BTG Pactual avalia transação entre NotreDame (GNDI3) e Hapvida (HAPV3)

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Foto: Fachada de hospital da Notre Dame Intermédica

Em relatório divulgado pelo BTG Pactual, analistas destacam que a negociação entre NotreDame Intermédica (GNDI3) e Hapvida (HAPV3) não poderia ser melhor para as duas empresas.

Isso porque, além de ser altamente estratégica, a transação possui potencial para gerar grande valor agregado.

“Em nossa opinião, não havia dúvida de que Hapvida e GNDI se casariam um dia…No entanto, o momento veio como uma surpresa, especialmente devido à recente oferta secundária da GNDI, quando a Bain vendeu uma participação acionária de ~ 7%, então pensamos que este negócio estava guardado para o futuro”, disse o BTG.

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Peso da nova companhia no Ibovespa

Do ponto de vista externo, a fusão pode impulsionar o peso da nova companhia no Ibovespa. Atualmente, a GNDI3 detém 1,9% do Ibovespa enquanto a HAPV3 possui 0,7%. Juntas, as companhias representaria 2,6% do Ibovespa.

Para os analistas do BTG, a nova companhia pode ser considerada uma gigante ao deter 18% de participação de mercado. Além disso, a entidade combinada passaria a ter um número total de beneficiários de 8,24 milhões (3,96 milhões da Hapvida e 4,27 milhões da GNDI).

Em 2021, os analistas estimaram para a nova companhia uma receita líquida combinada de R$ 25 bilhões, Ebitda de R$ 4,5 bilhões, lucro líquido de R$ 2,69 bilhões. Já a dívida líquida, considerada saudável pelos analistas do BTG, ficaria na faixa de R$ 2,19 bilhões.

Considerando o forte desempenho das ações na sexta-feira (8), (HAPV3 + 16,8%; GNDI3 + 26,6%), o valor de mercado combinado totalizaria R$ 118 bilhões.

Desse modo, o BTG Pacutal reitera sua classificação de Compra na HAPV3 e no GNDI3.

Cade não deve representar um grande risco

Para o BTG, como o negócio combina altas sinergias com grande complementaridade, isso acaba por anular quaisquer riscos antitruste potenciais.

Mais precisamente, a sobreposição entre as duas empresas parece muito pequena, pois é apenas em dois estados (Minas Gerais e São Paulo) que a concentração de mercado deve levar a um aumento de participação de mercado regional.

Assim sendo, a Hapvida não está presente no principal pólo de crescimento da GNDI, que é a cidade de SP, onde esta última possui cerca de 25% de participação. Da mesma forma, a GNDI praticamente não tem exposição às regiões Norte e Nordeste, que abrigam mais de 60% da carteira do HAPV.