BTG Pactual (BPAC11): M Dias Branco (MDIA3) tem 4TRI20 fraco e volátil

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: M.Dias Branco

A M Dias Branco (MDIA3) apresentou um resultado fraco e volátil no balanço do quarto trimestre de 2020, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (01) pelo BTG Pactual (BPAC11).

Os números ressaltam o quão difícil ainda poderá ser o ano de 2021, dizem os analistas.

As vendas líquidas foram de R$ 1,7 bilhão em volumes muito menores, enquanto os melhores preços médios pouco ajudaram a evitar a margem bruta de 910 bps a/a cair para 28,6%, o menor já registrado em custos de matéria-prima.

“O Ebitda foi prejudicado por uma reversão fiscal única, sem a qual estimamos que o valor recorrente seria de R$ 45 milhões, 75% abaixo de nossa chamada e 81% menor a/a”, diz o BTG.

As despesas de vendas da M Dias Branco aumentaram com a intensificação dos esforços de marketing, mais do que compensando os cortes de G&A, para uma margem Ebitda recorrente de 2,6%, 1170 bps inferior a/a e também um histórico baixo.

Recomposição de margens e preços

Os volumes de M Dias Branco caíram 15% a/a, liderados por todas as categorias principais, com o MDB claramente tentando recompor as margens por meio de um aumento médio de preço de 13% t/t, com queda na participação de mercado de 40 bps em biscoitos e 140 bps em massas.

“O mais intrigante para nós é que o M Dias Branco está empurrando os preços muito à frente da concorrência, apesar de serem verticalmente integrados e terem vários meses de estoque de matéria-prima. Também acreditamos que a maior exposição da empresa para a região Nordeste, onde o impacto do governo com a ajuda financeira é indiscutivelmente maior, poderia explicar a maior elasticidade de preço”, diz o BTG.

Margens de M Dias Branco devem demorar a se recuperar

Embora o BTG acredite que o M Dias Branco (e o resto da indústria) será capaz de forçar os preços para cima nos primeiros meses de 2021 para compensar a inflação de commodities/câmbio, deve demorar alguns trimestres antes que as margens possam se recuperar e isso não acontecerá sem uma forte dose de pressão de volume.

“Também nos perguntamos se a estratégia do MDB para o foco em distribuidores terceirizados (agora 8,2% das vendas de 4,4% um ano atrás) enquanto reduzir as vendas para canais mais lucrativos não prejudicará ainda mais o mix/margens, ao mesmo tempo que torna os investimentos de marketing mais altos menos eficazes”, pontuam os analistas.

Assim, o BTG atualizou a estimativa de Ebitda da M Dias Brancos14% abaixo do consenso para 2021 de R$ 783 milhões.

“Com uma polêmica estratégia comercial em execução, macro mais difícil e baixa visibilidade nas margens a longo prazo, continuamos cautelosos com o estoque”, afirma o BTG.

Por fim, a recomendação é neutra para o ativo. Preço-alvo em R$ 29.