BTG Pactual (BPAC11) analisa as eleições nos EUA, com possível vitória de Biden

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / NDLA

Na terça-feira (3), os eleitores norte-americanos vão finalmente definir quem querem como presidente do país. De um lado, o atual ocupante do cargo, Donald Trump; do outro, o democrata Joe Biden.

O BTG Pactual (BPAC11) publicou um relatório sobre os aspectos dessa disputa, apontando as chances de cada um e o que pode acontecer com o mercado.

Ainda há muita incerteza, por conta do próprio aspecto da eleição: o voto é facultativo e é o colégio eleitoral que acaba definindo o vencedor.

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Ou seja, não necessariamente quem tem mais votos populares é eleito e sim quem conquista a maioria dos votos dos 538 delegados distribuídos nos 51 estados do país.

Pesquisas

Há algum tempo, Joe Biden vem liderando as pesquisas de intenção de voto.

Há poucos dias das eleições, a média das pesquisas, calculada pela empresa Real Clear Politics, dia 29 de outubro, mostra uma desvantagem para Trump. Joe Biden aparece, em média, com 51% das intenções de votos, enquanto o republicano tem 44%.

A pesquisa realizada entre 15 e 18 de outubro pelo jornal The Economist, aponta que Biden apresenta vantagem nos votos das
mulheres e dos eleitores não-brancos.

Além disso, conquista o voto de alguns grupos tradicionalmente republicanos que estão insatisfeitos com a postura do atual presidente em relação à pandemia.

Eleitores não-brancos serão decisivos nesta eleição, muito pelo o que aconteceu em 2020, depois do assassinato de George Floyd, em 25 de maio, por um policial branco, e que desencadeou fortes protestos e conflitos por todo país.

A pesquisa também aponta para uma liderança de Biden junto aos eleitores latinos, que vem crescendo em swing states como Arizona e Flórida.

Mas algumas pesquisas sugerem que Biden é menos popular neste segmento do que foi Barack Obama em 2012 ou Hillary Clinton em 2016.

Swing states são aqueles estados que não são fiéis a nenhum dos dois grandes partidos e mudam de cor eleição a eleição.

Os swing states são importantes porque são imprevisíveis. São 13 e, entre eles, há alguns decisivos, como a Flórida e o Colorado.

A previsão, enfim, é que Joe Biden tenha por certo 207 delegados e outros 72 que possivelmente ficariam com ele, totalizando 279, suficiente para ganhar.

São precisos 270 para sacramentar a vitória.

Trump teria por certo 83 delegados e mais 42 que possivelmente dariam seu voto a ele, totalizando apenas 125.

Outros 134 estaria indecisos, mas não seriam suficientes para levar Trump à vitória.

Aprovação de Trump

Um fator que tem sido importante para os analistas compreenderem as tendências do eleitorado está na aprovação do atual presidente, Donald Trump.

Pesquisa realizada pela Bloomberg, até o dia 29 de outubro, aponta que Trump tem a pior popularidade após o primeiro mandato nas últimas 7 eleições presidenciais: 56% desaprovam seu governo, contra 44%, que aprovam.

Em 1996, o democrata Bill Clinton tinha 59% de aprovação. Foi reeleito, conquistando 31 estados e o Distrito Federal (Washington), com vantagem de 8 pontos percentuais no voto popular.

Quatro anos antes, Clinton havia ganhado de George Bush pai, que tinha 33% de aprovação e tentava a reeleição.

Em 1980, o democrata Jimmy Carter tentava a reeleição, mas tinha apenas 38% de aprovação popular. Ronald Reagan venceu em
conquistando 44 estados, com vantagem de 9 pontos percentuais no voto popular.

Em 2004, George Bush filho foi reeleito, quando tinha 47% de aprovação. Mas foi uma margem bastante apertada, de apeas 2 pontos percentuais.

Barack Obama, em 2021, com 49% de aprovação, também foi reeleito em margem apertada de 4 pontos percentuais.

Ou seja, dados históricos de aprovação indicam que os presidentes mal avaliados ao final do primeiro mandato, não conseguiram se
reeleger.

BTG analisa as expectativas de mercado com a vitória de Trump

Os riscos para o mercado são um tanto consensuais.

No caso de uma vitória de Trump, a guerra comercial entre China e EUA tende a uma elevação do protecionismo e consequente redução nas expectativas de atividade econômica global.

Não é algo que o mercado deseja. A experiência do começo de 2020, quando os dois países tratavam da chamada Fase 1 do acordo, mostrou as consequências.

Além disso, Trump é publicamente um negacionista com relação à crise da Covid-19. Não são poucas as declarações que vão contra as indicações médicas, como, por exemplo, o uso de máscaras.

Ele tenderia a manter políticas sociais mais flexíveis em relação ao combate à Covid-19.

Há ainda o pacote de estímulo fiscal, que seria mais restrito, se as eleições também mantiverem os republicanos no comando do Senado, o que é bastante provável.

Do ponto positivo para o mercado é a provável continuidade da política de baixos impostos.

Entretanto, é preciso uma solução a ser encontrada para financiar um novo pacote de estímulo fiscal.

O BTG ainda destaca a “promessa de diminuição dos preços dos remédios e sem grandes mudanças no sistema de saúde”.

E os setores que seriam beneficiados: energia, financeiro e de saúde.

BTG analisa as expectativas de mercado com a vitória de Biden

A tendência é de retomada de políticas de restrições sociais para combate da Covid-19. Restrições mais agudas, como as que o mundo vê agora na Europa, com Alemanha, França, Inglaterra, Bélgica, Irlanda e Escócia fechando vários setores da economia.

Isso causaria uma retração, especialmente no preço internacional do petróleo.

Entretanto, haveria um pacote de estímulos mais parrudo, como os democratas têm mostrado na Câmara dos Representantes, onde tem maioria.

Biden prometeu em suas propostas “gastar o que for preciso” para conceder empréstimos a pequenas empresas e aumentar as transferências diretas às famílias.

Entretanto, lembra o BTG, um pacote de estímulos muito grande pode levar a um risco fiscal.

Há ainda uma possível reaproximação com o Irã e o fim das sanções, levando ao aumento da oferta de petróleo.

Além disso, Biden pode expandir o Obamacare, programa de saúde público instaurado no mandato do ex-presidente Barack Obama (do qual, inclusive, foi vice).

Sua vitória poderia levar a maiores regulações de setores como o financeiro, o de energia e o de saúde.

Ele poderia também quebrar o monopólio de empresas de tecnologia.

Vale lembrar que são elas que têm segurado os índices em Wall Street no azul nos últimos meses.

O BTG ressalta que Biden poderia rever os cortes de impostos de Trump e possivelmente taxar de ganhos de capital.

Além disso, a “guerra comercial China-EUA continuará, mas com tom de negociação menos agressivo”.

Dow Jones históricamente

Tanto em governos republicanos quanto em democratas, o Dow Jones apresentou bons rendimentos. A cor do partido que ocupa a Casa Branca não parece fazer diferença.

O retorno médio do Dow Jones em mandatos republicanos, de 1969 a 2020 é de 6,7%.

Entretanto, o retorno médio do Dow Jones em mandatos democratas, no mesmo período, é de 9,1%.

E se Biden ganhar e as eleições foram contestadas?

O BTG alerta que, antes da pandemia da Covid-19, era comum que os estados restringissem a votação pelo correio a um certo grupo de pessoas, como maiores de 65 anos, doentes ou que estão fora do estado.

Atualmente, a prática é amplamente permitida na maioria dos estados e isso pode levar a um impasse, como se vê nas constantes declarações de Trump.

As estimativas apontam que 80 milhões de votos sejam feitos pelos correios, mais de duas vezes o que foi contado em 2016.

“Contudo, há uma preocupação que os correios norte-americanos não suportem esta demanda acima do normal, levando ao atraso de entrega de muitos votos”, dificultando a apuração, diz o BTG.

O voto por correio faz com que exista a possibilidade de o líder nas votações na noite eleitoral não vença após a contagem de todos os votos

Com a preferência dos votos pelo correio, por consequência da epidemia da Covid-19, há um risco de atraso nos resultados e de contestação das eleições.

Biden afirmou que aceitará o resultado após a contagem de todos os votos.

Já o atual presidente Donald Trump, rejeita fortemente os votos por correio.

Segundo ele, o voto a distância abre precedentes às fraudes em massa. Com isso, Trump não se comprometeu com uma transferência pacífica caso perca.

Decisão na Suprema Corte

O resultado das eleições pode acabar na Suprema Corte dos EUA, caso o resultado seja contestado.

Vale lembrar que os Estados Unidos não têm um Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como o Brasil, que é o que garante a lisura das nossas eleições.

Mundialmente, o Brasil é exemplo de eleições limpas, seguras, universais e com apuração rápida. O processo é indiscutível.

Por isso, quando a juíza progressista Ruth Bader Ginsburg morreu, em 18 de setembro último, os olhos se voltaram para quem seria o substituto.

Trump correu para indicar uma nova juíza para a Corte.

Ele escolheu a conservadora Amy Coney Barrett.

Em um só mandato, Trump indicou três dos nove juízes da Suprema Corte, formando uma maioria de seis indicados por republicanos, contra três indicados pelo partido da oposição.

Todos eles têm cargo vitalício.

Assim, as ações judiciais contra o voto pelo correio podem definir a eleição.

E a Suprema Corte teria maioria a favor de Trump.

Tal indefinição pode ser desastrosa para Wall Street, que precisa trabalhar com um mínimo de segurança e certeza.

Portanto, é consenso que as eleições não terminarão dia 3 de novembro e que momentos de tensão virão por aí.

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