BTG (BPAC11): cautela fiscal e inflação no radar devem manter Selic em 2%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Agência Brasil/Divulgação

O BTG Pactual (BPAC11) divulgou nesta terça-feira (15) relatório em que reafirma a expectativa de manutenção da Taxa Selic em 2,0% ao ano.

No começo da noite de hoje, o Comitê de Política Monetária (Copom) encerrou o primeiro dia de reuniões para Selic.

Nesta primeira reunião, o Copom apresentou uma análise conjuntural brasileira.

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“O comunicado do Copom desta quarta-feira (16) tende a reforçar o tom cauteloso da última reunião”, diz o BTG.

Nela, o BCB (Banco Central do Brasil) “deixou claro que ‘…devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para a utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno'”.

Análise de possibilidades

Para o banco, “de lá para cá, o espaço para estímulos monetários adicionais reduziu significativamente”.

Isso “tanto pela elevação do risco fiscal, quanto pelas recentes revisões altistas para a expectativa de inflação”.

Do lado fiscal, o BTG Pactual diz que as reformas enviadas trazem pouca clareza sobre impacto nas contas públicas.

Não são reformas que retiram a “preocupação do mercado sobre a trajetória da dívida da união”.

“Adicionalmente, a possibilidade de derrubada do veto presidencial sobre a desoneração da folha de pagamentos pelo congresso tende a descumprir a regra do teto de gastos já em 2021”, analisa o relatório.

Isso pressionaria os juros futuros e colocaria maiores prêmios de risco na economia brasileira.

De fato, ainda não há acordo na questão do veto à renovação da desoneração da folha para 17 setores.

A sessão no Congresso que estava marcada para amanhã, 16 de setembro, foi adiada para o dia 30.

O governo tenta ganhar tempo.

BTG Pactual e a inflação

Outro ponto importante é a inflação.

Chama a atenção como a desvalorização cambial tem impactado o IGP-M.

Além disso, o dólar influencia “os preços ao produtor (IPA) e os preços ao consumidor de alimentos”, lembra o banco.

“Logo”, segue o relatório, “é possível que alguma preocupação adicional em relação ao repasse de preços ao consumidor apareça no comunicado, seja em bens industriais por conta do câmbio, seja em serviços quando a atividade econômica retomar fôlego nos próximos trimestres”.

Contudo, o BTG ressalta que a trajetória benigna do IPCA em relação ao centro da meta e a manutenção da política monetária expansionista nos EUA deverão ser ponderadas no comunicado.

São fatores positivos para o atual grau estimulativo da política monetária brasileira.

“Logo, encerrar o movimento de expansão monetária junto a um comunicado mais cauteloso poderia ser a estratégia adequada vis-à-vis o balanço de risco local e a atual volatilidade do real frente a moeda americana”, encerra.