BTG Pactual (BPAC11) eleva preço-alvo para JSL (JSLG3)

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: JSL

A equipe do BTG Pactual (BPAC11) realizou um evento com a JSL (JSLG3), representada por Ramon Alcaraz (novo CEO), Guilherme Sampaio (CFO) e Denys Ferrez (CFO do Simpar), para uma atualização da tese de investimento pós-segundo trimestre.

De forma resumida, os principais insights foram:

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  • A JSL quer um equilíbrio entre ativos leves e segmentos de ativos pesados e tem uma carteira de R$ 2,5 bilhões em novos contratos;
  • Está focando em iniciativas de corte de custos para mitigar parcialmente os preços mais altos de insumos;
  • As fusões e aquisições continuarão desempenhar um papel fundamental, visto que o setor de logística no Brasil ainda é bastante fragmentado;
  • As sinergias de opex das empresas adquiridas já representam 2% da receita bruta (ou seja, integração dos alvos foram um sucesso).

Assim, o BTG atualizou seu modelo para: (i) incorporar as mais recentes fusões e aquisições; e (ii) atualizar as estimativas operacionais, financeiras e as premissas macro.

O novo preço-alvo para JSLG3 agora é de R$ 16, acima de R$ 13, implicando em 51% de potencial.

O evento reforçou a visão construtiva sobre a ação, que combina um incomparável modelo de negócios (plataforma de logística nº 1 do Brasil), perspectivas de crescimento atraentes (recuperação no crescimento orgânico e muito espaço para crescer inorgânico) e valuation barato (9,6x Preço/lucro 2022).

Diversificação da receita traz resiliência

A administração da JSL disse que a diversificação da receita e os contratos de longo prazo foram fundamentais para trazer resiliência à empresa, mitigando em parte o cenário difícil no segmento automotivo (20% do faturamento), que sofre com a falta de veículos em meio à escassez de semicondutores.

Eles estão buscando um equilíbrio entre ativos leves e ativos pesados contratos e possuem uma carteira de R$ 2,5 bilhões em novos contratos.

Segundo o BTG, a capacidade da empresa de manter um mix equilibrado de contratos de ativos pesados é a chave para manter uma barreira de entrada clara e relacionamento de longa data com os clientes.

“Este backlog está relacionado a contratos em diferentes segmentos, incluindo aqueles onde eles ainda são fracos, como gestão de instalações (divisão asset-light com alto retorno, ajudando a ganhar penetração em grandes clientes)”.

A JSL também está com vontade de expandir sua presença além do Brasil (além do Brasil, estão em cinco países da América do Sul), ajudados por aquisições mais recentes, como a Marvel, que faz a entrega rotas fora do Brasil.

Aumentos de preços para compensar o aumento nos custos de insumos

Em relação ao recente aumento nos preços dos insumos, a JSL disse ter negociado dois aumentos de preços com os clientes este ano, refletindo o aumento dos custos desde o início de 2021.

Para compensar os custos crescentes, a gestão está focada em iniciativas de corte de custos: (i) melhor gerenciamento das rotas; (ii) mais digitalização (investiram R$ 25 milhões em tecnologia.

Combinado com as sinergias de empresas adquiridas, isso deve compensar o forte aumento de custo nos próximos meses, principalmente impulsionado por maiores custos de combustível.

“Ramon será de grande ajuda aqui, já que sua antiga operação (Fadel, adquirida pela JSL no último ano) foi uma referência da indústria em custos e retornos, aprendendo diretamente com seu maior cliente, a Ambev”, diz o BTG.

Os retornos da JSL aumentaram 600 bps a/a no 2º trimestre, melhorando sua alocação de capital, com menores necessidades de capital de giro e boa gestão de custos.

Crescimento inorgânico da JSL deve continuar

Desde o IPO da JSL, a empresa fez 5 aquisições: 2 já conhecidas durante o processo de IPO (Fadel e Transmoreno) e 3 novos negócios (TPC, Rodomeu e Marvel).

As aquisições totalizam R$ 1,7 bilhão em receita bruta anualizada (50% do pré-IPO da receita da JSL), adicionando novos setores, como gás e produtos químicos, transporte de veículos novos e distribuição urbana.

A administração sinalizou várias sinergias esperadas: (i) melhor estrutura de capital e, portanto, taxas de juros mais baixas; (ii) melhor poder de barganha com fornecedores; e (iii) venda cruzada devido a grandes sinergias de serviço para clientes.

As sinergias Opex das aquisições foram em média 2% da receita bruta (10 a 20% do lucro líquido de cada empresa).

Assim, em termos de tamanho para novas aquisições, a gestão está buscando fusões e aquisições com faturamento de R$ 300 a 500 milhões.

As negociações com a Tegma estagnaram, embora a exposição à indústria automobilística continua estrategicamente interessante.

Em relação a privatização dos Correios, a administração vai avaliar a oportunidade, embora o processo ainda esteja em seus estágios iniciais.

Seu pipeline de fusões e aquisições permanece ativo, e o crescimento inorgânico deve permanecer um pilar fundamental de crescimento. Mais importante, os negócios recentes têm fundamentos sólidos (melhor alavancagem e EBITDA do que JSL), deixando mais espaço no balanço para que a JSL aloque continuamente capital para novas aquisições.

Avaliação do BTG para JSL

O BTG também atualizou as estimativas para JSL para: (i) incorporar os números mais recentes e as aquisições e (ii) atualizar nossas premissas operacionais, financeiras e macro.

“Estamos, portanto, ajustando nossas estimativas para 2021 e 2022 de receitas líquidas em 13% e 32%, EBITDA em 22% e 26% e lucro líquido em 11% e 16%. Sinalizamos que não estamos considerando fusões e aquisições adicionais além das já anunciados”, diz o BTG.

Assim, os analistas estimam que as novas fusões e aquisições podem somar R$ 2,5 a 5 bilhões de receitas líquidas e R$ 438 a 1.000 milhões de EBITDA, o que poderia aumentar o preço-alvo em R$ 2 a 4 para R$ 18 a 20.

Por fim, o BTG reitera sua nossa visão otimista sobre a tese de investimento, que apresenta um sólido modelo de negócios e muitas oportunidades de crescimento.