BTG Pactual (BPAC11) projeta que incorporadoras devem apresentar resultados fortes no 3T20

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Divulgação

O BTG Pactual (BPAC11) apresentou seu relatório com a previsão dos resultados para o terceiro trimestre das empresas imobiliárias listadas no Brasil. São elas: Cyrela (CYRE3), MRV (MRVE3), EzTec (EZTC3), Direcional (DIRR3), Even (EVEN3), Helbor (HBOR3), Trisul (TRIS3), Mitre (MTRE3), Lavvi (LAVV3) e Lopes (LPSB3).

“No geral, esperamos um trimestre forte em todas as áreas, como já sinalizado pelos números operacionais divulgados pelas empresas”, abre o banco.

Os lançamentos consolidados cresceram 35% anualmente e as vendas líquidas aumentaram 42%, também na comparação anual.

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“Consequentemente, esperamos um crescimento de receita de 19% ano a ano para o setor”, diz.

Para o Ebitda (o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), auxiliado pela alavancagem operacional, pode crescer 28%.

BTG projeta resultados fortes

Os resultados das construtoras residenciais de média e alta renda não têm sido fortes há algum tempo, mas será no terceiro trimestre, prevê o BTG.

“Acreditamos que a combinação das taxas de hipoteca mais baixas de todos os tempos e forte demanda reprimida, após vários anos de crise do setor, levou a uma forte recuperação nas vendas de residências”, diz.

Para o banco, o setor imobiliário “ignorou” os impactos do Covid-19.

No terceiro trimestre, as construtoras de média e alta renda registraram um crescimento de 52% na comparação anual em lançamentos e 45% em vendas.

“Esperamos que isso possa gerar um aumento de 28% na receita, com Ebitda crescendo 60%, já que as margens também estão aumentando”, prevê o BTG, sempre em comparações anuais.

Já as construtoras residenciais de baixa renda também apresentam um desempenho “extremamente bom”.

Semelhante aos pares de renda acima, a demanda por casas Minha Casa Minha Vida (MCMV) não foi afetada pela Covid-19 e o terceiro trimestre “será sólido”.

“Mais importante ainda, as empresas listadas vêm ganhando participação de mercado no MCMV, pois têm feito fortes esforços de vendas e marketing, que provaram seu valor e foram muito eficazes durante a pandemia”, diz o BTG.

Os lançamentos crescem 15% ano a ano no 3T20. “Esperamos um crescimento de receita de 9%”, na comparação anual.

Cyrela (CYRE3) deve se destacar

Cyrela deve ser o destaque positivo, segundo o BTG.

“Com a maioria das empresas prontas para curtir um bom trimestre, vemos a Cyrela como a estrela do show”, exalta o relatório do BTG.

Lançamentos devem crescer 559% em relação ao trimestre anterior e 52% em relação ao terceiro trimestre de 2019.

Vendas também devem dar um salto: 204%, comparando-se com o segundo trimestre, 56%, comparando-se com o terceiro de 2019.

O banco espera um bom crescimento de receita e expansão de margem (os preços de venda estão aumentando).

Além disso, deve reconhecer enormes ganhos com o IPO de suas subsidiárias (Lavvi, Plano & Plano e Cury), o que provavelmente garantirá “lucro impressionante” e geração de fluxo de caixa.

A Cyrela divulga seu balanço dia 12 de novembro, uma quinta-feira, após o fechamento.

MRV (MRVE3)

A MRV divulga seu balanço em 11 de novembro, após o fechamento.

O BTG projet receita de R$ 1,723 bilhão, acréscimo de 10% na comparação anual, em vendas mais fortes e maiores volumes de construção.

Além disos, prevê margem bruta de 31,1% (ex-juros) ou 28% pós-juros. Margem Ebitda ajustada pode chegar a 14,9%.

O lucro líquido deve totalizar R$ 127,10 milhões, queda de 21% no ano a ano, com ROE anualizado de 9,1%.

EzTec (EZTC3)

A divulgação do balanço é em 12 de novembro.

A previsão do BTG é de receita líquida de R$ 275,5 milhões, acréscimo de 47% na comparação anual, “principalmente devido ao aumento nas vendas de estoque”.

A margem bruta de deve ser de 42% (antes dos juros), enquanto a margem Ebitda ajustada pode chegar a 22,9% (para Ebitda ajustado de R$ 63 milhões).

O lucro líquido deve ficar em R$ 108,1 milhões, crescimento de 76% em um ano, para um ROE de 10,8%.

A queima de caixa deve ser de aproximadamente R$ 100 milhões, devido à compra de terrenos.

Direcional (DIRR3)

A Direcional solta seu balanço após o fechamento do pregão de 9 de novembro, segunda-feira.

A expectativa é de uma receita líquida de R$ 380,8 milhões no terceiro trimestre, um crescimento de 4% na comparação anual.

A margens brutas devem ficar em 35,9% (antes dos juros).

A margem Ebitda pode chegar a 15,3%, impactada por despesas pontuais relacionadas ao IPO da Riva, cancelado em julho.

O lucro líquido deve ser de R$ 27,1 milhões, mais 4% na relação anual, com ROE anualizado de 8%.

A corretora Lopes também pode ter um desempenho muito bom, com as vendas se recuperando e a CrediPronto contribuindo com lucros expressivos no terceiro trimestre.

Even (EVEN3)

Dia 12 de novembro, após o fechamento do mercado, a Even divulga seu balanço do terceiro trimestre.

O BTG espera receita líquida de R$ 488,4 milhões, uma alta de 36% anualmente.

A margem bruta deve ser de 32% (antes dos juros), enquanto o Ebitda ajustado pode totalizar R$ 78,9 milhões.

O lucro líquido deve vir em R$ 0,20 por ação, alta de 155% na comparação anual, implicando ROE de 9,4%.

Helbor (HBOR3)

No dia 11 de novembro, será divulgado o balanço do terceiro trimestre da Helbor, após o fechamento do mercado.

A projeção do BTG é de uma receita líquida de R$ 289,8 milhões, crescimento de 6% na comparação anual e 61% na trimestral.

O motivo é o aumento nas vendas de estoque.

O Ebitda ajustado pode chegar a R$ 42,5 milhões, um grande aumento de 106% na comparação anual.

O BTG estima lucro líquido de R$ 9,6 milhões, para um ROE anualizado de 3,1%.

Trisul (TRIS3)

O resultado da Trisul será divulgado em 12 de novembro, após o fechamento do mercado.

A receita líquida deve totalizar R$ 233,7 milhões, uma alta de 17% e relação ao segundo trimestre e de 7% no anual.

O Ebitda ajustado pode ser de R$ 57,3 milhões, o que representa um aumento de 9% em relação ao terceiro trimestre de 2019, com margem de 24,5%.

O lucro líquido deve ficar em R$ 0,28 por ação, implicando ROE anualizado de 17,9%.

“Esperamos uma queima de caixa de mais ou menos R$ 60 milhões devido à aquisição de alguns terrenos no terceiro trimestre”, lembra o BTG.

Mitre (MTRE3)

A Mitre divulga seu balanço do terceiro trimestre dia 10 de novembro, após o fechamento do mercado.

O BTG prevê uma receita líquida de R$ 133,7 milhões, impulsionada por fortes vendas líquidas, que aumentam em 394% na anualidade.

O Ebitda ajustado pode totalizar R$ 24,7 milhões, com margem de 18,5%.

Pelas projeções do banco, o lucro líquido pode chegar a R$ 19,3 milhões, ou R$ 0,18 por ação, com ROE de 7,8%.

O cash burn deve ser de R$ 80 milhões, devido à maior compra de terrenos.

Lavvi (LAVV3)

A Lavvi estreou na bolsa em setembro e divulga seu balanço do terceiro trimestre em 12 de novembro, pouco antes do fechamento do mercado.

O BTG projeta receita líquida de R$ 75,4 milhões, graças às vendas de estoque.

O Ebitda ajustado pode totalizar R$ 20,1 milhões, com margem de 26,7%.

Já o lucro líquido deve ser de R$ 16,9 milhões, ou R$ 0,11 por ação), implicando num ROE anualizado de 7,6%.

Lopes (LPSB3)

Dia 11 de novembro após o fechamento do mercado, a Lopes (LPSB3) divulga seus números referentes ao terceiro trimestre.

Espera-se vendas de R$ 2,15 bilhões, sendo R$ 1,3 bilhão de operações próprias e R$ 900 milhões de franquias, uma alta de 84% na comparação com o trimestre anterior.

A receita líquida deve ser de R$ 47,8 milhões, ou mais 25% ano a ano, impulsionada pela CrediPronto.

O Ebitda ajustado pode chegar a R$ 23,2 milhões, ou mais 64% anualmente, com margem de 48,5%.

O lucro líquido pode ficar “em bons” R$ 0,06 por ação, recuperando de perdas relatadas em trimestres anteriores.

Conclusão do BTG

A perspectiva do setor é ótima, mas a macro não está ajudando.

Entretanto, o BTG Pactual permanece otimista com o cenário.

“As perspectivas para as moradias brasileiras continuam boas, já que as taxas de hipotecas estão muito baixas e a demanda por novas casas está crescendo”, segue o relatório.

Para o banco, “as empresas estão mais preparadas para surfar um ciclo melhor, e esperamos um bom aumento de rentabilidade”.

O desempenho das ações tem sido impulsionado pela perspectiva macro e a aversão ao risco do investidor está impedindo uma recuperação no setor.

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