BTG (BPAC11) se torna o maior comprador de imóveis comerciais do país

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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O BTG Pactual (BPAC11), por meio dos fundos administrados pelo banco, se tornou o maior comprador de imóveis comerciais no Brasil, de acordo com matéria da Bloomberg.

Os fundos do BTG investiram R$ 3,59 bilhões em galpões logísticos, prédios de escritórios e títulos lastreados em crédito imobiliário neste ano.

O dinheiro veio de investidores e chegou a R$ 4 bilhões.

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Assim, o BTG lidera a captação no setor, segundo Michel Wurman disse à Bloomberg. Ele é sócio responsável pela área imobiliária do banco com sede em São Paulo.

“Estamos acelerados, aproveitando oportunidades com a crise”, disse. “Essa é a chance de comprarmos imóveis insubstituíveis”.

BTG Pactual Corporate Office

BTG Pactual Corporate Office (BRCR11) é um fundo imobiliário constituído em 2007, que investe na compra de imóveis comerciais localizados em grandes centros, como shopping centers ou vias de grande movimento.

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Esses imóveis podem ser prontos ou em fase final de construção.

Em julho último, realizou sua 7° emissão.

Ao todo foram distribuídas 3.720.000 novas cotas, o correspondente a, aproximadamente, R$ 314,6 milhões já líquido do custo de distribuição.

Também em julho o fundo concluiu a aquisição de todas as unidades do edifício Morumbi Corporate. O valor total da aquisição foi de R$ 810 milhões.

O objetivo do BRCR11 é gerar renda com a venda, locação ou arrendamento das unidades comerciais.

Entre seus principais locatários estão ACE Seguradora, Anbima, Linkedin, Ernst & Young, Acticall, Wipro e Petrobras.

Atualmente, 70,3% da receita total contratada do fundo provém de empreendimentos em São Paulo. Os restantes 29,7% são referentes a imóveis localizados no Rio de Janeiro.

BTG Pactual Logística

Há também o BTG Pactual Logística (BTLG11), outro fundo de investimento imobiliário.

É um fundo imobiliário do tipo tijolo, ou seja, seus investimentos são direcionados sobretudo a empreendimentos imobiliários físicos. Atualmente, o fundo possui exclusividade para a negociação ou está em processo de diligência, de 6 imóveis.

Sustentando o mercado

“Os Fundos Imobiliários têm muito com o que trabalhar atualmente no Brasil”, explica a Bloomberg.

Isso porque as taxas de juros em baixas recordes oferecem aos investidores oportunidades que prometem rendimentos maiores.

De acordo com a B3 (B3SA3), a empresa que administra a bolsa de valores brasileira, os Fundos Imobiliários de capital aberto captaram R$ 18 bilhões no mercado primário este ano no Brasil e se tornaram os principais compradores de imóveis comerciais no Brasil.

O BRCR11 e o BTLG11 entre eles.

Esses fundos são responsáveis ​​por cerca de 90% dos R$ 8,5 bilhões em edifícios comerciais de alto nível que devem ser vendidos na cidade de São Paulo e Alphaville em 2020.

No ano passado, os fundos compraram 40% dos R$ 9,1 bilhões vendidos, informou a CBRE, de acordo com a Bloomberg.

Crise e oportunidade

“No passado, o mercado imobiliário comercial no Brasil era um mercado para quatro ou cinco gringos e muito poucos players locais, e agora isso mudou completamente”, disse Wurman.

Entretanto, com a queda do da moeda nacional frente ao dólar, isso mudou, afastando os estrangeiros.

E abriu uma oportunidade para fundos como os do BTG, que fez em abril uma oferta para comprar o Diamond Tower, um prédio de escritórios em São Paulo.

“A chance de comprar um ativo dessa qualidade, com inquilinos de primeira linha, aparece apenas em uma crise”, disse Wurman.

O BRCR11 pagou R$ 840 milhões pela torre e negociou dois anos de renda mínima garantida para o fundo.

Segundo a Bloomberg, um contrato de renda mínima também foi negociado para a aquisição de R$ 1,2 bilhão, da Brookfield Properties Group, do EZ Tower B, um edifício de escritórios de alto padrão na Chácara Santo Antônio, em São Paulo.

O BTG também conseguiu três galpões logísticos desenvolvidos pela GLP, em Jundiaí, por R$ 500 milhões. Outros negócios totalizando R$ 400 milhões foram investidos em galpões logísticos de empresas como a Natura Cosméticos e a BRF.

Já o BTLG11 investiu em um projeto de desenvolvimento no lugar onde estava situada a icônica fábrica de automóveis da Ford em São Bernardo do Campo. “O projeto de R$ 1,1 bilhão a ser desenvolvido incluirá 12 instalações logísticas totalizando 460.000 metros quadrados, localizadas a cerca de 10 km do centro da cidade de São Paulo. O investimento dos fundos do BTG é de R$ 250 milhões”, noticiou a Bloomberg.

Preços em queda

Wurman disse que os preços dos edifícios de escritórios de alta qualidade nas áreas mais procuradas de São Paulo caíram até 20%, e se recuperaram para níveis 5% a 10% abaixo de onde estavam antes da pandemia.

E há os hotéis e shopping centers, destruídos pela pandemia: “os preços estão muito baixos e há algumas pessoas com enormes necessidades de caixa”.

Contudo, os shoppings se reergueram com a reabertura. Mas as oportunidades ainda estão por aí.

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