BTG (BPAC11) analisa Petrobras com rumor da escassez de combustíveis

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.
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Crédito: Agência Brasil/Fernando Frazão

Em virtude das últimas notícias sobre as mudanças na política comercial de combustíveis da Petrobras (PETR4), principalmente após a estatal indicar que não seria capaz de cumprir a demanda encomendada pelos distribuidores em novembro, o Banco BTG Pactual (BPAC11) produziu um relatório explicando a situação do mercado de combustíveis no Brasil.

De acordo com o BTG, os pedidos por combustíveis refletem cotas que variam de acordo com uma faixa com base no consumo histórico de cada distribuidor.

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Aparentemente, a Petrobras ainda está em conformidade com os contratos existentes, mas por causa da forte recuperação da demanda de combustíveis no período pós-pandemia, a companhia estaria reduzindo o fornecimento ao nível mais baixo permitido. 

Com o aumento da demanda de combustíveis e preços de refinaria com mais de 20% de desconto em relação ao mercado internacional, o banco de investimentos sugere que os distribuidores de combustíveis estão buscando formas de ampliar o acesso aos suprimentos da Petrobras ao invés de depender de importações cada vez mais caras. 

Vale destacar que o preço do barril de petróleo está em uma tendência de alta desde o mês de outubro do ano passado.

Na proporção em que a Petrobras aumenta a utilização da capacidade em suas refinarias, o mercado exige que as importações devem ser feitas para suprir a demanda local.

Como o Brasil chegou nessa situação?

O relatório do BTG Pactual explica que a Petrobras, como monopolista, é historicamente o principal, em muitos casos o único, responsável pelo fornecimento de combustível e pela indexação dos preços dos combustíveis no Brasil. Diante da produção de petróleo brasileiro, é necessário a importância de diesel e gasolina para conseguir atender a demanda do mercado. 

Nos últimos meses, as importações foram realizadas principalmente pela Petrobras (83% para a gasolina e 58% para o diesel de acordo com último dado disponível), provavelmente com prejuízo, uma vez que os preços na porta da refinaria continuaram abaixo dos preços praticados no mercado paridade internacional por vários meses. 

E com as taxas de utilização das refinarias em quase 90%, praticamente não há espaço adicional para aumentar a produção doméstica de derivados de petróleo. 

Os analistas do BTG Pactual relatam que a decisão comercial relatada acima significa que a Petrobras deverá dividir a responsabilidade e o risco das importações com os participantes da iniciativa privada. Essa medida é interessante para a companhia de combustíveis porque pode indicar um alívio de margem para o segmento de refino, já que reduz as perdas nas operações de importação. 

Uma jogada arriscada: falta de combustível parece improvável, mas o tiro pode sair pela culatra

O relatório do BTG ainda explica que uma mudança repentina na forma como a Petrobras fornece combustíveis para os distribuidores locais deve promover uma resposta imediata da iniciativa privada para evitar uma escassez de combustíveis.

Apesar da administração da Petrobras ser bem transparente sobre como funciona o mercado de combustíveis, ela deve esclarecer para os clientes que a pior coisa do que os altos preços é a escassez de combustíveis. 

Portanto, ao alterar a estratégia comercial, a Petrobras revela que os entes privados devem iniciar o movimento de importação, mesmo que isso provoque um novo aumento de preços nas bombas de combustíveis. Pois se a demanda continuar nacionalizada, há o risco da falta de gasolina e diesel, por exemplo. 

Os analistas relatam que esperam que as distribuidoras de combustíveis comecem a aumentar o número de importações para evitar a falta de combustíveis em seus próprios postos de bandeira. 

Contudo, essa jogada da Petrobras pode ser considerada um tiro na culatra. Pois a escassez de combustível (mesmo que parcial em algumas regiões) será responsabilizada pela própria estatal, uma vez que ele regula o preço e a produção da commodity. 

A visibilidade nas margens pode ser mais baixa do que nunca para distribuidores de combustível

O relatório ainda continua destacando que não está claro o tamanho dos cortes no fornecimento de combustível da Petrobras. Alguns veículos de imprensa apontam que diversos distribuidores enfrentarão um corte de até 50% em relação ao pedido original. 

De maneira geral, os distribuidores de combustível têm duas opções: (i) importar o que for necessário, mesmo que potencialmente incorrendo em alguma pressão de margem, já que o repasse de preços é muitas vezes imperfeito, ou (ii) não importar por causa da lucratividade, mesmo que arriscando a capacidade de fornecer combustível a todos os seus clientes. 

Porém, neste último caso é consequência de um resultado menos desejável, pois poderia prejudicar o relacionamento com os revendedores. 

Em um negócio em que a visibilidade das margens tem sido por anos uma força central, os analistas do BTG Pactual acreditam que os investidores não gostarão da falta de visibilidade das margens de distribuição de combustível que esse novo cenário traz. A percepção de risco (pelo menos no curto prazo) para Ipiranga, Vibra e Raízen deve aumentar.

Conclusão do relatório do BTG Pactual

Concluindo o relatório dos analistas do Banco BTG Pactual, eles registram que as margens das empresas de distribuição de combustível podem ser frágeis dependendo de quanto as importações e o repasse do preço do combustível podem ser necessários. 

O BTG relata que está neutro em relação a Petrobras, visto que há uma possível perda em meio a um crescente escrutínio com relação à política de preços de combustíveis domésticos. 

Em relação à distribuição de combustíveis, a posição é seletiva, considerando um cenário regulatório e competitivo cada vez mais difícil que poderá trazer como consequência uma redução da valuation das distribuidoras.

Por conta disso, o banco recomenda a Raízen (RAIZ4) como a melhor escolha no setor, não apenas devido a sua exposição à produção de açúcar/etanol, mas também por suas capacidades de abastecimento e comercialização de combustível historicamente mais eficientes.