BTG Pactual: Oi (OIBR3) é competitiva entre pós-pagos de baixo custo

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Divulgação

O BTG Pactual divulgou na última terça-feira (15) uma análise setorial sobre as companhias de telecomunicações brasileiras, onde apontou bom desempenho da Oi (OIBR3 OIBR4) na competição por clientes de planos pós-pagos de baixo custo.

Segundo o relatório, a operadora ocupa há anos o 4º lugar, último entre as operadoras do país, em satisfação do cliente, dentro do segmento de clientes pós-pagos, mesmo com reconhecidos avanços e apesar das ofertas mais baratas do que as outras disponíveis no mercado.

O valor mínimo de seu pacote, de R$ 45 ao mês (incluindo apenas 6GB de dados), custa 60% menos que a
segunda oferta mais barata, apontou o BTG.

No seu pacote de R$ 100 ao mês está incluído 50GB de dados e acesso para todas as mídias sociais e plataformas de vídeo mais populares, como Netflix e YouTube, o que mostra competitividade.

“A proposta de valor da Oi tem funcionado bem comercialmente”, indicou o relatório da pesquisa, mencionando que a empresa adicionou 241 mil novos assinantes pós-pagos líquidos no primeiro trimestre de 2020, o que corresponde a 20% de participação das adições líquidas.

Além disso, a operadora foi a segunda menos afetada desde o início da pandemia, com 10 mil desconexões líquidas no período, enquanto a Vivo (VIVT4) perdeu 39 mil clientes e a TIM (TIMP3), 488 mil.

A Oi está em meio a uma reorganização, que, entre outras medidas, resultará na venda de seu negócio de telefonica movel, após aprovação de aditamento do processo de recuperação judicial, que mudará seu posicionamento frente aos serviços de telecomunicações. O objetivo é focar no fornecimento de serviços de setor de banda larga e fibra ótica. O consórcio formado pelas outras três concorrentes devem ficar com o negócio e dividir o mercado da Oi.

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Vivo (VIVT4) aumenta base de pré-pagos

Com relação ao mercado de celular pré-pago, a análise do BTG apontou que a Vivo está crescendo novamente neste segmento, retomando o posto de primeiro lugar em assinaturas.

No terceiro trimestre de 2018, as receitas pré-pagas da operadora registravam queda de 22% e havia perda de 1 milhão de clientes desse setor por trimestre, em média.

Como reação, a Vivo lançou uma série de ofertas pré-pagas, que diminuíram o declínio no número de clientes e reduziu a queda na receita em 3,2% no segundo trimestre de 2019.

Entre essas ofertas, a operadora disponibilizou um plano pré-pago de R$ 10 onde, por duas semanas, o cliente tinha acesso ilimitado ao WhatsApp (chamadas de voz não incluídas) e 1 GB de dados.

Até então, todas as operadoras vendiam esse mesmo pacote, mas de forma limitada a uma semana de uso apenas.

No começo de 2020, a empresa ajustou suas ofertas, reduzindo o preço por GB, com planos de uma e duas semanas com 2GB por R$ 12 e 3GB por R $ 15, respectivamente.

As receitas pré-pagas caíram apenas 0,6% no primeiro trimestre deste ano, enquanto as adições líquidas de pré-pagos tornaram-se positivas em abril e aceleraram depois disso.

O segmento foi alavancado por conta da pandemia da covid-19, uma vez que muitos clientes mudaram de pós-pago para pré. Desde abril, a Vivo adicionou 168 mil novos clientes pré-pagos por mês, em média.

Em julho, foram 400 mil novos clientes pré-pagos na Vivo, enquanto todas as outras operadoras registraram salto de desconexões no mês.

Vivo se destaca entre os clientes de poder aquisitivo

Enquanto a Oi se destaca entre os planos pós-pago de baixo custo, a TIM se mantém competitiva entre os pacotes de médio nível e a Vivo se destaca entre os clientes de maior poder aquisitivo.

“Os 25GB da TIM por R$ 150 parecem atraentes se comparados aos planos da Claro e da Vivo de ofertas regulares. Porém, os pacotes da Vivo Selfie, que começam em R$ 150, podem se mostrar muito competitivos”, diz a análise do BTG.

Isso porque o Vivo Selfie oferece aos clientes 25GB de dados e 25GB extras para serem usados ​​com parceiros como a Netflix, o Spotify e o Rappi.

Assim, por R$ 150 ao mês, o cliente possui o serviço de internet e  a assinatura da Netflix, do Spotify e do Rappi Prime, que custam R$ 33, R$ 17 e R$ 30 por mês, respectivamente.

A pesquisa aponta que a TIM possui os pacotes mais atraentes focados em clientes pós-pago em relação ao preço depois da Oi. No entanto, a Vivo possui ofertas mais atraentes para consumidores finais de alto nível, que representam a maior parte de sua “leal base pós-paga”.

No segmento de plano familiar, em julho a Vivo dobrou a cota de dados incluída em seus planos, oferecendo mais dados do que a TIM em quase todos os pacotes.

Por outro lado, a TIM oferece assinaturas do ChefClub (no plano de entrada) e Netflix (nos outros).

“Mesmo que o plano familiar da Vivo custe mais do que o da TIM (R$ 125 vs. R$ 100 por
mês), ele dá 30 GB por usuário, em comparação com apenas 15 GB da TIM”, indicou o BTG.

Em planos para mais usuários, as ofertas da TIM são mais atraentes. A empresa vende pacote para até 4 usuários, incluindo 100 GB de dados por R$ 320 por mês, em comparação com o plano semelhante da Vivo, vendido por R$ 430.

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TIM (TIMP3) reage com novo portfólio

Depois de ceder o primeiro lugar em pré-pagos para a Vivo em abril, após liderar o segmento desde 2012, a TIM (TIMP3) anunciou em agosto novas ofertas pré-pagas, mais agressivas, de nível básico.

A operadora mudou o seu plano clássico de 1 semana, com 1 GB de dados por R$ 10, para um plano de 10 dias com 1,4 GB custando o mesmo, tendo então a oferta pré-paga mais atrativa do mercado.

A TIM também possui uma nova família de ofertas pós-pagas desde julho, quando mudou sua oferta de planos individuais pós-pagos, aumentando a quantidade de dados.

Seu novo plano pós-pago de nível básico inclui 15GB de dados por R$ 110 por mês. Antes, eram 9GB por R$ 100 por mês.

O plano colocou a operadora à frente da Vivo, que vende 16GB por R$ 130 e da Claro, que cobra o mesmo valor, R$ 110, mas inclui apenas 8GB. Mas são focados em clientes com maior poder aquisitivo do que os que investem nos planos de baixo custo da Oi.

O plano de 20 GB por R$ 125 também se mostra competitivo com outros pacotes semelhantes em mercado. A Claro vende 15GB por R$ 170 e a Vivo disponibiliza 16GB por R$ 130.

No entanto, nos planos de faixas de preços mais altas (R$ 150), planos Vivo Selfie seguem mais atrativos pela quantidade de serviços inclusos.

Claro deve anunciar novos planos

A Claro, que tem liderado as adições líquidas de pós-pago por 7 trimestres, pode ser forçada a fazer uma mudança nos próximos meses. Seu plano pré-pago de nível básico ainda oferece 1GB por 7 dias a R$ 10, claramente menos atraente que a nova oferta da TIM.

“Neste ponto, esperamos que a Claro dê o próximo passo no segmento pós-pago, já que seus planos agora parecem menos atraentes do que os mais recentes anunciados pela TIM (para reduzir fim do pós-pago) e Vivo (para o pós-pago superior)”, diz a análise.

A operadora tem a vantagem de oferecer combos com os serviços de telefonia e fixa com pacote de televisão a seus clientes NET Claro, que possui grande destaque nas telecomunicações.

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