expansão.

“Mas enquanto vemos grandes varejistas ‘nacionalizar’, este ciclo virtuoso (mais lojas, reconhecimento de marca e ganhos de participação de mercado) será apenas para algumas empresas, exigindo processos e controles de primeira linha e concorrência de fortes participantes regionais”, pontuam os analistas.

Abaixo, o BTG lista 12 empresas e a presença delas (em percentual) em diferentes tamanhos de cidades (dividido pelo tamanho populacional de cada município).

Análise BTG varejo cidades