BTG: M. Dias Branco (MDIA3) tem cenário difícil

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Foto: M. dias branco

O resultado do terceiro trimestre da M. Dias Branco (MDIA3) não agradou muito o BTG Pactual. Em relatório, o banco avaliou que apesar da alta de 27% nos volumes de vendas, a perda de Ebitda ressalta um cenário de margens difícil. A recomendação é neutra para a compra do ativo.

 

Volumes fortes, mas custos maiores

Segundo a análise, os resultados trimestrais da M. Dias Branco seguiram padrões semelhantes aos observados durante o segundo trimestre. A empresa se beneficiou de um aumento de consumo interno, com vendas crescendo 31% a/a para R$ 2 bilhões. Ou seja, o resultado foi em linha com a expectativa do BTG.

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Os volumes vieram mais uma vez fortes (+ 27% a/a). Mas os custos crescentes do trigo levaram a uma margem bruta mais baixa recorde de 32%.

Com Ebitda ajustado de R$ 205 milhões, o indicador ficou 10% abaixo da expectativa do BTG Pactual. Já a margem Ebitda de 10,1% ficou estável ano/ano (um recorde negativo em um trimestre).

Já o lucro líquido foi impulsionado por ganhos com créditos fiscais. Sem isso, estaria 36% abaixo da estimativa dos analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin.

A perda de Market share coloca um ponto de interrogação na sustentabilidade do crescimento de volume da M. Dias Branco, diz o BTG Pactual.

Embora tenha havido forte recuperação nos volumes de biscoitos e massas (+21% e +39% a/a), a perda de participação de mercado sequencial sugere que uma boa parte disso veio por trás do aumento da demanda fornecida pelo programa de ajuda financeira do governo brasileiro, o que pode ser insustentável a partir de agora.

 

A execução dos preços será fundamental para 2021

“Com 2020 marcando uma importante recuperação a partir de um 2019 fraco e problemático, a capacidade da M. Dias Branco de implementar ajustes de preços necessários sem prejudicar o market share será novamente a chave para as margens e o ROIC se recuperarem”, dizem os analistas do BTG.

Assim, iosso é particularmente importante, pois a empresa cresce em regiões de pouca penetração, com os preços do trigo e o câmbio continuando a implicar em novas pressões de custo à frente.

“A menos que a M. Dias Branco execute perfeitamente daqui pra frente, acreditamos que há riscos para o Ebitda de 2021 > R$ 1,1 bilhão”, diz o BTG.

 

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