BTG (BPAC11): leilões de infraestrutura serão dominados por investidores locais

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

A InfraWeek, semana de leilões promovida pelo governo federal de diferentes estruturas, deverá atrair principalmente investidores locais, diz o BTG Pactual (BPAC11).

Em relatório publicado nesta segunda-feira (05), os analistas afirmam que apesar das iniciativas recentes do governo para aumentar a atratividade dos projetos, a concorrência deve ser menor do que inicialmente esperado (e em comparação com outras rodadas de leilão), com predomínio de investidores locais, dada a alta incerteza política e o aumento do número de casos de Covid-19 no Brasil.

“No entanto, esperamos que os players locais bem capitalizados se beneficiem da concorrência mais baixa, levando a retornos interessantes”, dizem os analistas Lucas Marquiori e Fernanda Recchia.

A InfraWeek será realizada entre os dias 7 e 9 de abril. O governo federal realizará uma série de leilões para projetos de infraestrutura realizada ao vivo na B3. As oportunidades cruzam vários setores de infraestrutura, incluindo aeroportos, ferrovias e portos.

De acordo com os dados oficiais do Ministério da Infraestrutura, 28 ativos serão leiloados durante a semana, totalizando mais de R$ 10 bilhões.

Aeroportos, ferrovia e portos

Após a cerimônia de abertura na terça-feira, os leilões começarão na quarta-feira com 22 aeroportos (divididos em blocos Sul, Central e Norte) em disputa.

“Esperamos que o Bloco Sul gere a maior concorrência devido à sua localização mais estratégica (levando a um maior volume de passageiros)”, diz o BTG.

O BTG vê a CCR (CCRO3) como uma licitante potencial, visto que já possui experiência na operação de aeroportos (embora com um apetite moderado).

Depois, na quinta-feira, o governo vai realizar o leilão do primeiro trecho da Ferrovia da Integração Leste-Oeste (FIOL), que ligará Ilhéus (BA) a Caetité (BA).

“Indicamos que, embora o projeto possa parecer uma linha ferroviária de nicho em à primeira vista, poderia oferecer uma conexão importante com a ferrovia Norte-Sul no longo prazo. Esperamos concorrência de baixa a média pelo ativo”.

E, finalmente, 5 terminais portuários (4 no Maranhão e 1 no Rio Grande do Sul) chegarão ao leilão na sexta-feira, com a expectativa de concorrentes de vários setores.

O BTG vê a Santos Brasil (STBP3) como um licitante natural depois que a empresa recentemente levantou R$ 790 milhões via follow-on.

Além disso, o CS Brasil, do Grupo Simpar (JSLG3), também pode participar de alguns leilões, como fez pela primeira vez no final do ano passado.

“Além desses projetos, lembramos aos investidores que existem outros 34 ativos a serem leiloados ainda este ano, no valor de R$ 120 bilhões ~ R $ 130 bilhões em investimentos”.

Destaques de cada bloco

  • Bloco Sul: espera-se a licitação de 9 aeroportos, sendo Curitiba o principal destaque. Espera-se que este bloco gere mais competição dada a sua localização estratégica. Prováveis ​​licitantes incluem: Patria, ADP, CCR, Inframérica e Egis. Segundo matéria do Valor Econômico, o Inframérica geraria altas sinergias internacionais com sua extensa rede de aeroportos na Argentina e Uruguai, enquanto a Egis, que era sócia minoritária na Viracopos e agora estuda um retorno ao setor aeroportuário no Brasil, falou ao GLP multinacional durante sua preparação para o leilão. GLP é sediada em Cingapura e tem mais de US $ 80 bilhões em investimentos em infraestrutura e incorporação imobiliária.
  • Bloco Central: 6 aeroportos previstos para serem leiloados, sendo Goiânia o destaque principal. Os prováveis ​​licitantes incluem: Socicam, Sinart e Inframérica. A Socicam, mais conhecida pela administração de terminais de ônibus, começou gestão de quatro aeroportos em Mato Grosso (incluindo Cuiabá) em 2019. Sinart possui pequenas operações em Porto Seguro (BA) e Juiz de Fora (MG), enquanto a Inframérica opera o aeroporto de Brasília, onde mais de 40% do tráfego decorre de voos de conexão e uma parte significativa dos passageiros vem dos demais aeroportos do bloco.
  • Bloco Norte: 7 aeroportos a serem leiloados, sendo Manaus o principal. Os prováveis ​​licitantes incluem: Universal Armazéns Alfandegados e ADP da França. Há expectativas de que a Universal possa fazer parceria com um fundo americano para participar do leilão.

Estratégias seletivas e pipeline intenso no ano

Como nos últimos anos, o BTG acredita que os players locais devem continuar a dominar os leilões de infraestrutura no Brasil.

A principal exceção deve ser o segmento de aeroportos, que tradicionalmente atrai mais jogadores estrangeiros, embora o BTG creia que o número deve ser limitado desta vez devido aos efeitos da pandemia no setor.

Em relação aos retornos, esperamos uma abordagem mais racional neste ciclo, com base em: menor número de licitantes esperados; o domínio dos players locais; e estratégias de licitação mais seletivas devido ao pipeline intenso durante o resto do ano.

Portos em pauta

Fechando a InfraWeek, o governo vai leiloar 5 terminais portuários na sexta-feira, sendo 4 no Maranhão e 1 no Rio Grande do Sul.

“Nós esperamos competição moderada nos leilões dos portos. Pela nossa cobertura, vemos Santos Brasil como licitante natural depois de levantar recentemente R$ 790 milhões por meio de um follow-on voltado para participar dos próximos leilões”, diz o BTG.

O banco espera que outros players como a Wilson Sons participem de alguns leilões também.

Para tipos específicos de cargas, como celulose ou líquidos, grandes produtores também devem estar dispostos a integrar suas cadeias logísticas, tornando-as potenciais licitantes, incluindo Petrobras e celulose produtores, entre outros.

Por fim, o CS Brasil, do Grupo Simpar, também pode participar de alguns leilões, como fez pela primeira vez no final do ano passado.